Reportagens da Folha de S.Paulo registram que o armário de Pelé foi aberto em 1990

***ARQUIVO***SANTOS, SP, 28.11.2018 - Retrato do ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SANTOS, SP, 28.11.2018 - Retrato do ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Durante o velório de Pelé o presidente do Santos, Andres Rueda, disse que o armário usado pelo Rei na Vila Belmiro ficaria trancado. O jogador, que deixou o clube em 1974, teria o aferrolhado na época, levado a chave embora e deixado dentro um objeto não identificado.

"Dizem que foi para dar sorte ao Santos", afirmou o dirigente.

Mas o armário foi não apenas aberto como também usado depois do adeus do Rei.

"Este era o armário do meu pai. Eu usei quando cheguei ao Santos", lembrou Edinho, filho de Pelé, ao jornal Folha de S.Paulo, em 2020, na Vila Belmiro.

Antes disso, em 2012, também em entrevista à Folha de S.Paulo, o próprio Pelé declarou não entender de onde vem o mistério a respeito do armário. Disse ainda que "não tem nada de importante lá".

Duas reportagens publicadas pelo jornal em 1990 e seu acervo fotográfico comprovam que o espaço foi utilizado sem grande cerimônia.

A primeira dessas reportagens foi veiculada em 20 de setembro, quando Edinho, aos 20 anos, iniciava sua carreira no futebol, no Santos. O jovem goleiro, então único filho homem do Rei, posou para o repórter fotográfico Luiz Carlos Murauskas ao lado do armário e falou sobre seus planos no futebol.

Em uma das imagens, que não chegou a ser publicada pelo jornal, pode-se ver o armário aberto. Há em um patamar uma imagem de Nossa Senhora ao lado de um produto que parece ser um creme de barbear. Em outro nível há papéis, similares a revistas e jornais.

O texto destaca que o armário ficara fechado por 16 anos. Na chegada de Edinho, "já estava preparado, com a chave, uma camisa de goleiro e uma calça de agasalho para treinamento". "Eu senti muito orgulho. Para mim, ele é meu pai e também é o Pelé. Sou fã dele, como todo o mundo", afirmou o arqueiro.

Um mês depois, o próprio Pelé utilizou o armário, dividindo-o com o filho. Ele se preparava para o amistoso comemorativo de seus 50 anos, na Itália, onde a seleção brasileira enfrentaria um combinado de jogadores de outros países.

O Rei fez trabalhos físicos na Vila Belmiro e teve sua passagem registrada pela Folha de S.Paulo. O jornal publicou apenas uma foto com pai e filho posados lado a lado. Mas o acervo tem imagem captada pelo repórter fotográfico Luiz Paulo Lima na qual Pelé concede entrevista no vestiário –vestido apenas com uma cueca, como era comum–, em frente ao armário aberto.

A reportagem consultou o Santos a respeito da fonte da informação de que o armário nunca teria sido aberto e a respeito do objeto que teria sido deixado nele pelo ex-jogador, mas não obteve resposta.