Repórter dinamarquês é atacado por oficiais de segurança do Catar

Os protestos desejados pela Seleção da Dinamarca, tanto em seu uniforme de jogo quanto no de treino para a Copa do Mundo, que será disputada entre os dias 20 de novembro e 18 de dezembro, buscando escancarar o desrespeito aos direitos humanos e aos direitos das mulheres no Catar, tiveram seus primeiros reflexos nesta segunda-feira, quando um repórter dinamarquês teve seu trabalho interrompido por pessoas ligadas ao governo do Catar.

Rasmus Tantholdt, repórter da TV2, da Dinamarca, foi abordado por oficiais de segurança do Catar durante uma transmissão ao vivo para a emissora europeia. Em um carrinho de golfe, os agentes chegaram próximos ao cinegrafista que acompanhava Rasmus e colocaram as mãos em frente da lente, impedindo que ambos os profissionais pudessem realizar seus trabalhos.

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O repórter mostrou suas credenciais, que permitem o trabalho jornalístico no Catar, mas isso não foi o suficiente para os agentes públicos, que fizeram questão de interromper a transmissão ao vivo. Durante a confusão, o dinamarquês refutou o pedido dos cataris: "Vocês convidaram o mundo inteiro para cá. Por que motivo não podemos filmar? É um local público. Você quer quebrar a câmera? Vá em frente. Vocês estão nos ameaçando. Diz muito sobre o que é o Catar. Você pode ser atacado e ameaçado enquanto trabalha na mídia livre. Não é um país democrático. Minha experiência após visitar 110 países no mundo é: quanto mais você tem a esconder, mais difícil é pra fazer uma reportagem lá".

Pouco tempo depois, ao publicar o vídeo em seu perfil oficial no Twitter, Rasmus Tantholdt revelou ter recebido um pedido de desculpas do Comitê Internacional de Imprensa do Catar e do Supremo Comitê Catari: "Nós, agora, recebemos o pedido de desculpa do Comitê Internacional de Imprensa do Catar e do Supremo Comitê Catari. Isso é o que aconteceu quando nós estávamos transmitindo ao vivo para TV2 direto de Doha. Isso vai acontecer com outra imprensa também?".