Representante brasileira no basquete olímpico, árbitra foi do despejo a Tóquio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a seleção brasileira fora do torneio olímpico de basquete, tanto no masculino como no feminino, pela primeira vez desde Montreal-1976, a árbitra Andreia Silva, 41, é uma das representantes brasileiras na modalidade nos Jogos de Tóquio-2020 (o outro é o árbitro Guilherme Locatelli).

Ela foi selecionada para um seleto grupo de 30 juízes do mundo todo. Para as mulheres, havia só cinco vagas. Uma ficou com a brasileira.

"Muitos querem, e poucos conseguem. É uma conquista que não tem preço. Ainda é bem restrito para mulheres conseguir apitar nos Jogos Olímpicos", afirma Andreia, parte da equipe de arbitragem de Coreia do Sul x Espanha, pelo torneio feminino, neste domingo (25).

"Quando recebi o email com minha convocação, liguei para meus pais e minha avó: 'Conseguimos! Conseguimos!'. Em 2016 [nas Olimpíadas do Rio de Janeiro], bati na trave. Era para ter ido, mas, por algum motivo, não fui", completa.

O sucesso atual contrasta com a dificuldade do passado em concluir o curso de arbitragem. Andreia jogava basquete em Bauru, no interior de São Paulo, mas o time seria encerrado. Para não se afastar da modalidade, ela decidiu fazer o curso de arbitragem na FPB (Federação Paulista de Basquete), em São Paulo.

Os primeiros tempos na capital foram complicados. Ela ficou na casa de uma amiga da avó, Isabel. Mas, no segundo mês, a dona da casa exigiu que Andreia pagasse um aluguel de R$ 150 para ficar lá.

Sem dinheiro, ela trabalhava de mesária e apitava jogos entre universitários para garantir uns trocados. Isso era insuficiente para pagar pelo quarto que ocupava. Acabou despejada. Quando saía da casa, viu a TV ligada e profetizou: "Você ainda vai me ver na televisão".

Abalada, ligou para a família chorando. Teve que voltar a Bauru. "Arrumei as malas chorando, pensando que meu sonho tinha chegado ao fim", lembra.

Pouco depois, foi morar com os tios, em Suzano. Fazia o curso e voltava de trem. Voltou a apitar jogos universitários para se manter. Mas a grana era curta.

"Teve um dia em que eu estava com 5 reais na carteira. Era comer ou pagar o ônibus. Decidi comer um espetinho e um suco de saquinho. Quando entrei no ônibus, disse que havia perdido a carteira. O cobrador falou para eu passar por baixo da catraca. Eu me senti humilhada", conta. "Mas algo dentro de mim não permitia que desistisse."

A maré começou a virar quando foi trabalhar na Federação Paulista e encontrou uma pessoa que apostou em seu trabalho: Geraldo Fontana, ex-juiz e diretor de arbitragem da entidade.

"Ele sempre me colocava para apitar mais jogos do masculino do que do feminino. Via um potencial em mim que eu não conseguia ver. Fui me lapidando aos poucos, e as coisas começaram a acontecer."

Com o tempo, vieram os torneios nacionais e internacionais. Andreia já tem no currículo Mundial, Pré-Olímpico, Pré-Mundial. Neste ano, apitou o Mundial masculino sub-19, na Letônia, em julho.

"Estou com licença black. Posso trabalhar em qualquer jogo do masculino ou feminino", conta Andreia, certa de que o sonho se realizou.

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