Repórter chileno explica detenção na Arena e fala em 'massacre' da Polícia

Bruno Cassucci

Cristopher Antúnez, jornalista chileno detido pela Polícia Militar durante o quebra-quebra promovido por torcedores da Universidad de Chile na partida desta quarta-feira, contra o Corinthians, falou pela primeira vez sobre o ocorrido ao LANCE!. O profissional que realizava a cobertura do duelo válido pela Copa Sul-americana ao lado de outros profissionais na tribuna de imprensa teve a ausência notada por outros colegas ao fim da partida. Na madrugada, os jornalistas foram ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa, na tentativa de esclarecer o caso. Ao contrário do informado inicialmente, Cristopher explica que não estava no setor de visitantes da Arena no momento em que a PM realizou as detenções, e sim no estacionamento do estádio.

- O que acontece é que não posso falar sobre o que ocorreu na tribuna onde estavam os torcedores da Universidad de Chile, porque eu estava na sala de imprensa, lá em cima, no décimo andar. Quando terminou o primeiro tempo me dei conta que a Polícia havia começado a tirar de onde estavam os torcedores de La U. Então desço ao estacionamento, me aproximo, ando alguns metros e vejo que havia uma ambulância onde havia dois torcedores de La U em muito mau estado, sangrando, e cheguei perto com minha câmera para começar a perguntar o que estava acontecendo. A Polícia se irritou muito com minha entrevista e me deram um golpe de punho e tomaram meu celular. Logo depois me colocaram na mesma ambulância e me levaram detido do estádio - relata Cristopher, que logo em seguida soube das outras detenções.

- Todos os outros foram tratados como lixo, o pior do pior, as escórias. Como sabiam que eu era jornalista não me pegaram tanto, mas sos torcedores de La U massacraram, realmente.




Cristopher permaneceu 14 horas detido em uma delegacia nos arredores da Arena Corinthians, e afirma que a violência não se repetiu no departamento policial como foi no estádio. Além da truculência dos profissionais responsáveis pela segurança do evento, o jornalista também deixa o país chateado pela indiferença de um funcionário do Corinthians que o teria visto poucos minutos antes da detenção.

- Estou muito irritado com o Corinthians, porque quando estava no estádio detido tentei muitas vezes falar com alguém, e ninguém falava comigo. A Polícia era muito violenta, me davam golpes porque não queriam que eu falasse. Quando vi uma pessoa do Corinthians disse que estava trabalhando, que sou jornalista e fui detido, dado como delinquente, mas não fizeram nada.

O jornalista chileno e mais uma mulher que estava no grupo original de 26 detidos na Arena Corinthians foram libertados nesta quinta-feira, mas os outros 24 torcedores permanecem detidos aguardando uma audiência de custódia para definição de fiança. Eles foram presos em flagrante por acusação de associação criminosa, dano qualificado, lesão corporal e desacato.




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