Remanescentes de 2018 tentam mostrar que Croácia finalista não foi por acaso

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2018, não foi uma grande surpresa o croata Luka Modric ter quebrado a hegemonia de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, sendo eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa --o argentino e o português haviam dominado a votação desde 2008.

O fato que surpreendeu a todos, ou pelo menos a maioria, ocorreu meses antes da tradicional premiação, quando o meia do Real Madrid conduziu seu país até a final da Copa do Mundo na Rússia.

No último Mundial, a Croácia não aparecia como favorita nos bolões. Pelo contrário. Por terem feito uma campanha irregular nas Eliminatórias da Europa e conquistado a vaga no torneio apenas na repescagem, chegaram à Rússia sem muita badalação.

Mesmo assim, não era um elenco de se desprezar. Além de Modric, que veste a camisa do clube espanhol desde 2012, o selecionado comandado pelo técnico Zlatko Dalic contava com outros nomes que atuavam em grandes clubes da Europa, como Ivan Rakitic, do Barcelona, Mandzukic, da Juventus, e Perisic, da Inter de Milão, por exemplo.

Em solo russo, eles provaram a força desse conjunto. Pela primeira vez na história, a Croácia avançou até a decisão do Mundial. Foi um feito e tanto para um dos setes países que se constituíram em 1991, após o desmembramento da antiga Iugoslávia.

Eles ficaram a um passo do título, que acabou nas mãos da França, liderada por Kylian Mbappé, Griezmann, Kanté e Pogba.

"Mostramos que o sonho pode ser realidade", disse Modric, após ganhar o prêmio da Fifa. Na votação, ele recebeu, inclusive, o voto do técnico Tite, apto a indicar nomes por treinar uma seleção. Além da campanha na Copa, o meia também venceu a Champions League pelo Real Madrid naquela temporada.

Quatro anos depois, os croatas vão chegar à Copa do Mundo no Qatar com mais respeito dos adversários. O que era sonho passou a ser um objetivo. E no Oriente Médio a ambição da seleção europeia é provar de uma vez por todas que não chegou à final na Rússia por acaso.

Os resultados recentes do país dão confiança aos torcedores. Na Nations League, por exemplo, a Croácia é uma das quatro semifinalistas, ao lado de Itália, Espanha e Holanda. A fase final do torneio de seleções da Europa será em junho de 2023.

Nas Eliminatórias, classificou-se para a competição como primeira colocada do Grupo H, deixando para trás Rússia, Eslováquia, Eslovênia, Chipre e Malta.

A manutenção das principais peças do elenco que jogou a Copa na Rússia, como Modric, Perisic, Brozovic e Dejan Lovren, também aumenta a confiança de Zlatko Dalic, que se mantém no cargo desde outubro de 2017 e vai para sua segunda Copa.

No Qatar, a Croácia novamente tem boas chances de avançar ao mata-mata. O país caiu no Grupo F e vai enfrentar na primeira fase Canadá, Marrocos e Bélgica.

"Tudo o que posso dizer é que estaremos prontos. Não há grupos fáceis. Temos que vencer dois jogos no grupo e isso é meu alvo", afirmou o comandante croata.

Se alcançar a meta, os croatas deverão chegar ao mata-mata pela terceira vez em sua história. Além do surpreendente vice-campeonato em 2018, eles chegaram à semifinal em 1998, na França, logo quando fizeram sua estreia na competição.

Em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, em 2006, na Alemanha, e em 2014, no Brasil, a seleção da região dos bálcãs acabou eliminada ainda na fase grupos.

Desde que debutaram em Copas, a única vez que não conseguiram se classificar para a competição foi na edição de 2010, quando acabaram fora do Mundial na África do Sul.

A Copa do Mundo no Qatar, portanto, será a sexta do país, que já sonha em entrar para o seleto grupo dos campeões mundiais.