Salles contraria Onyx e diz que ajuda financeira do G-7 à Amazônia é bem-vinda

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Ministro afirmou que aceitará a ajuda financeira oferecida pelo G-7 ao Brasil. (Foto: Reprodução/TV Cultura)
Ministro afirmou que aceitará a ajuda financeira oferecida pelo G-7 ao Brasil. (Foto: Reprodução/TV Cultura)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • G-7 ofereceu cerca de 20 milhões de dólares para ajudar a combater queimadas na Amazônia

  • Salles disse que o Brasil aceitará esse recurso, contrariando a fala de Onyx Lorenzoni

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Ao contrário do que declarou nesta segunda-feira (26) o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, os recursos financeiros de cerca de R$ 90 milhões oferecidos pelos países do G-7 para combater as queimadas na Amazônia deverão ser aceitos pelo Ministério do Meio Ambiente.

A declaração, na contramão do Planalto, foi feita no fim da noite desta segunda, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Na entrevista, Salles afirmou que "não é verdade que o Brasil não quer o dinheiro" e apontou que o governo tem tomado medidas para conter o fogo independentemente da ajuda estrangeira, citando, por exemplo, o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permite que forças armadas possam agir com poder de polícia.

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“Os US$ 20 milhões viriam através de equipamentos como aviões. O que me parece uma ajuda importante. O Onix é o ministro da Casa Civil. Ele tem papel político. Eu sou ministro do meio ambiente. Tenho outra visão. Acho que é preciso agregar o máximo de equipamentos possíveis para que a gente resolva isso”, completou Salles.

Mais cedo, Onyx afirmou que o governo rejeitará a ajuda do G-7 para combater as queimadas na Amazônia que foi anunciada por Emmanuel Macron, presidente francês.

"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa. O Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio em uma igreja que é um patrimônio da humanidade e quer ensinar o quê para nosso país? Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colônias francesas", disse o ministro ao blog do jornalista Gerson Camarotti no portal G1.

TOM AGRESSIVO

A declaração forte de Lorenzoni seguem o tom das falas do presidente brasileiro nos últimos dias. Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron tem trocado farpas publicamente desde a semana passada.

O dinheiro proveniente dos líderes do G-7 seria destinada, em sua maior parte, ao envio de aviões de combate a incêndio. O grupo também ofereceu uma assistência de médio prazo para o reflorestamento a ser apresentada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para o fim de setembro. Para receber essa ajuda, o Brasil precisaria aceitar em trabalhar com ONGs e com a população local, de acordo com o governo francês.

"O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objetivo do francês Macron. Aliás, coincidentemente com altas taxas internas de rejeição", disparou o ministro da Casa Civil.

Mesmo diante das inúmeras críticas internacionais que a política ambiental do governo Bolsonaro vem recebendo, Onxy exaltou capacidade do país ao afirmar que o Brasil pode ensinar “a qualquer nação” como proteger matas nativas. Por fim, ainda lembrou que “não existe nenhum país que tenha uma cobertura nativa maior”.

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