Refugiado voltará à África para defender seu país na Copa das Nações

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Seis anos depois de deixar seu país para emigrar para a Europa como refugiado, o volante Ebrima Darboe voltará à África, por um curto período, para defender a Gâmbia, sua nação, na Copa das Nações Africanas.

De acordo com o site Infomigrants, Darboe decidiu, aos 14 anos, se separar da mãe, de um irmão e de duas irmãs para buscar melhores condições de vida.

Eles viviam em Serekunda, a maior cidade do pequeno país da África ocidental, cuja capital é Banjul.

Órfão de pai, o então adolescente Darboe teve uma dura jornada, que durou seis meses, até o desembarque na Itália.

Encarou uma longa viagem, de mais de 3.600 km, em um ônibus superlotado, até a Líbia, país banhado pelo mar Mediterrâneo e de onde embarcações com migrantes, geralmente em condições precárias, partem rumo à Europa.

Na Líbia, conforme relato do Infomigrants, ele foi levado por traficantes de pessoas a um acampamento, passando por abusos físicos e psicológicos antes de conseguir lugar em um barco, junto com outras pessoas que fugiam da fome e da guerra no continente africano.

Ao chegar à ilha da Sicília, o rapaz de 1,80 m pesava somente 50 quilos. Ficou sob os cuidados de um centro de proteção para refugiados até passar a morar com uma família no Lácio, perto da capital, Roma.

Com uma vida mais estável, voltou a jogar futebol –já era praticante na Gâmbia– e chamou a atenção de um olheiro da Roma em um torneio de times da região.

Passou a treinar com a Roma, nas categorias de case, e desde 2019 integra a equipe principal, hoje dirigida pelo português José Mourinho.

Darboe é hoje um exemplo, ainda raro, de migrante refugiado que tem um futuro promissor pela frente.

Da situação precária, de fome e pobreza, na Gâmbia (uma ex-colônia britânica), ele tem uma vida estável, em um respeitado clube europeu, um dos mais importantes da Itália.

A Roma deu-lhe oportunidade inclusive de atuar em torneios internacionais, como Liga Europa e Liga Conferência, e paga-lhe um salário de R$ 27 mil –a maior parte ele envia para a família.

"Quatro ou cinco anos atrás eu estava na África, vendo os jogadores pela TV, e agora pude jogar contra alguns deles", afirmou depois da vitória por 3 a 2 sobre o Manchester United em maio. "É empolgante."

Pela seleção da Gâmbia, Darboe, hoje com 70 quilos, atuou seis vezes. Deve ser titular do time na Copa das Nações Africanas, na qual seu país será debutante.

A competição com 24 seleções, sediada pelos Camarões, se não for afetada pela pandemia de Covid –falava-se na possibilidade de cancelamento –, começará no dia 9 de janeiro e terminará no dia 6 de fevereiro.

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