Rebeca e Nory levam país a melhor campanha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil conquistou três medalhas no Campeonato Mundial de Ginástica Artística deste ano, disputado em Liverpool, na Inglaterra, uma a mais que a marca anterior. Ginastas brasileiros subiram ao pódio duas vezes em Kitakyushu, no Japão (2021), Nanning, na China (2014), Tóquio (2011) e Stuttgart, na Alemanha (2007).

Na tarde deste domingo (6), Rebeca Andrade venceu o bronze no solo feminino, na despedida de "Baile de Favela" em suas séries, mesma medalha alcançada por Arthur Nory na final da barra fixa.

Rebeca chegou ao terceiro lugar na competição do aparelho depois de a comissão técnica dos EUA entrar com um pedido de revisão da nota recebida por Jade Carey. Em vez de aumentar a pontuação da americana, os jurados a diminuíram em um décimo.

A comissão brasileira também entrou com um recurso, pedindo o aumento da nota do grau de dificuldade de Rebeca, mas o questionamento não foi acatado.

Carey, que estava à frente de Rebeca, terminou a prova empatada com a brasileira em 13,733. As ginastas subiram juntas ao pódio para receber a medalha de bronze.

"É o que a gente sempre fala: quando você pede recurso, você tem que ter muita certeza do que o seu atleta fez. Eu também pedi recurso e não validaram. No dela, acabou baixando a nota, mas também me botou no pódio, então não vou reclamar", afirmou Rebeca, brincando, em entrevista à SporTV logo depois da prova. "Qualquer medalha é bonita, e eu estou feliz demais."

A britânica Jessica Gadirova levou o ouro do solo feminino, e Jordan Chiles, dos EUA, ficou com a medalha de prata.

Na transmissão da série de Rebeca, outra canção foi ouvida, sobreposta à "Baile de Favela". A ginasta, no entanto, disse não ter notado nada de errado. "Não ouvi. Acho que a minha música já está gravada na minha mente. Foi bem tranquilo, não me atrapalhou."

Flavia Saraiva, que sofreu uma lesão no tornozelo direito no último domingo, não conseguiu se recuperar das dores e não pôde participar da final.

"Eu já falei para ela que a gente está sujeita a lesões e a machucados, e faz parte. A gente vê o tanto que ela lutou, e é algo que orgulha e inspira a gente", disse Rebeca depois da decisão.

A participação do Brasil no Mundial foi encerrada com o bronze de Arthur Nory na barra fixa. O ginasta, campeão mundial no aparelho em 2019, apresentou uma série bem-executada e voltou ao pódio depois de três anos de dificuldades em competições de grande porte. O ouro ficou com o americano Brody Malone, e o japonês Daiki Hashimoto levou a medalha de prata.

"Para mim, teve um significado muito grande. O ano passado foi muito difícil. Minha mãe passou por alguns problemas. Eu tentei buscar a medalha no ano passado, mas estava um ano muito turbulento. Aí eu fui muito, neste ano, buscar a medalha para levar para ela", disse Nory em entrevista depois da competição.

Com os bronzes deste domingo (6), a campanha brasileira ficará marcada pela vitória histórica de Rebeca de Andrade na decisão do individual geral na última quinta-feira (3). A ginasta se tornou a primeira pessoa do país a conquistar a medalha de ouro nessa disputa, também ao som de "Baile de Favela".

Na ocasião, Rebeca disse que a vitória era "para mostrar do que o preto é capaz". "Eu me sinto muito orgulhosa de levar essa música para o mundo todo, feliz que ela buscou o ouro. Acho muito, muito legal que as pessoas tenham realmente gostado da música, da coreografia. Você vê como o público se levanta."

Com os dois pódios em Liverpool, Rebeca soma quatro medalhas em campeonatos mundiais, mesmo número de Arthur Zanetti. O brasileiro com mais pódios é Diego Hypólito, vencedor de cinco medalhas.

Depois de quatro anos competindo com a coreografia de "Baile de Favela", limite imposto pelo regulamento, Rebeca deverá usar outra trilha sonora em suas próximas provas.

Mais cedo, em sua primeira final de aparelhos do dia, Rebeca se desequilibrou na trave, foi ao chão e não chegou ao pódio. A canadense Ellie Black levou o ouro, em uma prova marcada por falhas de outras competidoras em razão da dificuldade do aparelho.

No sábado (5), a ginasta brasileira sofreu um problema parecido. Um erro a obrigou a descer das barras assimétricas e recomeçar sua série, o que lhe custou uma pontuação competitiva para uma medalha.

Na final do salto masculino, o brasileiro Caio Souza ficou na quinta posição. A medalha de ouro foi para o armeno Artur Davtyan, primeira vitória do país nesse aparelho.