Renato Augusto celebra boa vida na China: ‘Vou de bicicleta elétrica para os jogos’

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Renato Augusto em partida do Beijing Guoan. (Foto: Fred Lee/Getty Images)
Renato Augusto em partida do Beijing Guoan. (Foto: Fred Lee/Getty Images)

Por Turco (@bastidoressccp)

Ídolo das duas maiores torcidas do país, Corinthians e Flamengo, Renato Augusto é um dos jogadores mais comentados para voltar ao Brasil na próxima janela de transferências, em dezembro. O desejo de muitos times e torcidas, porém, esbarra em um contrato longo, até dezembro de 2021, mas, também, na satisfação do atleta, hoje com 31 anos, em viver e jogar na China.

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No país desde 2016, o meia é hoje o principal jogador do Beijing Guoan, que ainda sonha com o título nacional na temporada e é o atual terceiro colocado da Superliga, um ponto atrás do Shanghai SIPG e quatro de diferença do líder, o Guangzhou Evergrande. “Eu e minha família já estamos totalmente adaptados, até porque já são quatro anos na China. A vida é muito boa. Estamos na capital Beijing, uma das maiores metrópoles do mundo, onde encontramos de tudo. A cidade é incrível. Temos tudo à disposição, sejam mercados, restaurantes, shoppings, parques e muitos lugares maravilhosos para visitar. E o povo é muito receptivo. De dificuldades, só o idioma, além da cultura, que é bem diferente da nossa”, revela Renato Augusto, em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.

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Quanto à alimentação, que era uma preocupação no início, o jogador aponta que estar na China é como se estivesse na Europa ou no Brasil, já que há restaurantes de todos os tipos, e que ofertam desde a culinária italiana e brasileira, até a espanhola e a alemã, que ele conviveu durante cinco anos quando jogava no Bayer Leverkusen. “Come-se muito bem. Com comida, aqui, eu não sofro”, diz. Outra vantagem apontada pelo jogador é a tranquilidade de conviver e passear com a família, o que, no Brasil, raras vezes é possível. “Costumo fazer compras com minha esposa, por exemplo. Sempre que tenho um tempo livre aproveito ao máximo a minha família. Procuro passear com meu filho e curtir a vida com ele. Também fiz amigos aqui nesses quatro anos. Além disso, também temos sempre amigos brasileiros nos visitando. Claro, são deles e dos parentes que mais sentimos falta do Brasil. A distância é um problema que enfrentamos, mas estou bem feliz”, diz.

Em relação ao futebol, a realidade também é completamente diferente. Se no Brasil toda uma logística é obrigatoriamente preparada para que os atletas cheguem em segurança aos jogos e treinos, diante do medo da prática de violência de torcidas adversárias e, muitas vezes, da própria torcida, na China não há nenhuma preocupação a esse respeito.

“É um dia a dia bem tranquilo, porque é tudo funcional. Moro a cinco minutos do clube, vou de bicicleta elétrica para os treinos e também para os jogos. A torcida aqui é gigante e apaixonada, vai em grande número e apoia. Mas é claro que é diferente do Brasil. Na China, tratam tudo com muito mais respeito e compreensão. A admiração e a idolatria que eles têm pelos jogadores, principalmente pelos brasileiros, é uma coisa impressionante. Também cobram e ficam chateados nas derrotas, mas tudo dentro de um limite”, comenta o meia, que, mesmo criticando as invasões e protestos no Brasil, não colocaria essa “cultura” como um impeditivo para um futuro retorno. “Casos de invasão de treino e protestos que a gente vê no nosso país, e até mesmo em outros lugares do mundo, não me impediriam de voltar um dia, apesar de prezar bastante pela segurança, principalmente da minha família”.

Renato Augusto. (Foto: Fred Lee/Getty Images)
Renato Augusto. (Foto: Fred Lee/Getty Images)

Sobre a comunicação com os outros jogadores do clube e também o técnico, Renato reconhece que, no início, era bem mais difícil, porém, hoje essa dificuldade já ficou para trás, tanto é que, mesmo não sendo um homem de ataque e nem ter como principal missão balançar as redes, o meia é um dos artilheiros do seu time na liga nacional. Até o momento, ele já marcou 11 gols em 23 jogos. Na sua principal função, os passes, o camisa 5 também não está decepcionando e já deu sete assistências para seus companheiros. “No começo era difícil se entender fora e também dentro de campo. Mas, fomos adaptando. Falamos um pouco de inglês e nos entendemos. O capitão do time e um dos laterais falam português. Até pouco tempo também tínhamos um treinador alemão e eu mantinha uma comunicação boa com ele”, lembra.

Renato aproveita para desmistificar informações que chegam ao Brasil sobre o futebol chinês, entre elas, que se treina pouco. “Não é bem assim. É claro que se treina como em qualquer outro lugar. E tudo depende muito do treinador que você pega. Se ele trabalha bastante, você vai treinar bastante. Não tem nada a ver se é China ou não. Realmente é uma diferença grande quando você volta ao Brasil ou mesmo quando alguém da Europa, por exemplo, chega aqui e não consegue jogar. Isso porque, demora a entender o estilo de jogo. Também temos um número razoável de jogos, só que o calendário é mais maleável, mais humano. O futebol na China evoluiu bastante de uns anos para cá”, garante.

A boa fase do jogador, aliás, que chegou a sofrer bastante com as contusões e lesões no início da passagem pelo Corinthians, passa muito por seu atual momento físico. Para se ter uma ideia, o meia foi titular em todas as 26 partidas do Guoan até agora e soma 2340 minutos jogados. Diante do desempenho, Renato Augusto é um dos cotados para receber o prêmio de melhor jogador do Campeonato Chinês. Se isso ocorrer, ele entraria em uma lista que já conta com outros três brasileiros: Muriqui, em 2011; Elkeson, em 2014; e Ricardo Goulart, no biênio 2015 e 2016.

Mostrando um futebol de alto nível, o jogador não esconde que ainda deseja voltar a vestir a camisa da seleção brasileira, mesmo atuando no “escondido” futebol chinês. Tido com uma das peças fundamentais pelo técnico Tite durante as eliminatórias e a Copa do Mundo de 2018, o meia, que foi convocado pela primeira vez em 2011 e já vestiu a camisa amarelinha 32 vezes, foi deixado de fora da Copa América, vencida pelo Brasil, e teve seu último momento na seleção nacional na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, em novembro do ano passado.

“Difícil dizer se um dia vou voltar ou não, se o ciclo acabou. Depende do treinador. A gente nunca sabe o que pode acontecer. Mas, estarei sempre preparado para servir o meu país, se tiver oportunidade de novo. Jogador nunca vai fechar as portas para a sua seleção enquanto achar que tem condições para defendê-la. Procuro sempre fazer bem o meu trabalho no clube e jogar em alto nível”, conclui Renato, que já marcou seis gols pela seleção e na Copa da Rússia foi reserva, mas entrou em três das cinco partidas e balançou as redes no confronto final contra a Bélgica.

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