Rebeca Andrade e Isaquias Queiroz ganham prêmio de atleta do ano do COB

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.11.2021 - BRASIL-OLÍMPICO - A ginasta Rebeca Andrade nos bastidores do Grande Prêmio São Paulo de F-1. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.11.2021 - BRASIL-OLÍMPICO - A ginasta Rebeca Andrade nos bastidores do Grande Prêmio São Paulo de F-1. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)

ARACAJU, SE (FOLHAPRESS) - A ginasta Rebeca Andrade, 22, e o canoísta Isaquias Queiroz, 27, venceram o Prêmio Brasil Olímpico, que é organizado pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) e aponta os melhores atletas brasileiros do ano.

A paulista Rebeca superou a maratonista aquática Ana Marcela Cunha e a skatista Rayssa Leal na escolha feminina. E o baiano Isaquias levou a melhor sobre o surfista Italo Ferreira e o pugilista Hebert Conceição entre os homens.

Distribuído desde 1999, o evento teve pela primeira vez maioria de atletas nordestinos indicados ao prêmio, cinco de seis concorrentes. Nas Olimpíadas de Tóquio, a região também teve protagonismo inédito, conquistando quatro medalhas de ouro.

Agora, atletas pedem maior investimento no esporte do Nordeste, para que os esportistas não tenham que se mudar para outras cidades, como muitos precisam fazer para poder alcançar seu melhor desempenho.

"Pô, eu não recebi nenhuma carta do Governo da Bahia [após o ouro em Tóquio] nem nada. Isso para mim foi bem triste", afirmou Isaquias Queiroz, vencedor na canoa individual C 1.000.

Ele lembrou que teve que sair de casa aos 15 anos para poder melhorar seu rendimento e que o processo deixa para trás diversas promessas do esporte local que não têm condição de trilhar esse caminho.

"Eu percebi que, por mais que a gente tenha tido resultado, parece que não foi tão valorizado. Pela população, sim, a gente foi bem parabenizado, teve bastante carinho. Para mim, beleza, já tenho minha vida feita, mas quero ver um atleta mais novo, tendo que sair da Bahia com 15 anos, como eu tive, e passar a vida toda fora de seu estado para treinar...", completou.

"Espero que tenha incentivado os governantes da nossa região a olhar com carinho para a gente, para o esporte, e proporcionar uma estrutura adequada para que a gente não precise só nascer no Nordeste, ser criado até a adolescência e se mudar na fase adulta para outros locais", afirmou o boxeador Hebert Conceição, natural de Salvador, na Bahia.

Isaquias concorreu ao prêmio outras cinco vezes e chegou à quarta vitória (venceu também em 2015, 2016 e 2018).

Ele deu as suas primeiras remadas na cidade onde nasceu, Ubaitaba, no interior da Bahia, lugar que ainda é um polo formador de atletas da modalidade.

Após três medalhas na Rio-2016 (duas pratas e um bronze), em Tóquio ele conquistou sua primeira de ouro em Olimpíadas. Atualmente, é atleta do Flamengo e treina em Lagoa Santa (MG).

Rebeca Andrade é paulista de de Guarulhos. Em Tóquio, tornou-se a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha olímpica. E foram logo duas: ouro no salto e prata no individual geral.

Em 2021, ela também foi campeã mundial no salto e nas barras assimétricas. No Campeonato Brasileiro deste ano, foi ouro no individual geral.

Também pela primeira vez, a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico foi realizada no Nordeste. Ocorreu em Aracaju, Sergipe, e reuniu diversas personalidades do esporte brasileiro.

Tanto os indicados quanto o vencedor foram escolhidos por um colégio eleitoral de 230 pessoas, formado por jornalistas, dirigentes, atletas, ex-atletas, patrocinadores e outras figuras relacionadas ao esporte.

O evento também acrescentou quatro atletas para o hall da fama do esporte brasileiro: a jogadora de basquete Magic Paula, 59, prata nos Jogos de Atlanta-1996; Adhemar Ferreira da Silva, morto em 2001 aos 73 anos, bicampeão olímpico no salto triplo (1952 e 1956); Aída dos Santos, 84, única brasileira a disputar as Olimpíadas de Tóquio em 1964, no salto em altura; o jogador de basquete Wlamir Marques, 84, bronze em Roma-1960 e Tóquio-1964; o nadador Tetsuo Okamoto, morto em 2007 aos 75 anos, bronze nos 1.500 m livre em Helsinque-1952; , Walmir Marques e o canoísta Sebastián Cuattrin, 48, ouro no Pan do Rio de Janeiro-2007.

Houve ainda votação popular para o prêmio de atleta da torcida. A jogadora de vôlei Fernanda Garay, com 41,52% dos votos, foi a vencedora. O troféu Adhemar Ferreira da Silva, dado a ex-ateltas, ficou com a jogadora de basquete, Janeth Arcain.

Até aqui, a região que dominou o prêmio de atleta do ano foi o Sudeste. Os esportistas da região são 60% dos 138 indicados de 1999 até hoje, com mais da metade dos vencedores.

O Nordeste é a segunda região com mais concorrentes, pouco mais de 18%, logo à frente do Sul, com 16%. Dentre os premiados, a ordem se inverte: 10 sulistas e 7 nordestinos.

A única região que nunca teve um indicado é o Norte. Brasileiros nascidos no exterior, mas naturalizados, concorreram ao prêmio três vezes --o tenista argentino Fernando Meligeni ganhou, em 2003.

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Confira todos os vencedores do prêmio

1999: Maurren Maggi e Gustavo Keurten

2000: Leila Barros e Gustavo Keurten

2001: Daniele Hypólito e Robert Scheidt

2002: Daniele Hypólito e Nalbert Bitencourt

2003: Daiane Santos e Fernando Meligeni

2004: Daiane Santos e Vanderlei Cordeiro Lima

2005: Natalia Falavigna e João Derly

2006: Laís Souza e Giba

2007: Jade Barbosa e Thiago Pereira

2008: Maurren Maggi e Cesar Cielo

2009: Sarah Menezes e Cesar Cielo

2010: Fabiana Murer e Murilo Endres

2011: Fabiana Murer e Cesar Cielo

2012: Sheilla Castro e Arthur Zanetti

2013: Poliana Okimoto e Jorge Zarif

2014: Kahena Kunze/Martine Grael e Arthur Zanetti

2015: Ana Marcela Cunha e Isaquias Queiroz

2016: Rafaela Silva e Isaquias Queiroz

2017: Mayra Aguiar e Marcelo Melo

2018: Ana Marcela Cunha e Isaquias Queiroz

2019: Beatriz Ferreira e Arthur Nory

2020: Não houve prêmio em razão da pandemia

2021: Rebeca Andrade e Isaquias Queiroz

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