Real Madrid usou o melhor do individualismo de Cristiano Ronaldo e do grupo contra o Atleti

Por Tauan Ambrosio 

Foi um passeio no Santiago Bernabéu. Tudo bem que o Real entrou em campo como favorito diante do Atlético de Madrid, afinal de contas jogou em casa e tem uma equipe tecnicamente melhor que a do rival da cidade. Só que poucos imaginavam tamanha superioridade, ainda mais levando em consideração o histórico recente do derby madrilenho na Champions League.

Embora o Atlético de Madrid tenha sido goleado por 4 a 1 na decisão de 2014, em Lisboa, os 90 minutos terminaram com empate em 1 a 1. Nas quartas de final da temporada seguinte, os Blancos avançaram com placar agregado de 1 a 0 e a finalíssima de 2016 terminou com outra igualdade por 1 a 1, em Milão, antes de a equipe de Zidane levar a melhor nos pênaltis.

Nesta terça-feira (02), o show de Cristiano Ronaldo deixou os merengues com um pé e meio para a finalíssima que será realizada em Cardiff, no País de Gales. E, acredite, o Atleti ainda teve sorte: o Real Madrid mostrou um volume de jogo para aplicar uma goleada histórica na equipe treinada por Diego Simeone, que nos últimos anos se notabilizou exatamente pela excelência na parte defensiva.

A superioridade do Real veio logo no início:  aos 6 minutos o gol começou a esquentar após lance de bate-rebate na área colchonera. Pouco depois, aos 10’, Cristiano Ronaldo subiu na entrada da pequena área para, de cabeça, abrir o placar. Embora a posição defensiva do visitante fosse boa, ficou a impressão de uma grande falta de atenção. Ou de energia mesmo. O zagueiro Savic havia afastado o perigo, mas quando a bola chegou nos pés de Casemiro, o montenegrino demorou poucos segundos para voltar a colar no português... e CR7 não é atacante de perder gols.

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(Foto: Getty Images)

Isso porque o craque luso vem, ao longo dos últimos anos, mostrando ser um finalizador cada vez mais letal dentro da área. A numeração fixa pode ter confundido algum desavisado, mas Cristiano fez efetivamente o papel de centroavante enquanto Karim Benzema, que tem o 9 em suas costas, rodava mais no terço final do campo de ataque (vulgo intermediária). O francês quase fez um golaço de bicicleta na metade do primeiro tempo, em uma das inúmeras chances criadas pela equipe de Zidane.

Nos primeiros 45 minutos, o Real Madrid foi superior em todos os sentidos: arriscou mais a gol (12 a 1), acertou mais os arremates (5 a 0), cometeu menos faltas (2 a 5), ganhou mais divididas (37 a 23), teve mais precisão no passe e maior posse de bola (88,7% e 66,5%, respectivamente). A impressão era de que o Atleti não havia entrado em campo, mas também podemos dizer que os merengues não permitiram: o meio-campo estava absolutamente protegido por camisas brancas que pareciam se multiplicar.

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Isco foi excelente atrás de Benzema e CR7 (Foto: Getty Images)

Kroos, Modric e Casemiro davam tanto proteção quanto dinâmica e ritmo. Já o toque diferente na engrenagem vinha dos pés de Isco. Jogando centralizado no meio, no 4-4-2 losango [um 4-3-1-2], o espanhol não errou nenhum dos seus 42 passes no primeiro tempo: 100% de aproveitamento, sendo 31 destes toques dados no campo de ataque. Na segunda etapa, Simeone colocou Fernando Torres e Nico Gaitán nos respectivos lugares de Gameiro e Saúl. O objetivo era dar profundidade com o centroavante e aumentar a troca de passes, já que a melhor chance dos visitantes havia sido em rápidos toques no primeiro tempo [só não foi gol graças à excelente saída do goleiro Keylor Navas, nos pés de Gameiro].

O Atlético de Madrid queria marcar o seu gol, mas como Cristiano Ronaldo observou após o apito final, o Real acertava 100% tudo o que fazia. Foi uma exibição completa, perfeita. Mesmo com a vantagem no placar, os Blancos eram superiores e aumentaram aos 73’: Benzema fez um pivô perfeito e tocou para o lado, CR7 levou a melhor na dividida com Filipe Luís e ajeitou o corpo já preparando o míssil que encontraria as redes do goleiro Oblak.

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Real Madrid encaminhou a sua vaga em mais uma final europeia (Foto: Getty Images)

Quando o português finalizou a sua conta, anotando o 47º hat-trick de sua carreira, ficou muito claro o desespero do Atleti. Lucas Vásquez, que entrou no lugar de Benzema, fez a jogada pela direita e quando tocou para o meio da área ninguém marcava Cristiano Ronaldo: ele só ajeitou e praticamente decretou a vaga do Real Madrid em mais uma final. A única bizarrice foi a comemoração, que pedia para os seus próprios torcedores não lhe vaiarem. Sim, parte da torcida madridista comete a loucura de vaiar um jogador que, sozinho, tem mais gols do que o rival da cidade na Champions League (103 a 100).

O Atlético de Madrid, que por outro lado conta com torcedores que não fazem nada além de apoiarem ao máximo qualquer jogador, precisa de um milagre para chegar à final. Qualquer coisa pode acontecer na próxima quarta-feira (10), na última partida europeia que o estádio Vicente Calderón vai receber antes dos colchoneros mudarem de casa: a mais difícil delas será ver o time de Simeone avançar para Cardiff. Tudo isso graças a um Real Madrid que mostrou excelência tanto na parte individual, de um CR7 espetacular, quanto no coletivo.