Relembre os principais acontecimentos do caso Mariana Ferrer, que começou em 2018

Anita Efraim
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Mariana Ferrer e o advogado de Aranha, Cláudio Gastão de Rosa Filho (Reprodução: /Instagram/Facebook)
Mariana Ferrer e o advogado de Aranha, Cláudio Gastão de Rosa Filho (Reprodução: Instagram/Facebook)

O caso envolvendo a influenciadora Mariana Ferrer, que acusa André de Camargo Aranha de estupro, voltou à tona nesta semana, quando o portal The Intercept Brasil publicou vídeo da audiência.

Feita de forma virtual, a audiência teve trechos gravados. O vídeo mostra o advogado de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, usando fotos da vítima para humilha-la e ataca-la, o que gerou grande revolta por parte da sociedade. A postura do advogado foi criticada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Conselho Nacional de Justiça. O tema chegou também ao Senado e a senadora Rosa de Freitas pediu a anulação da sentença.

O promotor responsável pelo caso também virou alvo de críticas. Foi dele o argumento de que não houve “dolo”, ou seja, não há intenção, de cometer o crime. Foi dessa ideia que surgiu o termo “estupro culposo”, como forma popular de explicar a teoria.

No entanto, o caso começou há quase dois anos, em dezembro de 2018. Relembre os principais acontecimentos relacionados ao caso.

15 DE DEZEMBRO DE 2018

O caso começou em 15 de dezembro de 2018, quando o crime teria acontecido. Mariana trabalhava como promoter do Café de la Musique em Jurerê Internacional, onde estava naquela noite, assim como André de Camargo Aranha.

Câmeras de segurança mostram que os dois subiram uma escada para uma parte privada do clube. Seis minutos depois, desceram. Neste momento, teria acontecido o crime. Mariana alega não se lembrar de nada e acredita ter sido dopada. Na comanda da jovem constava apenas uma dose de gin e água.

André Aranha nega ter drogado Mariana. Inicialmente, ele negou que eles tenham se relacionado, mas, depois, disse que houve sexo oral.

17 DE MAIO DE 2019

Mariana Ferrer expos o caso nas redes sociais em 17 de maio de 2019. Dias depois, ela mostrou no Instagram o resultado do exame de corpo de delito. No documento é atestado que o hímen de Mariana, que era virgem, foi rompido. Ou seja, houve o ato sexual.

“Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem-conceituado da cidade, aonde eu era embaixadora e pensava se tratar de um local idôneo, por isso aceitei o convite para trabalhar lá”, escreveu Mariana na ocasião.

O laudo, no entanto, afirma que “não havia vestígio de ato libidinoso que possa ser relacionado ao delito”.

A jovem questionou a conclusão. “Eu estava claramente dopada”, escreveu. “Como você pode dizer o contrário, doutor? Você viu o estado que cheguei no IML (...). Cheguei com minha mãe para fazer corpo de delito ainda tremendo, mole e desorientada. Você mesmo doutor disse que ainda era efeito da droga.”

Mariana ainda escreveu que relatou no boletim de ocorrência, ao Instituto Médico Legal e ao hospital que sentia fortes dores entre as coxas e dores para urinar. “Cadê o tratamento humanizado que tanto falam? Cadê o suporte para as vítimas”.

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JULHO DE 2019

Em julho de 2019, Alexandre Piazza, promotor do Ministério Público de Santa Catarina, assumiu o caso. Segundo o The Intercept Brasil, ele denunciou André de Camargo Aranha por estupro de vulnerável. Piazza também pediu a prisão preventiva do empresário.

No entanto, a defesa de Aranha conseguiu, por meio de uma liminar, derrubar a decisão em segunda instância. Ele cumpriu medidas cautelares.

Ainda de acordo com o Intercept, Piazza entendeu que o material genético encontrado na roupa de Mariana e em um copo do qual Aranha bebeu na delegacia era uma prova importante. Ele considerou também as mensagens enviadas por Mariana na noite de 15 de dezembro de 2018, que eram “desconexas”, e os depoimentos da mãe e do motorista do Uber.

A mudança de entendimento aconteceu quando o promotor Thiago Carriço de Oliveira assumiu o caso. Foi ele que, nas alegações finais, colocou a tese de que o estupro seria acontecido sem intenção.

18 DE AGOSTO DE 2020

O caso de Mariana Ferrer continuou a repercutir ao longo de 2019, mas somente nas redes social. A influenciadora seguiu usando seus perfis online para denunciar o crime. Foi a partir dessa repercussão que surgiu a hashtag #justiçapormariferrer

Um novo capítulo aconteceu em 18 de agosto de 2020, quando o Instagram deletou o perfil de Mariana.

A justificativa da rede social foi de que a conta foi suspensa “devido a um processo judicial”.

Mariana relatou o ocorrido pelo Twitter. “É inaceitável isso, Instagram. Não basta ser vítima de violência contra mulher, o homem que foi indiciado e denunciado pelas autoridades por estupro de vulnerável entrou na justiça para remover minha conta do Instagram e silenciar a única voz que tenho para lutar por justiça”, escreveu.

Atualmente, as contas de Mariana no Instagram e no Twitter são fechadas.

9 DE SETEMBRO DE 2020

A audiência cuja gravação foi revelada pelo Intercept aconteceu em 9 de setembro de 2020, quando Aranha foi inocentado pelo juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis. Ele acolheu a alegação do Ministério Público de que não havia provas de que acontece “estupro de vulnerável”, porque Aranha não teria como saber que Mariana estava dopada. O exame toxicológico da jovem não apresentou presença de álcool ou drogas no sangue.

Com a decisão, a hashtag #justiçapormariferrer voltou às redes sociais.

Em nota enviada para a revista Claudia, o promotor Thiago Carriço de Oliveira afirmou que o Ministério Público “combate de forma rigorosa a prática de atos de violência ou abuso sexual”.

3 DE NOVEMBRO DE 2020

As revelações do Intercept foram feitas em 3 de novembro de 2020. O portal mostrou a tese de “estupro culposo”, como ficou popularmente conhecida a argumentação de Thiago Carriço de Oliveira.

Os nomes de Mariana Ferrer, André Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, Thiago Carriço de Oliveira e Rudson Marcos ganharam os noticiários.

Times de futebol mostraram apoio à influenciadora e a hashtag #justicapormariferrer ganhou mais força que nunca.

Já Cláudio Gastão da Rosa Filho virou alvo de críticas pela postura adotada. Ele mostrou fotos da vítima para tentar ataca-la e desmerece-la. Ao jornal O Globo ele disse que estava apenas “exercendo seu papel”.

O promotor Thiago Carriço de Oliveira, também muito criticado pela tese do estupro “sem dolo”, pediu para que o sigilo do vídeo fosse derrubado. O objetivo é mostrar que o trecho divulgado pelo Intercept foi editado.