Renovada pela quarentena, Brady desafia Osaka na final do Australian Open

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O jogo em que venceu Serena Williams nas semifinais do Australian Open foi o mais badalado da chave feminina, mas esse duelo pouco significará para a japonesa Naomi Osaka caso ela não confirme o favoritismo sobre a americana Jennifer Brady na decisão do torneio, neste sábado (20), às 5h30 (com transmissão da ESPN). A tarefa, porém, não deverá ser fácil. Osaka, 23, atleta mais bem paga da atualidade e vencedora de três troféus de Grand Slam na ainda curta carreira, vem embalada em Melbourne. Prova disso foi ter dominado Serena na vitória por 2 sets a 0 nesta quinta-feira (18). Vencedora do US Open de 2020, a japonesa soma 13 triunfos consecutivos em Slams. Desde a retomada do circuito após a paralisação provocada pela pandemia de Covid-19, em agosto do ano passado, ela ganhou 20 jogos e perdeu 2 --ambos por desistência antes de entrar em quadra. Esse retrospecto joga todo o favoritismo para a número 3 do mundo na decisão contra Brady, 24ª colocada do ranking e estreante em finais desse nível. Dona de um título na carreira, a americana de 25 anos havia obtido até então seu melhor resultado em Slams no US Open do ano passado. Perdeu justamente para Osaka nas semifinais, por 2 sets a 1. "Acho que essa partida pode ter mudado minha vida e minha visão de como devo me apresentar nos Grand Slams", disse Brady ao site da WTA. Quando eu estiver lá [na final], será com a mentalidade de que não estou abaixo dela [Osaka]." O reencontro entre duas tenistas de saque forte e golpes potentes reforça o grande momento vivido por ambas. Ao longo do Australian Open, a japonesa perdeu apenas um set, contra Garbiñe Muguruza (jogo em que precisou salvar dois match points antes de virar sobre a espanhola), e a americana deixou escapar duas parciais, nas últimas duas partidas (diante da também americana Jessica Pegula e da tcheca Karolina Muchova). Brady tentará repetir o feito da compatriota Sofia Kenin, que no ano passado ainda era um nome menos conhecido do grande público ao ganhar o Australian Open. Se conseguir fazer isso diante de Osaka, provará que sua trajetória incomum no esporte também pode dar frutos generosos. Diferentemente de muitos talentos dos Estados Unidos que se tornam profissionais ainda na adolescência, Brady decidiu ir para a universidade e jogar no circuito colegial antes de tentar se firmar como atleta de elite. No inverno retrasado, a americana decidiu novamente seguir uma rota inusual quando deixou a Flórida para passar uma temporada de treinos em Regensburg, na Alemanha, junto com o treinador Michael Geserer. Durante a campanha no último US Open, eles destacaram as mudanças que o período na Europa provocou em seu jogo e principalmente na sua atitude. A parte mental voltou a ser bastante exigida de Brady nas semanas que antecederam o Australian Open. Ela foi uma dos 72 atletas que precisaram passar pela quarentena mais dura na chegada ao país: 14 dias sem deixar o quarto do hotel, porque teve o azar de viajar para Melbourne num voo com pessoas infectadas pelo coronavírus. Mas Brady surpreendentemente não viu a situação de forma negativa. "Saindo da quarentena, falando por mim mesma, eu estava definitivamente muito mais renovada mentalmente", disse ao The New York Times na última semana. "O ano passado foi longo para mim. Eu realmente não fiz uma pausa. No fundo, tive um pouco de sorte por ter passado os 14 dias em confinamento. Isso meio que ajudou a me redefinir mentalmente, e fisicamente também." Geserer afirmou ao jornal americano que nesse período eles buscaram trabalhar a parte física da tenista da forma que dava, mas que o mais importante era cuidar da sua cabeça. Ele admirou a atitude positiva de Brady durante o isolamento. "Ela tem dias ruins, mas tenta tirar o melhor proveito deles", disse. "Isso também é importante nas partidas: você não vai jogar seu melhor tênis, mas ela tenta encontrar uma maneira de vencer."