Recifense em Macau: atacante Danilo Lins vive bom relacionamento com os gols e dispensa retornar para o Brasil

Futebol Nordestino
(Danilo, à esquerda, ao lado de Diego, responsável pelo convite para atuar em Macau - Foto: Arquivo Pessoal)
(Danilo, à esquerda, ao lado de Diego, responsável pelo convite para atuar em Macau - Foto: Arquivo Pessoal)

Por Eryck Gomes (@EryckWaydson)

O momento poderia ser melhor. Por conta do rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Danilo Lins, 33 anos, foi forçado a encerrar a temporada sete rodadas antes do fim da Liga de Macau. O seu clube, o CPK, foi campeão. Recuperando-se da cirurgia no Brasil, o pernambucano de Recife conversou com a reportagem do Yahoo! Esportes e revelou não querer voltar para o país onde nasceu nem tão cedo: “Quero ficar lá por um bom tempo”.

Macau é uma região administrativa especial da China, e tem autonomia com relação a Pequim. A liga de futebol local é modesta, conta com apenas 10 clubes. A oportunidade de transferência para Danilo surgiu há cerca de quatro anos, mas foi prontamente negada pelo atacante.

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- Queria ficar por aqui (Brasil) para arriscar um clube de Série A, quem sabe jogar um Campeonato Brasileiro. Mas aí foi passando o tempo e vi que já estava com 31 anos, começando a rodar por times menores, de interior. Deu uma desanimada para caramba porque é time que não paga, você joga um semestre e no outro fica parado. Falei: “Vou parar de jogar”.

Foi aí que surgiu Diego Patriota, também recifense, jogador do mesmo clube e amigo pessoal de Danilo, responsável pelo primeiro convite de anos atrás. “E aí, mudou de ideia?”, perguntou. Novamente, a porta em Macau se abria.

- Conversei com a minha esposa para mudar o planejamento, pensando na nossa segurança. Lá seria o ano todo, tem calendário, sem perigo de ficar sem receber, essas coisas. Eu fui e fiquei seis meses sozinho, para conhecer como era, se dava para levar a família e deixar tudo bem estruturado. Depois disso, decidimos ir todo mundo. Minha filha se adaptou muito bem. Estamos felizes lá.

Danilo nasceu na Comunidade Dom Helder Câmara, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. É torcedor do Náutico e foi pelo clube do coração que se profissionalizou, em 2006. Desde então, já rodou bastante, inclusive com passagens por Argentina e Bahrein. Contando com o seu atual time, são 21 clubes no currículo.

(Pelo Náutico, Danilo chegou a atuar ao lado de Kuki, ídolo alvirrubro /Foto: Divulgação)
(Pelo Náutico, Danilo chegou a atuar ao lado de Kuki, ídolo alvirrubro /Foto: Divulgação)

Chegou ao CPK em janeiro de 2018. Logo na primeira temporada, marcou 37 gols na Liga, ficando apenas um atrás do artilheiro da competição, o também brasileiro William Gomes. E vale destacar a presença de tantos conterrâneos (são cinco no Chao Pak Kei) na região: Macau é uma antiga colônia portuguesa.

O futebol na região ainda está em fase de profissionalização e não há salários astronômicos como na China Super League. Todavia, a possibilidade de calendário por 12 meses e rendimentos pagos religiosamente em dia deram o empurrão que Danilo precisava para tomar uma decisão.

- Os caras não pagam muito, mas em relação ao Brasil, em nível de Série C e Série D, lá é mais vantajoso. A gente recebe mais e tem o ano todo de calendário, sem problemas de atrasos. Por ser só meio período de treino, o clube nos libera para fazer outra atividade. Lá tem uma escolinha onde todos os estrangeiros trabalham, dando aula. Isso foi outra coisa muito boa para mim.

Pois é. No CPK, os estrangeiros também são remunerados pela função de treinador na escolinha do clube, isso só até o Sub-14. A partir disso, um chinês se responsabiliza Danilo dá suporte para a categoria de 5 e 6 anos. Um, a de 3 e 4; outro, 7 e 8; outro, 9 a 13.

Na logística para disputa da Liga, dois estádios são utilizados. Vale lembrar que a região é pequena, somente 115,3 km². Para se ter uma ideia, o território de Recife é de 218 km².

- Não teria como ter 10 CT’s, 10 estádios. Eles têm dois estádios onde os jogos são realizados. Na questão de treino, o nosso time tem uma parceria com uma Universidade e a gente treina no campo deles. Os campos são bons, é organizado.

Aproveitando a vinda ao Brasil, Danilo cursou em Fortaleza a Licença B da CBF para treinadores, já pensando no futuro. Viu os pais, visitou amigos e assistiu Náutico e Campinense nos Aflitos, pela Copa do Nordeste. O período tem sido valorizado pela possibilidade de matar a saudade, mas nada que o faça querer retornar agora.

- Não tenho vontade de voltar. Quero ficar lá por um bom tempo, até pelo nível de educação para a minha filha. Ela já estuda numa escola onde aprende português, inglês e mandarim. Absorveu bem mais coisa que eu e minha esposa. É uma riqueza que posso dar para ela. É muito diferente do Brasil, a qualidade de vida é outra. Não se vê assaltos, crimes. Toda esquina tem um parque, é uma cidade muito turística. É um clima parecido com Recife, mas em dezembro começa a esfriar. Como foi uma colônia portuguesa, tem placas no idioma em quase todos os lugares. Eu pretendo jogar mais alguns anos. Na minha cabeça, mais uns quatro. Depois pretendo ficar lá mais algum tempo. Mas às vezes aquilo que a gente planeja não é o que acontece. Mas por planejamento, não pretendo voltar ao Brasil nem tão cedo.

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