Ousado, jovem Retrô FC pretende disputar a Série B em até dez anos: “Queremos ser uma indústria de futebol no Norte-Nordeste”

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(Foto: Eryck Gomes)
(Foto: Eryck Gomes)

Por Eryck Gomes

O retorno da Copa Pernambuco ao calendário estadual traz oportunidades a clubes que ocupam as duas pontas do cenário local. Serve como sequência para o Santa Cruz, eliminado na fase de grupos da Série C, e como ambiente para os primeiros passos do Retrô FC, clube fundado em 2016 e que terá a competição como a sua primeira entre Trio de Ferro do estado. Os planos não são modestos, o que é compreensível. A estrutura no terreno superior a 6 hectares, montada a 22km do centro do Recife, possibilita ambicionar, sim, voos mais altos.

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Localizado em Aldeia, bairro de Camaragibe, região metropolitana do Recife, o Retrô nasceu em 2016 como um projeto social. A ideia surgiu na cabeça do empresário Laércio Guerra, que, em 2019, resolveu profissionalizar o clube. Desde a fundação, o investimento em estrutura chega aos R$25 milhões. São dois centros de treinamento: um chamado Ninho do Retrô (só com quadra, do Sub-7 ao Sub-13), e o principal (do Sub-14 ao profissional), composto por seis campos, academia, hotel com 72 alojamentos e centro científico - ambos em fase final de construção.

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Envolvimento com a comunidade, ações sociais, valorização das categorias de base, padronização de modelo de jogo em toda a fase de formação e objetivo de participar do Campeonato Brasileiro da Série B dentro de 10 anos: sobre estes e outros assuntos, o Yahoo Esportes conversou com Gustavo Jordão, diretor executivo do clube.

Para começar, expliquemos o que está por trás do nome escolhido para o clube. Surgiu da paixão pelo que foi apresentado em 1982 pela Seleção Brasileira. A ideia é resgatar valores de um futebol que “encantou o mundo”, nas palavras de Gustavo - sem abrir mal do rigor tático. Para isso, toda o processo de formação de atletas é pautado em alguns pilares.

- Quando se criou esse nome Retrô, veio um conceito de jogo atrelado. Não é algo engessado, como se jogássemos só no 4-4-2, ou 4-3-3. Não é o sistema, mas a forma. Os pilares são, na verdade, princípios do futebol moderno, aliado com o clube que imaginamos. Jogadores leves, volantes com características de meia, que não apenas marquem, atletas habilidosos, que no último terço do campo parta para cima, jogar sempre que possível com a marcação alta e em linhas, propor o jogo, jogo apoiado, triangulações. São os nossos pilares. E aí você vai identificar isso em todas as categorias, desde o Sub-7.

(Foto: Retrô FC)
(Foto: Retrô FC)

Atualmente, são 423 atletas distribuídos entre o Sub-7, Sub-9, Sub-11, Sub-13, Sub-14, Sub-15, Sub-17, Sub-20 e profissional. Do total, 138 estão registrados no BID (Boletim Informativo Diario), sendo 21 profissionais, que disputam a Série A2 do Campeonato Pernambucano e Copa Pernambuco. Todavia, o foco é mesmo no estadual. A Copa tem sido usada como laboratório para camadas de jovens, visando o amadurecimento dos garotos para competições futuras. Inclusive, toda sexta-feira acontece uma “convocação” interna, onde jogadores de várias categorias podem ter a oportunidade de figurar no grupo principal.

- É uma estratégia diferente. Não pensando no estadual do próximo ano, mas nas próximas temporadas. O foco é a Série A2 do Pernambucano. Não vamos jogar com a nossa equipe principal nem comissão técnica profissional. Pegamos o técnico do Sub-15, para dar uma experiência mais robusta a ele. Toda semana, ele convoca de todas as categorias, que se destacaram durante a semana, que enxergamos uma projeção e que precisam de estímulos maiores. E aí o treinador do profissional indica alguns dos seus para fazer parte. Na quinta a gente reúne todas as comissões, apontamos quais atletas participarão e convocamos na sexta pela manhã. Na nossa primeira convocação, tivemos sete do Sub-17, seis do Sub-20, e nove do profissional. Isso estimula. Na próxima, já pensamos em ter um ou dois do Sub-15. Isso a gente dá rodagem e lastro aos jogadores.

(Foto: Retrô FC)
(Foto: Retrô FC)

Ambições

Começou como projeto social, só com futsal, cresceu e tornou-se profissional. As pretensões do Retrô são ousadas. O intuito é fazer parte da segunda divisão nacional entre sete e dez anos.

- Para isso, estamos jogando a Série A2, nos estruturando. Fazendo o dever de casa. Se Deus quiser, subimos de divisão esse ano, jogaremos a Série A1 no próximo ano. Temos um departamento de inteligência que já está monitorando alguns atletas para outras fases de planejamento. Tem chegado muitos jogadores das nossas divisões de base. Um dos nossos pilares, inclusive, é jogar com 70% do nosso elenco formado no clube. Temos muitas ideias que vêm do Athletico-PR. Queremos ser uma indústria de futebol no Norte-Nordeste.

Base já rendendo frutos

Recentemente, o clube negociou o seu primeiro atleta. Victor, do Sub-15, assinou contrato com o Corinthians. Outro passo importante para o Retrô acontece em novembro, quando fará a sua a primeira excursão internacional, com destino a Portugal.

- Ele (Matheus) já vai integrar o elenco do Sub-16 do Corinthians no ano que vem. É um jogador que está conosco desde os 13 anos, já tem o nosso DNA. Fizemos um investimento alimentar, suplementação… Ele, tecnicamente, é muito, muito, muito bom, mesmo. Era um momento bom para ele ir e para o clube. E para uma marca bastante forte, que é o Corinthians. Em novembro, faremos uma excursão para Portugal. Já confirmamos jogos contra o Feirense, o Estoril, o Benfica, o Braga, talvez o Vitória de Setúbal ou Guimarães, e o Porto. Serão 10 dias lá com o Sub-17. Será a nossa primeira excursão, e entendemos que podemos colher bons frutos. Mesmo que não haja qualquer negócio, é uma boa experiência na bagagem para eles.

Envolvimento com a comunidade

Embora hoje seja profissional, o Retrô não perdeu o cunho social. Cestas básicas continuam sendo distribuídas pela região. Além de outras iniciativas, quando possível, pais de atletas são alocados em vagas de trabalho dentro do próprio clube.

- Temos um programa de assistência às famílias, com doações de cestas básicas. Vez ou outra conseguimos alocar alguns pais em vagas de trabalho. Já são cerca de 18 que trabalham aqui no clube. Às vezes, os filhos param de jogar, mas os pais continuam aqui. São coisas totalmente diferentes. Nisso, a última coisa que pensamos é no alto rendimento.

(Foto: Retrô FC)
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