Reforços de Ceni colocam analistas do São Paulo em evidência

Marcio Porto

Nem Éverton Ribeiro, tampouco Valdivia. As últimas quatro contratações do São Paulo se distanciam do perfil da dupla de meias discutida no clube nos últimos dias e têm algo em comum: a participação efetiva do departamento de análise de desempenho do clube na estreita parceria com o técnico Rogério Ceni.

Edimar, Thomaz, Marcinho e Morato. Todos escolhidos após muita análise de vídeo, características, situação de jogo, encaixe no time em que jogavam, formas de serem aproveitados no elenco atual do Tricolor. São contratações dentro das normas dos chamados departamentos de scouts, já consagrados na Europa e ainda engatinhando aqui no Brasil.

Atualmente, o departamento de análise de desempenho do São Paulo conta com dois analistas, mais um cinegrafista e editor de imagem. Os analistas são Luis Felipe Batista e Raony Thadeu, contratados do Cifut (Centro de Inteligência do Futebol), o departamento do Corinthians. Os dois profissionais passam muito tempo com Rogério Ceni, que os elogia com frequência. Juntos, se debruçam sobre as informações de jogadores que podem reforçar o elenco, que entra agora na reta final do Campeonato Paulista e em fase avançada da Copa do Brasil.

É claro que, mesmo com um modus operandi definido, cada contratação tem suas particularidades. Edimar, por exemplo, foi visto como uma boa opção por não estar sendo utilizado no Cruzeiro, portanto poderia chegar de imediato, e por ter características que a comissão técnica julgou necessárias no elenco atual: poder de marcação, já que o titular Júnior Tavares é mais ofensivo. Veio por empréstimo até o fim do ano, sem custos de transação, apenas o pagamento do salário. Edimar, no entanto, levou azar. Antes de estrear, teve uma lesão no músculo reto femoral da coxa esquerda e não tem prazo de retorno.

Os atacantes Marcinho e Morato também vieram por empréstimo até o fim do ano, com possibilidade de aquisição em definitivo ao término. Os dois chamaram a atenção de Ceni depois de se destacarem contra o próprio São Paulo. Oficializado nesta segunda-feira, o primeiro veio do São Bernardo, enquanto o segundo, que será anunciado nesta terça, chegou do Ituano. Atuam pelos lados, com velocidade, posições para as quais Ceni gostaria de mais opções. No momento, Luiz Araújo, Wellington Nem e Neilton atuam dessa forma. O primeiro começou o ano voando, mas caiu nos últimos jogos. Contratados este ano, os outros dois ainda não vingaram e estão emprestados até o fim do ano.

Já o meia Thomaz, de 30 anos, foi um caso à parte. Ele chamou a atenção com boas atuações nas partidas do Jorge Wilstermann (BOL) contra Peñarol (URU) e Palmeiras, pela Libertadores. Depois disso, com aval de Ceni, os analistas entraram em ação. No entanto, eles tiveram dificuldades para encontrar informações do jogador no modesto campeonato boliviano. O esforço foi grande para encontrar vídeos e números que pudessem comprovar as impressões passadas pelas imagens. Aprovado depois de estudo minucioso com Ceni, assinou contrato de três anos. Ele começou na parte social do clube, e fez seu primeiro gol no último sábado, na goleada de 5 a 0 sobre o Linense.

Essas contratações colocam ainda mais em evidência o departamento de análise de desempenho, pensado e criado no fim de 2015 pelo ex-diretor Gustavo Vieira de Oliveira, demitido ano passado após críticas. Foi nesses moldes que o dirigente chegou à contratação do meia peruano Cueva, hoje o principal destaque do time. Ele estava no Toluca (MEX), foi bem contra o Tricolor na Libertadores e passou pelo pente fino dos analistas. Foi contratado por quatro anos por R$ 9,8 milhões, valor considerado muito baixo. Só para ter uma ideia, Cueva renovou contrato recentemente até 2021 com multa rescisória acima de 30 milhões de euros.

- Temos alguns jogadores mais experiência, e estamos tentando trazer jogadores jovens. Eu, na minha filosofia, apaixonado por esse clube que sempre fui, acho que temos de fazer contratações pontuais e caras, como foi o Pratto, mas ao redor de jogadores especiais como esses, temos de dar oportunidades para jovens que se destacam no clube, e outros que se destacam nos campeonatos estaduais, fazendo bons negócios. O mercado no Brasil, a maioria não pode fazer grandes contratações, temos de formar jogadores aqui. E obviamente não perdendo a competitividade. Acho que esse é o maior predicado do São Paulo até agora - analisou Ceni.













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