“Fui humilhada trabalhando”, diz repórter

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“Fui humilhada trabalhando”, diz repórter
“Fui humilhada trabalhando”, diz repórter

Na tarde de ontem, a repórter Luana Kaseker, da Gazeta do Povo, passou por uma situação de desrespeito na entrevista de Mário Celso Petraglia, presidente do Clube Athetico Paranaense. A coletiva era para esclarecer os casos de doping dos jogadores Thiago Heleno e Camacho, mas Luana, cumprindo sua função de jornalista, fez também pergunta sobre as dívidas da Arena da Baixada e sobre outro jogador e acabou hostilizada pelo dirigente. Petraglia interrompeu a profissional quatro vezes, mandou-a “se calar” e ainda ameaçou deixar o veículo fora das próximas coletivas.

"Eu nunca havia passado por uma situação assim. Foi bastante constrangedor”, contou Luana ao blog Deixa Ela Jogar.

A jornalista disse que, no momento da coletiva, esperou todos os colegas fazerem suas perguntas para então mudar do assunto Camacho e Thiago Heleno, flagrados pela Comissão Antidopagem da Conmebol pelo uso de um termogênico proibido pela entidade.

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“Sabia que sairia do tema, mas a situação das dívidas é uma questão pertinente. E como o Athletico é um clube fechado, dificilmente temos oportunidades de conversar com dirigentes, achei que deveria questioná-lo e porque tínhamos uma pauta sobre isso para o jornal", explicou a jornalista. “Quando ele respondeu sobre isso, já foi mal educado, mas tentei relevar.”

Luana também tentou tratar da situação de Bruno Guimarães, que segundo a imprensa paranaense, também teria utilizado a substância e por isso foi cortado do jogo contra o Boca na última quinta-feira (9).

“Eu realmente queria confirmar o que houve para ele ficar fora de um jogo tão importante da Libertadores, se além do problema com a amigdalite, haveria a possibilidade de ele ter tomado o substância proibida, mas o presidente não me deixou terminar”, disse.

No final, depois de ser hostilizada e interrompida pela quarta vez, ele mandou que ela se calasse. Luana respondeu “tudo bem, obrigada”, ao passo que Petraglia devolveu mais uma grosseria. “Não tem que agradecer, porque isso não merece agradecimento. Isso merece desculpas da sua parte.”

Luana conta que, ao final da coletiva, a maioria dos colegas foi conversar com ela para se solidarizar, e alguns relataram já terem passado por situações semelhantes com Petraglia. Ela também recebeu respaldo do jornal.

“Todos ficaram do meu lado. Depois do ocorrido, fiquei bastante chateada pela forma como fui tratada. Em momento nenhum o desrespeitei, mas fui humilhada exercendo minha profissão. Estou recebendo muitas mensagens de apoio, e isso me motiva para seguir em frente”, completou Luana.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) divulgou uma nota de repúdio ao que considerou “mais um ataque ao livre exercício profissional” da imprensa.

“O dirigente humilhou e hostilizou a jornalista Luana Kaseker da Silva Freire ao mandar a profissional se calar e impedir que ela concluísse uma pergunta. Petraglia também ameaçou não liberar mais a participação do jornal em futuras coletivas do clube. Mesmo que a coletiva convocada pelo Atlético fosse sobre a situação de doping de atletas, bastava ao presidente dizer que não responderia à questão quando foi questionado sobre a dívida da Arena da Baixada", diz a nota oficial.

O SindijorPR também pontou o aumento dos casos de violência contra jornalistas no Brasil, especialmente contra mulheres na cobertura esportiva. “Não podemos permitir que isso continue acontecendo. O SindijorPR reitera, mais uma vez, sua postura intransigente em defesa do livre exercício profissional e do respeito ao trabalhador jornalista, que exerce ofício tão caro à sociedade democrática. #DeixaElaTrabalhar #LutaJornalista #Basta”.

Nas redes sociais, profissionais da imprensa também aproveitaram para repudiar a atitude de Petraglia e enviar mensagens de apoio à repórter.

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