Revezamento da tocha olímpica começa à sombra da pandemia e sem entusiasmo

Kiyoshi Takenaka e Elaine Lies e Ju-min Park
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Por Kiyoshi Takenaka e Elaine Lies e Ju-min Park

FUKUSHIMA/TÓQUIO (Reuters) - Com acenos, sorrisos e bandeirolas, mas sem gritos, o revezamento da tocha olímpica começou nesta quinta-feira, iniciando uma contagem regressiva de quatro meses para a Olimpíada de Verão de Tóquio-2020, a primeira a ser organizada durante uma pandemia mortal.

"No último ano, como o mundo inteiro passou um período difícil, a chama olímpica foi mantida acesa discreta, mas poderosamente", disse a presidente da Tóquio-2020, Seiko Hashimoto, em uma cerimônia de abertura fechada a espectadores.

"A pequena chama não perdeu a esperança, e assim como os botões das cerejeiras que já estão florescendo, estava esperando por este dia."

Espectadores estrangeiros não poderão ir aos estádios, e ainda não está claro quantos japoneses poderão assistir as competições.

Como os organizadores estão apresentando o evento como a "Olimpíada da Reconstrução", um aceno tanto ao desastre quanto à pandemia, os corredores desta quinta-feira incluíram muitas pessoas que fugiram de casa depois do acidente na usina nuclear de Fukushima Dai-ichi.

"Esta cidade é onde nasci e fui criado, e nunca pensei que um revezamento da tocha seria realizado aqui", disse Takumi Ito, de 31 anos, em Futaba, uma das cidades mais atingidas pelo desastre nuclear.

O Japão tem se saído melhor do que a maioria dos países, acumulando cerca de 9 mil mortes de coronavírus, mas na quarta-feira Tóquio relatou 420 casos, a maior cifra diária deste mês. Pesquisas mostram que a maioria do público é contra realizar a Olimpíada tal como programada.

(Por Kiyoshi Takenaka, Akira Tomoshige e Chris Gallagher em Fukushima e Mari Saito, Ju-min Park, Antoni Slodkowski e Elaine Lies em Tóquio)