Rebeca é prata e conquista 1ª medalha do Brasil na ginástica feminina em Olimpíadas

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.06.2021 - Retrato da ginasta brasileira Rebeca Andrade, que participa dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.06.2021 - Retrato da ginasta brasileira Rebeca Andrade, que participa dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - O talento de Rebeca Andrade finalmente foi recompensado com um lugar entre os maiores nomes da ginástica artística. Dona de uma técnica inquestionável, mas continuamente atormentada por problemas físicos, a atleta de 22 anos mirou o palco das Olimpíadas de Tóquio para brilhar. Conseguiu, conquistando a medalha de prata na prova individual-geral, nesta quinta-feira (29).

É o primeiro pódio da ginástica feminina do Brasil, após quatro alcançados pelos homens, com Arthur Zanetti (duas vezes), Diego Hypólito e Arthur Nory nas duas últimas edições.

O individual-geral define quem é a ginasta mais completa da competição. As atletas se apresentam nos quatro aparelhos (solo, salto, trave e barras assimétricas) e têm as notas obtidas em cada um somadas.

Até agora, os maiores momentos da ginástica brasileira haviam sido de especialistas, como Zanetti, nas argolas, e a campeã mundial Daiane dos Santos, no solo.

O Brasil nunca teve uma ginasta tão técnica e versátil quanto Rebeca. A brasileira encantou a arena em Tóquio e certamente os telespectadores, devido ao veto de público nas competições, ao se apresentar na prova do solo ao som do hit "Baile de Favela".

Entre as melhores do mundo no salto e no solo, a paulista de Guarulhos tem como principais características seus movimentos limpos e alta capacidade de foco. Nos últimos meses, na avaliação de pessoas próximas, reforçou o último ingrediente que lhe faltava para brigar pelo pódio: a confiança de que era possível chegar lá.

Como Rebeca não competiu no Mundial de 2019, fazia tempo que não era possível comparar o seu nível com o de outras das principais atletas do mundo. Na classificatória em Tóquio, a brasileira deixou claro que estava na briga por medalha.

Conseguiu vaga para as finais do salto e do solo entre as primeiras colocadas e passou com a segunda melhor somatória para o individual-geral. A primeira? Simone Biles, grande nome das Olimpíadas de Tóquio e favorita a praticamente tudo o que tentasse no Japão.

As cartas se embaralharam quando a estrela americana anunciou que não disputaria o individual-geral, após também ter abandonado a competição por equipes no meio, para, segundo ela, preservar sua saúde mental.

A atitude tomou proporções enormes. Referência em performance, Biles também é muito admirada no meio da ginástica por liderar a defesa da integridade das atletas em meio a denúncias de assédio sexual e moral de treinadores, médicos e dirigentes.

Sua ausência na grande prova individual do programa olímpico inevitavelmente aumentou as chances de todas as postulantes a uma medalha.

A Rebeca cabia pensar no seu trabalho e repetir a boa execução da classificatória. Um desempenho quase inimaginável para quem precisou passar por três cirurgias de reconstituição do ligamento cruzado anterior do joelho direito e não tem alternativa a não ser continuar a forçá-lo.

A última operação foi antes do Mundial de 2019, que pôs em dúvida sua participação nos Jogos de Tóquio, quando eles ainda ocorreriam em 2020. O adiamento provocado pela pandemia da Covid-19 se mostrou benéfico para a atleta recuperar o ritmo de treinos e a confiança.

Seu técnico, Francisco Porah Neto, o Xico, viu uma Rebeca mais forte a cada pancada causada pelas lesões. Na terceira, porém, reconhece ele próprio ter ficado sem argumentos para que a atleta seguisse em busca do sonho da medalha.

"Eu caí, falei 'não aguento mais', não sei o que fazer para que ela volte a treinar. Se ela dissesse para mim que queria parar, eu não teria mais argumentos. Mas foi o contrário, eu tinha sumido e ela me ligou: 'Oi, Xico, todo mundo está falando que você tá mal, mas não vou parar não, pode me esperar no ginásio, vamos agendar a cirurgia'", contou o técnico antes das competições em Tóquio. "Aquilo foi um divisor de águas. Vi que essa menina realmente amadureceu, ela quer e merece."

Ele estava certo. Diferentemente da Rio-2016, quando passou com a terceira nota e terminou em 11º, Rebeca se manteve entre as melhores na hora da verdade e agora pode comemorar que entrará para a história da ginástica.

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