Grupo de risco? Remador de 91 anos que venceu Mundial Master no ano passado aguarda passagem do coronavírus

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Odilon Martins, de 91 anos, é o remador mais longevo da América do Sul. Foto: Arquivo pessoal
Odilon Martins, de 91 anos, é o remador mais longevo da América do Sul. Foto: Arquivo pessoal

Por Fernando Del Carlo

O chamado ‘grupo de risco’ do covid-19 envolve pessoas que merecem maior atenção, devido estar mais expostas às complicações decorrentes da doença durante da pandemia de coronavírus. Ele compõe-se de idosos, diabéticos, hipertensos, com insuficiência renal, cardíaca. Bem como problemas respiratórios crônicos.

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No Brasil existem 32 milhões de idosos. Alguns deles, no entanto, são muito ativos. É o caso dos veteranos remadores brasileiros Manoel de Carvalho, de 85 anos, o mais velho atleta em atividade no Rio de Janeiro. E o catarinense Odilon Martins, de 91 anos, competidor mais longevo da modalidade na América do Sul.

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Martins ganhou ano passado o mundial Master de Budapeste, na Hungria. Ele rema há seis décadas e conquistou 16 medalhas de ouro nos Mundiais que disputa desde 1991. Ex-representante de produtos farmacêuticos por 36 anos, o aposentado parou completamente a ‘agradável’ rotina com seus treinos diários a partir das oito horas da manhã no Clube Aldo Luz, em Florianópolis. Trocou-os por raríssimas caminhadas por conta do vírus que assola e merece todos os cuidados além da reclusão total em casa.

“O clube (Aldo Luz) está fechado desde o início de março, respeitando a quarentena do coronavírus. Então, como não tenho uma máquina (refere-se ao remoergômetro – aparelho que permite trabalho corporal completo e repete os movimentos do remo, em uma hora de prática, dispende-se entre 400 e 800 quilocalorias), eu ando”, revela.

Traz no histórico de vitalidade: ter caminhado muito na época que trabalhava pelas ruas, subindo e descendo escadas. Hoje mantém hábitos importantes recomendados pelos médicos casos da boa alimentação e o sono de qualidade. Além de nunca ter fumado. Ele percorria o percurso da ponte Pedro Ivo, que liga Santa Catarina ao continente em Florianópolis. Mas agora parou e todo cuidado pela vida, a ordem é só ficar no lar. Ele convive em harmonia com dona Lia, de 81 anos, a esposa e grande companheira de uma vida.

Com o cancelamento pela FISA (Federação Internacional de Remo) das regatas internacionais por três meses, o seu Odilon não sabe quando irá competir. Ele seguia uma rotina de estar no clube, carregar o barco e remos que pesavam 21 quilos.

O mais velho do Rio

Paulo Carvalho e de Manoel de Carvalho. Foto: FRERJ
Paulo Carvalho e de Manoel de Carvalho. Foto: FRERJ

Além da história do remador catarinense da terceira idade, outra se soma e merece destaque. A obediência à quarentena para combater o coronavírus é seguida pelo carioca Manoel de Carvalho, 85 anos (completa 86 em abril). É o remador mais veterano da Cidade maravilhosa. Ele é tio dos campeões pan-americanos do remo Ronaldo e Ricardo. Iniciou no esporte aos 50 após reformar-se do exército. Ficou empolgado pela sensação de deixar de lado as dores no corpo e adotou o remo. A tradição familiar do sobrenome na modalidade vai além dos sobrinhos campeões pan-americanos em Caracas (1983) e Indianápolis (1987). Seu irmão José de Carvalho Filho representou o Brasil na Olimpíada de Melbourne, em 1956 (Austrália).

O grande parceiro de Manoel nas competições como a do double skif (categoria de duas pessoas cada uma com dois remos), é o filho Paulo Carvalho, que preside a FRERJ (Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro). Carvalho, de 57 anos, advogado, é responsável pela criação do primeiro e único centro de treinamento de remo e pararemo do País.

A dupla protagonizou em fevereiro sensacional vitória na Copa Rio de Remo Master, disputada na lagoa Rodrigo de Freitas, competição que teve a presença de europeus. O triunfo deixou Manoel empolgado pela possibilidade de participar dos Jogos Pan-Americanos Master em setembro deste ano no mesmo local. E antes também em outras competições, entre os quais o campeonato estadual e a copa do futuro. Mas em virtude da pandemia do covid-19 e tendo já os eventos cancelados ou a serem possivelmente adiados – levou-o a respeitar as determinações de se manter no lar.

Treina três vezes por semana no remo-ergômetro, conforme relata o filho Paulo. “Devemos fazer afastamento social vejam os casos na Europa. É uma doença muito grave basta observar a Itália” Ele apoia o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). “Não deve se ter Olimpíada neste ano, atletas, não vão chegar no auge, podem pegar a doença. O mundo está de luto pelas vitimas. Á competição tinha de ser transferida para o ano que vem no mesmo mês”, ressalta, além de especificar a dificuldade da mobilidade no transporte para o evento bem como a diminuição dos treinos para os competidores antes do megaevento esportivo.

Paulo Carvalho relembra o entusiasmo pela ‘fome de viver’ do pai competir na idade que tem. Ele exerce ainda maior apoio ao genitor: transporta-o para as regatas. E agora faz as compras no supermercado, deixando o senhor Manoel exclusivamente no remo-ergômetro em casa. De quebra, algumas vezes aproveita o encontro com o pai para treinar no aparelho, que dispôs também no Centro de Treinamento localizado nas garagens do Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Ele vê descreve a força do genitor acordando sempre muito cedo e treinando três vezes por semana. Destaca a importância do remo como um esporte saudável que exercita braços e pernas, e funcionando como desestressante pós-trabalho, como é seu caso. No entanto, por conta do vírus, as competições ficaram para outro plano, a modalidade também até tudo se normalizar o que ele positivamente espera. Vidas estão em jogo e todo cuidado com a saúde da população merecem todos esforços. Paulo observa, por fim, na modalidade uma grande força motivadora, que precisa maior atenção dos governos. Ele é entusiasta do esporte cujo ídolo é o inglês Sir Steve Redgrave, detentor de cinco medalhas olímpicas, uma grande estrela.

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