Antigo médico do Bayern detona Guardiola e revela detalhes de relação

EFE

Berlim, 13 mar (EFE).- O médico Hans-Wilhelm Müller-Wohlfahrt, em autobiografia que teve trechos revelados nesta terça-feira pelo jornal esportivo "Bild", detonou o técnico espanhol Josep Guardiola, com quem se desentendeu no Bayern de Munique até o dia em que deixou o clube.

"Guardiola não se interessava por questões médicas. Por outro lado, esperava verdadeiros milagres de nós", revelou o médico na obra.

"O considero como uma pessoa de pouca confiança em si mesmo, que vive com medo constante, não diante possíveis derrotas, mas diante da possibilidade de perder poder e autoridade", completa Müller-Wohlfahrt.

Segundo o médico, as diferenças com o técnico começaram logo após o desembarque de Guardiola no Bayern, em junho de 2013. No terceiro treino de pré-temporada, o comandante questionou o especialista, por três jogadores lesionados, que já deveriam estar em campo.

"Falou comigo em tom agressivo. Ele me via como um subordinado, a quem poderia recorrer a qualquer momento", revelou no livro.

Müller-Wohlfahrt lamentou que Guardiola tenha provocado reviravolta no "programa de preparação física prévio aos treinos", estabelecido pela sua equipe. A situação só está sendo revista atualmente, com o técnico alemão Jupp Heynckes.

O médico criticou, por exemplo, o fato do espanhol ignorar procedimento de aquecimento antes dos jogos, o que aumentou o número de lesões musculares. Durante a convivência, com o passar do tempo, a tensão aumento, até que uma conversa, marcada para "aparar arestas", acabou virando discussão ríspida.

"Perdi totalmente o controle. Gritei com Guardiola e dei um soco sobre a mesa, que fez com que os pratos e xícaras tremessem. Pela primeira vez, em todos os meus anos de trabalho, gritei com alguém. Não entendia que um técnico, que tinha tantos anos de idade quanto eu de vida profissional, não confiasse na minha experiencia", conta o médico.

O estopim acabou acontecendo em 15 de abril de 2015, quando o Bayern perdeu para o Porto por 3 a 1, pela Liga dos Campeões da Europa, pela ida das quartas de final. O treinador acabou culpando Müller-Wohlfahrt pelo resultado negativo.

O médico, no dia seguinte, anunciou pedido de demissão do clube de Munique, em que trabalhou por 38 anos. EFE


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