Retorno em SC mostra tudo que há de errado no futebol brasileiro

Matheus Ribeiro
·4 minuto de leitura
Bandeira de partida entre Chapecoense e Avaí usou máscara (Renato Padilha/AGIF)
Bandeira de partida entre Chapecoense e Avaí usou máscara (Renato Padilha/AGIF)

Nos últimos anos, muito se fala sobre os motivos pelos quais o futebol brasileiro tem perdido qualidade e ficando bastante para trás em relações aos campeonatos europeus. Um dos principais deles é a má gestão do produto nacional. E na última semana, o retorno do Campeonato Catarinense exemplificou tudo o que existe de errado por aqui.

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Suspenso inicialmente no dia 16 de março por causa da pandemia do novo coronavírus, o Catarinense retornou na última quarta (8), com os jogos das quartas de fina, mas não demorou para que a competição fosse suspensa novamente por causa do alto número de casos em três times.

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Nesta segunda (13), o governo local anunciou a suspensão do estadual por 14 dias e criou uma comissão com médicos da Secretaria de Saúde do estado e dos clubes para que um protocolo mais rígido seja criado para evitar mais contaminações.

Segundo o governo estadual, 24 jogadores e membros de comissão técnica testaram positivo recentemente, incluindo um número alarmante de 14 pessoas do departamento de futebol da Chapecoense. O único caso divulgado do Verdão do Oeste é o do atacante Roberto, que sentiu dificuldades para respirar e tosse antes de ser internado em quadro estável em um hospital de Chapecó.

E em meio a tudo isso, o presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF), Rubens Angelotti, que testou positivo para Covid-19, disse em uma entrevista à Rádio CBN/Diário que “se seguir o protocolo do governo não tem futebol”.

Pois bem, Angelotti, nem deveria haver futebol, já que, por mais que Santa Catarina aparente estar em uma situação melhor que outros estados do país por causa de baixa mortalidade, os casos continuam subindo em uma curva que não parece nunca chegar ao seu ápice.

Ainda bem que existe o protocolo da prefeitura de Florianópolis, que exige o método de testagem RT-PCR, teste feito com o swab nasal e oral. Se não fosse por essa obrigação, a Chape provavelmente não saberia de todos os casos em sua delegação. E felizmente parece que a federação aceita que o RT-PCR seja obrigatório para tentar fazer com que o estadual volte logo. Pelo menos uma lição.

Pena que a federação continua defendendo que apenas as pessoas que forem contaminadas sejam afastadas, o que não adianta muito para a contenção do vírus em casos de clubes com muitos casos, como a Chapecoense, já que alguns dos atletas ainda podem desenvolver sintomas ao passar dos dias.

Ainda não era o momento da volta do futebol na maioria dos estados do Brasil. Santa Catarina tentou dar exemplo, com gente até citando uma das partidas como “o primeiro jogo da América Latina” (bem lembrado pelo companheiro Eduardo Madeira). Mas tudo que a volta do Catarinense acabou causando foi transtorno em vários clubes, que pode ser levado para vários familiares.

E no meio de tudo isso ainda existe o caso do Concórdia, que disputaria o playoff de rebaixamento contra o Tubarão e teve a garantia da Federação Catarinense de Futebol de que a partida aconteceria. Após uma viagem de cerca de 450 km, o clube recebeu a informação de a prefeitura de Tubarão suspendeu a permissão para jogos de futebol. A solução da FCF foi mandar o jogo para Criciúma (a 65 km), mas a prefeitura local também suspendeu a realização de partidas.

Resultado? 15 mil de prejuízo, segundo o presidente Jonas Guzzato informou ao Globo Esporte, para um clube que lutou contra o rebaixamento no campeonato estadual.

No momento em que o país mais sofre com uma pandemia, em uma semana com vários dias com mais de 1,2 mil mortes no país, Santa Catarina errou feio. E o erro precisa ser reconhecido. Mas no meio de um futebol e de um país com sérios problemas de gestões, dá para ter certeza que isso não acontecerá e é bem provável que o estadual volte daqui 14 dias, tanto faz a situação dos atletas e funcionários dos clubes.

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