Realização da Eurocopa ainda cercada de incertezas, a cem dias do início

Coralie FEBVRE con Jérémy TALBOT en París
·3 minuto de leitura
Arquibancadas vazias no estádio Gaston Gerard, em Dijon, na França

Faltando cem dias para seu início, a Eurocopa está cercada de incertezas em relação a seu formato de competição, com jogos disputados em 12 países, e a presença de público.

Marcado para começar no dia 11 de junho, o evento que reúne seleções do continente e que deveria ter sido disputado no ano passado segue pressionado pela pandemia da covid-19.

A Uefa planejou este torneio com doze sedes, de Dublin a Baku, passando por Copenhague, Bilbao e São Petersburgo, entre outras cidades, com as semifinais e a final em Londres.

“O formato já anunciado era complexo. Tornou-se quase insustentável com a pandemia”, disse à AFP Loïc Ravenel, colaborador científico do Observatório de Futebol CIES de Neuchâtel (Suíça).

O adiamento do torneio para 2021, decidido em março do ano passado, sugeria que naquela época a pandemia poderia chegar ao fim ou ser controlada.

O otimismo foi maior quando as competições esportivas foram retomadas ao longo de 2020 e com a chegada progressiva das vacinas.

Mas, desde janeiro, a multiplicação das variantes do coronavírus semeia muitas dúvidas e as restrições de viagens na Europa voltam a afetar os calendários esportivos.

Oficialmente, a Uefa afirma que não há motivo para pânico, e por isso mantém o plano inicial.

A entidade transferiu apenas de março para o início de abril a definição das cidades-sede e os protocolos de saúde que serão adotados.

- Londres como opção -

Além das 'bolhas' para as equipes e a imprensa, quatro cenários são contemplados: “100% de ocupação dos estádios, de 50 a 100%, de 20 a 30% ou sem a presença de público”.

Só que a entidade que comanda o futebol europeu não controla a evolução da saúde, nem as políticas dos doze países anfitriões, que podem proibir a entrada no seu território a qualquer momento ou impor medidas de quarentena incompatíveis com o desenvolvimento normal da competição.

Markus Söder, ministro-presidente (chefe de governo) da Baviera, cuja capital Munique deve ser uma das sedes da competição, pediu no dia 20 de janeiro para "esperar para ver" como o torneio poderia ser realizado.

"Pessoalmente, acredito que a versão inicial, com uma competição espalhada por toda a Europa, tem poucas chances para ser realizada dessa forma, levando em conta as restrições de viagens", previu em janeiro Dominique Blanc, que preside a Federação Suíça de Futebol.

Para ele, "a primeira opção seria disputar a Eurocopa em um único país, na Rússia ou na Alemanha, por exemplo", ou ainda focar "em uma única grande cidade que tenha estádios suficientes para receber os seis grupos", que poderia ser Londres.

Embora o Reino Unido seja o país europeu com mais vítimas da covid-19, também é o que mais avançou com a vacinação e a alternativa britânica ganhou peso nos últimos dias.

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse em uma entrevista ao The Sun que a Inglaterra está pronta para receber "outros eventos", além dos sete agendados para este ano em Londres.

Budapeste e Bucareste foram recentemente um recurso de emergência para a realização de partidas da Liga dos Campeões que não puderam ser disputadas na Alemanha e na Espanha, enquanto Israel se ofereceu em meados de janeiro para sediar "algumas partidas da Eurocopa".

- Torcedores em segundo plano -

“Para alguns países esta é uma oportunidade de mostrar a sua gestão da saúde, não uma solução real”, relativiza Loïc Ravenel.

"Logisticamente, realizar o evento num só local parece inevitável, mas isso criaria dificuldades jurídicas e financeiras. Por isso, a Uefa corre o risco de manter o seu projeto até ao fim", afirma.

O especialista em saúde pública Daniel Koch, responsável pelo combate à covid-19 na Suíça e assessor da área de saúde da Eurocopa, garantiu à AFP que o formato com várias sedes é "uma oportunidade".

"Se nada puder ser realizado em um país, temo outros onze com os preparativos em andamento".

Mas, neste contexto, "um certo número" de torcedores que acompanham o evento "há vinte anos" cancelou os seus ingressos, explicou Ronan Evain, diretor-geral da rede Football Supporters Europe (FSE, entidade que reúne torcedores do continente).

jta-cfe/jed/smr/gf/dr/lca