Rei dos rebotes da NBA, pivô resgata tradição dos Pistons

BRUNO RODRIGUES
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não há ninguém em toda a NBA que domine a arte de colecionar rebotes como Andre Drummond, 26, pivô do Detroit Pistons. E ele sabe disso.

"Eu acho que sou definitivamente o melhor quando o assunto é pegar rebotes. Não creio que há alguém que chegue nem perto do que fiz nesse assunto", diz Drummond, sem modéstia.

O discurso confiante encontra a razão nas estatísticas. Com média de 17,0 rebotes por jogo, o camisa 0 dos Pistons lidera o quesito na liga. Das últimas quatro temporadas, em três ele apareceu na primeira posição: 2018/2019 (15,6 rebotes), 2017/2018 (16 rebotes) e 2015/2016 (14,8 rebotes).

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Mas mesmo com registros importantes nesse fundamento, é raro ver o nome do jogador citado nos debates da imprensa americana sobre os principais pivôs da NBA, como Joel Embiid, Rudy Gobert e Nikola Jokic.

Talvez porque o jogo moderno exija dos atletas mais repertório, um desprendimento da visão clássica de funções exclusivas a cada posição. No caso dos pivôs, defender bem e atuar dentro do garrafão. Jokic, por exemplo, joga quase como um armador no Denver Nuggets, saindo constantemente de baixo da cesta para construir jogadas.

Entre os colegas e adversários, porém, o desempenho de Drummond em quadra não tem passado batido.

Em entrevista ao podcast "Knuckleheads", do site The Player's Tribune, o ala Kevin Durant, bicampeão da liga com o Golden State Warriors, reconheceu o jogador de Detroit como um de seus atletas favoritos entre os que geralmente estão fora do radar midiático.

"Eu gosto do Andre Drummond quando ele está nos rebotes, ele é dominante. Tem uma habilidade para isso. Acho que ele é capaz de ter média de 20 rebotes por jogo se tiver isso em mente", diz Durant, que se transferiu para o Brooklyn Nets, mas deverá perder toda a temporada por lesão.

"Jogar conta ele, você não imagina o quão forte ele é", completa o astro.

Ao se consolidar como o principal reboteiro da liga, Andre Drummond recupera um legado importante no Detroit Pistons. Antes dele, dois nomes entraram para a história da franquia como grandes defensores: Dennis Rodman, entre o fim dos anos 1980 e 1990, e Ben Wallace, na década de 2000.

Bicampeão com os Pistons no time que ficou conhecido como os "Bad Boys", Rodman registrou números impressionantes. Nas temporadas 1991/1992 e 1992/1993, pegou 18,7 e 18,3 rebotes por jogo, respectivamente. Também conquistou duas vezes o prêmio de melhor jogador defensivo da liga.

Em 2011, Dennis Rodman teve sua camisa 10 aposentada pela equipe. Com passagens por San Antonio Spurs e Chicago Bulls, onde fez parte do vitorioso time de Michael Jordan, liderou a média de rebotes da NBA por sete temporadas consecutivas, até hoje um recorde.

Nos anos 2000, foi a vez de Ben Wallace assumir o posto de muralha defensiva dos Pistons. Entre 2000 e 2005, em sua primeira passagem pela franquia, o pivô nunca ficou abaixo dos 11 rebotes por jogo. Liderou o fundamento na liga em duas temporadas: 2001/2002 e 2002/2003 -nesta, atingiu sua melhor marca na carreira, com 15,4 rebotes por jogo.

Campeão da NBA em 2004, Ben Wallace conquistou quatro vezes o prêmio de melhor jogador defensivo, todas elas atuando por Detroit (recorde da liga ao lado de Dikembe Mutombo).

Assim como Rodman, Wallace teve sua camisa, a número 3, aposentada pela franquia em 2016.

O que torna os feitos dos dois pivôs ainda mais relevantes na história da NBA é o fato de que ambos eram considerados baixos para a posição. Dennis Rodman tem 2,01 m e Ben Wallace, ainda menor, tem 2,00 m.

Nesse aspecto, Andre Drummond leva ligeira vantagem sobre seus antecessores no garrafão: tem 2,08 m.

Sua principal diferença para Rodman e Wallace, porém, é que ele consegue ser mais dominante que os dois no jogo ofensivo. Desde 2012, quando estreou na liga, sua média de pontos não para de subir.

Na atual temporada, forçado pelas lesões de Blake Griffin e Derrick Rose, principais nomes da equipe, Drummond foi obrigado a pontuar mais. Nos primeiros nove jogos, chegou a estabelecer marca superior a 20 pontos por jogo.

Com a volta dos companheiros, diminuiu um pouco a produção no ataque, mas com o melhor número da carreira até aqui: 17,6. Melhora também creditada à chegada do técnico Dwane Casey a Detroit.

"Isso [pontuar] foi o que eu realmente trabalhei no verão (pré-temporada), aprendendo quais são meus espaços, as brechas, para quando atacar poder me colocar em boa posição de marcar pontos ou achar companheiros abertos para arremessar", analisa o pivô. 

Mesmo em um time irregular (6 vitórias e 12 derrotas na temporada) e que não ganha um jogo de playoff há mais de uma década (seu último triunfo nas fases finais foi em 2008), Andre Drummond se apega firmemente às suas próprias qualidades e vai se estabelecendo como um dos melhores pivôs da NBA.

"[Rebotes] São o meu nicho. Quando vim para a NBA, meu técnico do colegial disse para eu encontrar algo que me ajudasse a ficar na liga. E pegar rebotes ficou fácil para mim", afirma o melhor reboteiro da liga, cada vez mais presente no radar dos grandes de sua posição.

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