Revoltados, funcionários do Flamengo criam carta contra Landim e Bap

Yahoo Esportes
Bap e Landim durante o Mundial de Clubes. Dupla é alvo de reclamações (Alexandre Vidal/Flamengo)
Bap e Landim durante o Mundial de Clubes. Dupla é alvo de reclamações (Alexandre Vidal/Flamengo)

As demissões de 62 funcionários na semana passada causaram revolta fora e dentro do Flamengo. Tanto que um grupo composto por pessoas dispensadas e outras que seguem no clube decidiu enviar uma carta ao Blog para demonstrar irritação especialmente com o presidente Rodolfo Landim e seu vice, Bap, como é mais conhecido Luiz Eduardo Baptista. O texto (na íntegra no fim da matéria) foi enviado de forma anônima, porque os funcionários empregados temem represálias, enquanto os demitidos se preocupam com a possibilidade de não receber as indenizações.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Siga o Yahoo Esportes no Google News

“O presidente e o presidente adjunto não têm nenhuma sensibilidade humana. Falamos do Landim, presidente eleito, e do sr. Bap, que é quem comanda o clube, vide o caso dos ‘Meninos do Ninho’”, diz um trecho da carta. “As famílias até hoje imploram que o clube faça a sua parte e esta dupla sem dó nem piedade dá a mínima para eles”.

Leia também:

Sobre os salários, os rubro-negros alegam que têm “até vergonha de falar, pois é importante que todos saibam o quanto CR do Flamengo remunera mal seus funcionários, para que os gerentes, supervisores, diretores e Ceo tenham bônus até fora da realidade do mercado”.

De acordo com os funcionários, a decisão do Flamengo em cortar os prêmios prometidos pelos títulos da Libertadores e do Brasileirão chegou a 80% para aqueles com cargos de menor relevância. “Cortaram sem dó nem piedade a base de 80% do prêmio para os humildes funcionários, pois, para os grandes, todos receberam sua premiação integral”, afirma outro trecho da carta.

Um dos funcionários que participou da redação do texto enviou ao Blog com exclusividade a relação original de prêmios previstos pelos títulos da Libertadores e do Brasileirão e o valor final depositado nas contas dos funcionários.

Os membros do alto escalão receberam seus prêmios de forma integral, somando Libertadores e Brasileiro. O diretor de futebol Bruno Spindel, por exemplo, embolsou R$ 1,22 milhão; o gerente de futebol Paulo Pelaipe ficou com R$ 719 mil; mesmo valor a que teve direito o médico Marcio Tannure; o gerente de transição Carlos Noval ganhou R$ 486 mil; o gerente de scout Fábio de Jesus faturou R$ 583 mil; enquanto o supervisor Gabriel Skinner, primo de Bap, levou R$ 344 mil. Todos esses valores são brutos.

Já os funcionários do baixo clero tiveram uma mordida de até 80%, apesar de tal dinheiro, originalmente ser dos atletas. Vale lembrar que Everton Ribeiro, Gabigol, Diego Alves, Diego Ribas, Bruno Henrique e companhia decidiram por repassar 30% daquilo que ganhariam de bicho para os funcionários. Mas Landim, Bap e o Ceo do clube, Reinaldo Belotti, entenderam que alguns funcionários não poderiam receber tanto, pois no meio corporativo não existe o hábito de prêmios superiores a cinco salários.

Assim, funcionários que receberiam R$ 27 mil de bicho ficaram com pouco menos de R$ 5 mil. Outros com prêmios de R$ 22 mil tiveram de se contentar com cerca de R$ 4 mil. A medida atingiu seguranças, secretarias, office boys, fisiologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, roupeiros, massagistas, motoristas... A redução nos bichos, inclusive, rendeu polêmica em meio ao Mundial de Clubes, no ano passado.

Porém, vale a ressalva de que os seis auxiliares portugueses de Jorge Jesus, além de Evandro Mota, tiveram 100% dos bichos. Uma cláusula no contrato do técnico assegurava a integralidade dos prêmios a seus indicados. Juntos, eles embolsaram pouco mais de R$ 5 milhões.

Abaixo, a íntegra da carta enviada pelos funcionários. Importante: por meio da assessoria de imprensa do Flamengo, Landim e Bap não quiseram se posicionar.

Prezado Nicola,
neste momento de pandemia, neste momento que estamos vivendo uma crise, depois de anos e anos dedicando trabalho e amor ao nosso clube, o que recebemos em troca? Somos demitidos de forma cruel e sem perspectiva de trabalho. A maioria de nós recebe salários que temos até vergonha de falar, pois é importante que todos saibam o quanto o CR do Flamengo remunera mal seus funcionários, para que os gerentes, supervisores, diretores e Ceo tenham bônus até fora da realidade do mercado.

É só olhar nos últimos balanços e ver o quanto estas pessoas ganham de bônus. Essa diretoria é desumana. O presidente e o presidente adjunto não têm nenhuma sensibilidade humana. Falamos do Landim, presidente eleito, e do sr. Bap, que é quem comanda o clube, vide o caso dos “Meninos do Ninho”. As famílias até hoje imploram que o clube faça a sua parte e esta dupla sem dó nem piedade não dá a mínima para elas.

Olha o caso da premiação dos títulos do Brasileiro e da Libertadores. O pessoal que trabalha ou trabalhava no futebol tinha uma participação importante. Muitos poderiam pagar suas contas, ter um fim de ano melhor, proporcionar às suas famílias um Natal digno... O que foi feito? Cortaram sem dó nem piedade a base de 80% do prêmio para os humildes funcionários, pois para os grandes todos receberam sua premiação integral.

Agora, neste momento de pandemia, poderiam falar com os atletas e eles com sua condição financeira melhor que as nossas poderiam contribuir pra atingir o objetivo da economia. Não, manda os que ganham menos para rua. Este é o Flamengo bem no campo de jogo com atletas comprometidos e um treinador competente, humano e educado com todos os funcionários, mas uma diretoria formada por insensatos como jamais houve na história do clube.

Leia também