Há 20 anos, Ricardinho fazia um gol histórico para o Corinthians e quebrava o coração dos santistas

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13 May 2001:  Ricardinho of Corinthians in action during the Corinthians and Santos match played at Morumbi Stadium Sao Paulo. DIGITAL IMAGE Mandatory Credit: Rogdrio Assis/FOTOSITE/ALLSPORT Mandatory Credit: Allsport UK/ALLSPORT
Ricardinho comemora o gol decisivo na partida de 13 de maio de 2001 (Rogdrio Assis/FOTOSITE/ALLSPORT/Getty Images)

A torcida do Santos não comemorava apenas a classificação para a final. Já celebrava o título paulista e o fim do jejum de títulos que, naquela época, beirava os 17 anos. Quem se classificasse, enfrentaria o Botafogo na decisão do Campeonato Paulista de 2001.

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Para os 54.637 torcedores presentes no Morumbi naquela fria tarde de 13 de maio, a semifinal entre Santos e Corinthians era a verdadeira decisão. E o empate em 1 a 1 faria o time de Vila Belmiro avançar.

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Isso até que, há 20 anos, Ricardinho fez um gol que, para os corintianos, foi histórico. Para os santistas, ainda é traumático. A sete segundos do fim, o meia fez o gol que definiu a vitória do clube de Parque São Jorge por 2 a 1.

"É lembrado como se fosse o gol de um título. E não foi, nós teríamos ainda duas partidas na final. Mas a torcida do Corinthians se lembra muito disso. Aconteceu porque nosso time nunca deixou de acreditar, mesmo quando parecia que as coisas só davam certo para o Santos", relembra Ricardinho, que acertou chute da entrada da área após cruzamento de Gil.

Os jogadores do Santos que estavam em campo nem gostam de se lembrar do que ocorreu há duas décadas.

"Foi o pior momento da minha carreira. Era uma época muito difícil para jogar no Santos, com muita cobrança. Depois de muita luta, a equipe estava muito perto de ser campeã. Jogamos melhor do que o Corinthians as duas partidas, deveríamos ter vencido ambas. Estávamos com a bola dominada no ataque nos segundos finais. Era só segurá-la e acabar o jogo", diz o volante Paulo Almeida.

Por ter a melhor campanha na fase de classificação, o Santos levava a vantagem de se classificar com dois empates. Na primeira semifinal, aconteceu igualdade em 1 a 1. Partida que marcou o pior momento do técnico Geninho pelo time. Com vantagem no placar e dominando o clássico, o atacante Deivid se contundiu ainda no primeiro tempo. Em vez de substituí-lo por outro da mesma posição, o treinador colocou em campo o volante defensivo Marcelo Silva.

“Nosso time era experiente, mesmo não sendo o mesmo que no ano anterior havia conquistado o Mundial. Era uma fase de transição e o Paulista seria importante para manter uma rotina de vitórias", completa Ricardinho, que em 2002 iria para o São Paulo como a contratação mais cara do futebol brasileiro.

Quando Paulo Almeida lembra que o Santos tinha a bola dominada no ataque, se referia ao lateral Russo. Com menos de 30 segundos para o fim, ele estava com a posse no lado direito ofensivo. Se a prendesse ou tocasse para algum companheiro, a partida terminaria. Em vez disso, deu um chute impossível e para fora.

O tiro de meta cobrado rapidamente pelo goleiro Maurício iniciou a ação que culminou no gol de Ricardinho.

"Eu pedi a bola para o Russo. Se ele faz o passe, o jogo terminava com ela nos meus pés. Eu ia prendê-la, fazer a proteção com o corpo e acabava", afirma o colombiano Rincón, ídolo do Corinthians que estava no Santos.

Os dois times estavam iguais em tudo na segunda semifinal. Renato havia aberto o placar para o alvinegro da Baixada e Marcelinho Carioca, empatado. O meia corintiano desperdiçara um pênalti. Dodô fizera o mesmo.

O Santos não conquistava um título de expressão desde o Paulista de 1984. Durante o jejum do adversário, o Corinthians havia vencido quatro estaduais, três Brasileiros e um Mundial.

"O (técnico) Vanderlei (Luxemburgo) nos disse para jogar com o nervosismo do Santos. Com o passar do tempo, eles sentiriam o peso da partida porque estavam há muito tempo sem serem campeões. Não sei se o nervosismo influiu porque ganhamos no último lance, mas se você olhar no placar, deu certo", analisa o volante Otacílio.

Ponto eletrônico

O pós-jogo do Santos foi tumultuado. O goleiro Fabio Costa ficou tão revoltado com o zagueiro André Luis que não queria deixá-lo entrar no ônibus para sair do Morumbi. O defensor havia escorregado diante de Gil e possibilitado o cruzamento que foi para Ricardinho. A diretoria ensaiou pedido de anulação do confronto no Tribunal de Justiça Desportiva porque o autor do gol decisivo usara um ponto eletrônico para ouvir as instruções de Luxemburgo. A solicitação foi descartada.

Nas semanas seguintes, torcidas organizadas invadiram o Centro de Treinamento do clube. Soltaram rojões, carregaram faixas e um segurança foi agredido.

"Foi um período muito difícil. Pela forma como aquela derrota para o Corinthians aconteceu, parte da torcida ficou revoltada", diz o lateral Léo.

Timão acabou campeão

Os jogadores do Corinthians descobriram no vestiário que o rival da final seria o Botafogo. Nas conversas entre eles, o consenso era que se a derrota em Ribeirão Preto, na primeira decisão, fosse evitada, tudo seria bem mais simples.

"Ganhamos lá por 3 a 0. O jogo no Morumbi foi uma festa do título", completa Otacílio, sobre o empate no Morumbi em 0 a 0 na segunda decisão.

Seis santistas que estiveram em campo pelo Santos na semifinal de 2001 seriam campeões brasileiros no ano seguinte contra o mesmo Corinthians, também no Morumbi (Fabio Costa, Léo, Paulo Almeida, Renato, Robert e André Luis).

Deivid se transferiria para o clube de Parque São Jorge logo após a derrota há 20 anos e foi peça-chave na equipe que em 2002 ganharia o Rio-São Paulo e Copa do Brasil. Ricardinho iria para a Vila Belmiro em 2004 para conquistar um Brasileiro.

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