Relação Brasil-China: Embaixador da China diz que críticos devem ter perspectiva de longo prazo

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Presidente Jair Bolsonaro e o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming (Photo SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro e o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming (Photo SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

No governo do presidente Jair Bolsonaro, a China tem sido alvo de críticas de ministros e de filhos do presidente.

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Mas em evento virtual promovido pela embaixada, nesta sexta-feira (5), o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, evitou comentar os ataques dirigidos ao país, embora afirmou que críticos ao país asiático devem ter uma perspectiva de longo prazo, pois a pandemia do novo coronavírus é transitória.

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“Aconselhamos aos críticos da China e das relações sino-brasileiras a considerar mais os sentimentos dos dois povos e da amizade China e Brasil.(…) É importante ter uma perspectiva de longo prazo, porque a pandemia e as dificuldades são hoje transitórias”, destacou.

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Yang Wanming lembrou que a China é o principal parceiro comercial do Brasil e o maior destino das exportações brasileiras. Mesmo com a pandemia do coronavírus, de janeiro a abril, houve um aumento de mais de 3,5% no comércio bilateral, e o Brasil vendeu quase 11% a mais à China em relação a 2019. Dados da embaixada indicam que houve aumento nas exportações de soja, carne bovina, petróleo bruto, minério de ferro e celulose.

O embaixador chinês também declarou que o governo chinês vai implementar uma estratégia para ampliar o consumo interno, o que significa mais espaço de compra de produtos e serviços brasileiros. Entre itens diferenciados do Brasil, ele citou a exportação de frutas, lacticínios e café. 

Além disso, reafirmou o interesse do governo chinês de investir cerca de US$ 80 bilhões no Brasil em setores como agricultura, energia e mineração, infraestrutura, telecomunicações, entre outros, gerando mais de 40 mil empregos diretos.

Yang Wanming disse que Brasil e China são parceiros e não há atritos históricos entre os dois países, que compartilham interesses em comum, em uma parceria com enorme potencial de “amizade e cooperação”. “A China está pronta para trabalhar com o governo brasileiro e com diversos setores da sociedade para diminuir as dificuldades e promover o crescimento pós-pandemia”, ressaltou.

O embaixador negou que a China busque vantagens geopolíticas e econômicas ou impor condições políticas em meio à pandemia. Porém, afirmou que o país conseguiu evitar a propagação do vírus em tempo hábil e que já conseguiu reativar 99% da cadeia produtiva e que 95% dos funcionários retornaram ao trabalho. Com isso, deve continuar a crescer economicamente, embora o governo chinês não tenha estipulado uma meta para 2020.

“A pandemia não vai mudar características básicas da economia chinesa, como o enorme potencial, a forte resiliência, o amplo espaço para manobras e a diversidade de instrumentos de política, tampouco vai afetar a tendência fundamental do crescimento a longo prazo”, defendeu.

ATAQUES

Nesta semana, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento à Polícia Federal sobre uma declaração racista contra chineses no Twitter, em abril, cuja publicação ironizava a fala dos chineses e foi apagada horas depois.

Além de críticas reservadas do presidente Jair Bolsonaro à China, um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), responsabilizou o governo do país pela pandemia do novo coronavírus, em março. A China foi o primeiro lugar a registrar casos do vírus no mundo. 

"Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas", disse Eduardo Bolsonaro. 

À época, nas redes sociais, Yang Wanming afirmou que Eduardo é uma "pessoa sem visão internacional nem senso comum, sem conhecer a China e o mundo", entre outras críticas. O deputado negou que tenha ofendido o povo chinês. 

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que as declarações de Eduardo não representavam o posicionamento do governo brasileiro, porém, pediu uma retratação à embaixada chinesa. Ao fim, a situação foi amenizada quando Jair Bolsonaro conversou ao telefone com o presidente da China, Xi Jinping.

No vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deu um recado aos seus colegas ministros e ressaltou a necessidade de manter boas relações com o parceiro comercial apesar das diferenças “ideológicas”.

“A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pra vocês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China”.

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