‘Rebelde’, Sorín relembra divertida história com Felipão no Cruzeiro

Não era somente nos campos que Juan Pablo Sorín mostrava ser um jogador diferente. O lateral, que muitas vezes confundia marcações adversárias ao aparecer como um verdadeiro camisa 9 para finalizar as jogadas de ataque, é um grande fã de literatura, cinema e artes em geral.

A curiosidade em sair do lugar comum da maioria dos boleiros fez com que a sua noção de liderança gritasse para todos verem. Não à toa, o vitorioso jogador de Argentino Juniors, Juventus, River Plate, Cruzeiro, Lazio, Barcelona e Hamburgo teve a honra de ser capitão da Seleção Argentina. Com a faixa ao braço, disputou a Copa do Mundo de 2006.

“Eu aprendi muito com Hernán Díaz, Leo Astrada e Berti”, disse em entrevista exclusiva, ao relembrar dos líderes que mais o influenciaram no futebol. “Estamos falando de linguagens mais antigas em relação ao que temos hoje. O Enzo Francescoli também foi um, a sua maneira, ou o Mono Burgos, que sempre fazia um grupo melhor. Isso afastava os conflitos”.

Juan Pablo Sorin Argentina Italy friendly 2001

(Foto: Getty Images)

“Na seleção, acho que isso se mistura muito com a admiração. Quando você está com os melhores, vê como eles se comportam perante algumas situações e já passa a os admirar. Às vezes nem mesmo com palavras, e sim com as atitudes. Batistuta, El Cholo (Simeone) e ‘Ratón’ Ayala eram incríveis”.

Sorín Cruzeiro

(Foto: Getty Images)

Cabeleira ainda longa e barba quase tão grande quanto, Sorín nunca deixou de lado o perfil contestador e rebelde. Era assim desde quando calçava as chuteiras para entrar em campo: “Eu acredito muito na vanguarda. As regras estabelecidas estão boas, mas não podem ser as únicas. Sempre há um caminho alternativo para criar algo melhor”, avaliou. Um perfil que combina com um dos maiores pupilos do técnico Marcelo ‘El Loco’ Bielsa, com quem Sorín tem orgulho de ter trabalhado. Mas o argentino também guarda uma história curiosa de quando era treinado por Luiz Felipe Scolari, no Cruzeiro.

“Felipão queria que eu driblasse, porque no Brasil todos os laterais driblam. Só que eu não sei driblar, e de tão cabeça-dura o meu primeiro gol pelo Cruzeiro foi driblando e batendo cruzado. Enquanto eu comemorava, pensava: “Esse cara está me fazendo tentar algo que talvez eu possa fazer melhor do que acho”.