Por recusar proposta de clube maltês, brasileiro fica sem receber e é ameaçado de despejo

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Ricardo Almeida está em Malta. Foto: Facebook/ricardoalmeida10oficial
Ricardo Almeida está em Malta. Foto: Facebook/ricardoalmeida10oficial

No começo de março deste ano, o presidente do Senglea AC, da primeira divisão de Malta, reuniu o elenco. Com voz grave, Reuben Debono disse que o campeonato nacional seria cancelado por causa da pandemia do coronavírus. O clube não teria recursos para continuar a pagar os salários dos jogadores. 

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Para os oito estrangeiros do grupo, ele ofereceu 20% do valor devido até o final da temporada e uma passagem de volta para o país de origem de cada um. Quase todos aceitaram a proposta. A exceção foi o meia brasileiro Ricardo Almeida, 30. Ele respondeu que o valor era inaceitável.

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"Eu havia combinado um valor, mas quando cheguei em Malta para assinar contrato, já não era mais o que eu tinha acertado. Relevei e assinei assim mesmo. Eles estavam pagando certinho, não tinha problema. Até que aconteceu isso e começou a pressão", afirma Ricardo, que fez as categorias de base no Corinthians.

Quando disse "não" para o clube que luta contra o rebaixamento na liga, ele esperava uma negociação. Reconhece que não esperava receber 100% do contrato. Mas acredita que não poderia aceitar 20%. Em vez da busca pelo acordo, veio a pressão. 

“O apartamento que eu moro estava no contrato. Era pago pelo clube. Eles me ameaçaram de despejo. Pararam de pagar meu salário, mesmo o percentual que propuseram. Estou há três meses sem receber nada. Chamaram a polícia para tentar me forçar para fora de casa”, afirma.

O brasileiro se manteve firme. Não saiu do seu apartamento no país e nem parou de reclamar o pagamento dos salários. A cartada seguinte de Debono, ele mesmo um ex-jogador de futebol maltês, foi ir à TV falar mal do meia.

Sem citar o nome de Ricardo, fez de tudo para jogar a torcida contra o atleta. Disse que apenas um integrante do elenco não havia aceitado o acordo e queria prejudicar o time. Para ironizá-lo, o chamou de “o brasileiro Ronaldo”, insinuando que ele se achava Ronaldo Fenômeno, ex-atacante da seleção brasileira.

Esclarecido, bem articulado e portador também de passaporte italiano, Ricardo telefonou para o repórter que fez a matéria com o presidente e pediu direito de resposta.

“Debono contou um monte de mentiras para me prejudicar. Disse que eu cheguei ao clube machucado, o que não aconteceu. Falou que desembarquei no país com a minha esposa sem avisar ninguém, o que é um absurdo. Eles sabiam perfeitamente”, devolveu.

Almeida procurou o sindicato dos atletas de Malta, que pode levar o caso à Fifa. Isso lhe dá a certeza que vai receber o que tem direito. Ricardo se recusa a sair também porque quer provar ter razão e que não tem motivo para fugir.

No último contato com os dirigentes do clube, ouviu a reclamação de que todos aceitaram a proposta de 20%, menos ele.

“Respondi que não sou todos. Sou eu mesmo. Sei das minhas contas, a dos outros, não sei. Cada um tem a sua situação. Perguntei se eles pagam a todos o mesmo valor de salário. Claro que não pagam. Eu tenho 30 anos, já tenho certa experiência. Sei como é essa profissão.”

Revelado pelo Corinthians, Ricardo Almeida foi contemporâneo de Dentinho e Fagner na base do Parque São Jorge. Passou pelo Barueri, Paulista de Jundiaí, Marília, Comercial, Operário-PR, Tigres e Juventus. No exterior, atuou na Indonésia, Tailândia e Grécia antes de chegar a Malta.

Ele continua morando em Malta com suas economias, gastando o mínimo possível. Antes de sair, precisa definir sua situação. Seu contrato com o Senglea vai até 28 de abril ou o dia seguinte após a última rodada do campeonato. Porque apesar do discurso dos dirigentes para os atletas antes de apresentar a proposta de redução, o torneio não foi cancelado oficialmente. Está apenas paralisado.

“Nós jogadores não podemos aceitar qualquer coisa e da forma que eles acham que têm de ser. Muitas vezes o empresário falar para o atleta aceitar porque ele pretende trazer outros nomes para o clube e não quer perder a boa redução. O jogador se tonar um objeto”, completa.

O Yahoo Esportes entrou em contato por e-mail com o Senglea para ter uma posição do clube sobre o assunto. Mas não obteve resposta até o momento. 

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