Real Madrid impõe outra derrota memorável ao Atlético na Champions

Felipe Portes
Foto: Francisco Seco/AP

Foi um baile. Mais uma vez, o Atlético falhou em reunir forças para eliminar o Real Madrid de uma competição europeia. Pela quarta temporada seguida, a equipe de Diego Simeone não conseguiu manter o nível e acabou tendo complicações no dérbi madrilenho.

O placar de 3-0 não foi de forma alguma ilusório. Venceu quem procurou o gol na maior parte do tempo e teve excelência nas finalizações. Que dirá Cristiano Ronaldo, autor dos tentos que deram a vitória na ida dentro do Santiago Bernabéu. É quase impossível que o Atleti se vingue nos seus domínios, sobretudo porque não terá a moral e nem o elenco para esta missão. A derrota dos sonhos neste primeiro jogo seria por 1-0 ou 2-1, mas a defesa entregou o ouro e Ronaldo puniu os rivais em mais uma grande noite.

Não há muito o que se esperar da partida de volta. O que tinha para ser decidido já foi visto nos primeiros 90 minutos. Superioridade, objetividade e coragem. Algo que mesmo para o Atlético, um time conhecido por sua garra e solidez defensiva, faltou desde o início. Prevíamos uma batalha de ataque contra defesa, mas não se pode chamar de confronto justo um massacre deste tamanho.

A tão sonhada vingança vai ficar para o ano que vem. Quem sabe até lá o Atlético encontre uma forma de anular as principais armas do Real. Por agora, veremos a luta de uma equipe consolidada contra um bom time que não se encontra em sua capacidade máxima. Desde 1959, o Atlético nunca levou a melhor sobre o rival no principal torneio europeu. O histórico ajuda a entender quem é o maior time de Madri. Quer dizer, como se houvesse dúvida: um tem 11 títulos, o outro tem três finais e três derrotas. A simpatia recente pelos colchoneros não muda muito a situação no clássico da cidade.

Uma história de freguesia

Em 1958-59, no auge da geração cinquentista do Real, os rivais se enfrentaram nas semifinais da Copa dos Campeões Europeus. E o duelo foi equilibrado, com direito a três partidas para definir o finalista. Com duas vitórias por 2-1 e uma derrota por 1-0, o Real de Di Stefano avançou para pegar o Stade de Reims na final. Foi o quarto título dos blanquillos no torneio.

Anos mais tarde, em 2014, o Real queria acabar com o jejum de 12 anos sem ser campeão europeu. E o Atlético chegava a uma decisão após mais de 40 anos de espera. Com um gol de Godín, os atleticanos sonharam com o fim da fila até os últimos minutos da prorrogação, quando Sergio Ramos empatou, aos 48 do segundo tempo. Na prorrogação, massacre do Real, com gols de Cristiano Ronaldo, Bale e Marcelo. Foi o início da trilogia de decisões entre os rivais de Madri.

Pulamos para 2015. Quartas de final. O dérbi se repetia na segunda fase de mata-mata da Champions. Jogo de poucos gols. No Vicente Calderón, um empate em 0-0 deixou tudo aberto para a volta. A decisão veio no Bernabéu, com gol de Chicharito Hernández aos 43 da segunda etapa, com estrela. Entretanto, os madridistas não foram mais longe que isso. Eliminados pela Juventus na semifinal, adiaram o sonho do 11º troféu.

Você deve se lembrar o que aconteceu em 2016. Mais uma final restrita a Atlético e Real, no San Siro, em Milão. Sergio Ramos, sempre ele, abriu o caminho para a vitória dos merengues. Mas eles não contavam que Ferreira-Carrasco aparecesse de forma brilhante na segunda etapa para empatar. Griezmann ainda perdeu um pênalti no tempo normal, jogando fora a chance de vingança. Após uma prorrogação maçante, tivemos uma disputa de pênaltis. E aí, fez-se a grandeza do Real, com o erro de Juanfran.

O próximo duelo será o nono clássico de Madri na Champions. E servirá para coroar aquele que venceu cinco destes duelos, empatando dois e perdendo apenas um. Ao Atlético, resta emular uma virada Barcelonesca para cima dos maiores campeões deste torneio. Algo que não parece possível nem no sonho do atleticano mais otimista e esperançoso.