Recordações, sofrimento e gratidão ao Vasco: Werley relembra vítima da tragédia no Ninho

Luiza Sá
LANCE!
Pablo Henrique foi um dos jovens vitimados na tragédia do Ninho do Urubu (Arquivo Pessoal)
Pablo Henrique foi um dos jovens vitimados na tragédia do Ninho do Urubu (Arquivo Pessoal)


O dia 8 de fevereiro de 2019 ficará marcado para sempre como um dos mais tristes do futebol. O incêndio no Ninho do Urubu, que vitimou 10 jovens das categorias de base do Flamengo, foi sentido por todos, mas principalmente pelas famílias dos jogadores envolvidos. Um deles é o zagueiro Werley, do Vasco, primo de Pablo Henrique, um dos falecidos. Hoje, além do anseio por uma resolução nas negociações, o que fica são as boas lembranças dos 14 anos de convivência com o garoto.

- A melhor lembrança que tenho dele foram as vezes que conversamos sobre futebol. Ele sempre sonhou em jogar. Teve a oportunidade de entrar também no clube que tem categorias de base. Em casa, jogando videogame, uno, conversando, são lembranças que vão ficar guardadas. Ele era uma pessoa muito boa. Todo momento que pude conviver com ele, aprendi bastante. É um menino que vai ficar sempre guardado - disse Werley, emocionado, ao LANCE!.

Na época, Werley foi até o IML para auxiliar na liberação do corpo de Pablo. O jovem morou por um tempo com o zagueiro, que era seu responsável no Rio de Janeiro. A família dele é uma das que ainda busca um acordo com o Flamengo um ano após a tragédia. Na última sexta-feira, Wedson Cândido, pai de Pablo Henrique, foi enfático ao criticar o clube rubro-negro pelo tratamento com os familiares. O jogador vascaíno preferiu não se alongar, mas foi enfático ao dizer que “não existe relação” entre eles e o Fla. Depois, pediu que tudo se resolva o quanto antes.

- O que fica é que temos que valorizar ainda mais nossa vida, viver todos os dias como se fosse o último. Não sabemos se amanhã estaremos vivos. Era um menino cheio de saúde, novo, correndo atrás do sonho. Foi interrompido pela tragédia, que ficou marcado para todos. Não é fácil falar, mas as coisas deixo para os meus tios resolverem com os advogados. Espero que se resolva o mais rápido possível, porque só traz sofrimento para todos, para a família. Tenho certeza que daqui a pouco tudo vai se resolver e ficaremos apenas com as boas lembranças - pediu.

Além do apoio familiar e dos amigos, Werley recebeu também suporte do Vasco. Na época, ele foi liberado pelo clube para cuidar da liberação e da ida do corpo de Pablo para Minas Gerais, cidade natal dos dois. Mesmo de luto, o zagueiro fez questão de, seis dias depois, entrar em campo na vitória do Vasco por 3 a 0 sobre o Resende na semifinal da Taça Guanabara. Ele relembrou o apoio do Cruz-Maltino e mostrou gratidão.

- No dia o Vasco, através do André (Souza, gerente de futebol), se colocou à disposição. É uma pessoa que serei grato o resto da minha vida, por tudo que fez por mim e pela família naquele dia. Ele chegou na minha casa 11h30 e depois saímos para resolver tudo, foi um cara que esteve comigo no IML, um lugar muito pesado, não desejo nem para o meu pior inimigo, a pior coisa é estar com um ente querido ali. E o André estava do meu lado. Ele, representante do Vasco. O presidente me ligou, na época o Alberto Valentim esteve na minha casa. Acho que todos os funcionários que trabalharam aqui me deram apoio. A torcida também. Mas o André eu tenho que ser grato pro resto da vida. Agora é seguir - finalizou.

Na última sexta, durante a CPI dos incêndios, responsável pela investigação dos grandes incêndios que atingiram o Estado nos últimos meses, Majuri Maciel, advogada da família de Pablo Henrique, deu o lado da família sobre a relação com o Flamengo.

- Em momento algum fomos entraves para acordo. O Flamengo tem o telefone e está liberado para fazer contato direto com elas. Jamais houve nenhum entrave pois não houve contato. Estamos solidários à dor - afirmou.















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