Real Madrid e Barcelona encaram dificuldades para superar eras de Cristiano Ronaldo e Messi

Bruno Marinho
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Faz 1.006 dias que o Real Madrid anunciou a saída de Cristiano Ronaldo para a Juventus e até hoje o clube parece que não virou completamente a página: no último dia 15, Zinedine Zidane foi questionado a respeito de um possível retorno do atacante de 36 anos e respondeu:

— Sim, pode ser. Hoje ele é jogador da Juventus. Vamos ver no futuro.

O laconismo é de um técnico que tem a missão de liderar uma reconstrução sem o português e que sente na pele as dificuldades disso. A era Cristiano Ronaldo acabou, uma nova há de surgir, mas nem sempre o intervalo entre elas é aquele que se espera. Hazard foi contratado e fracassou. Ainda que evolua, Vinicius Junior demandará tempo para ser a referência merengue.

O desafio de todo clube que se dispõe a ser hegemônico é justamente esse, o de encurtar ao máximo o período de transição entre o fim de uma fase vitoriosa e o começo de outra. Uma potência como o Real Madrid é ainda menos paciente. Duas temporadas depois de gastar 115 milhões de euros no atacante belga, especula-se que o clube da capital espanhola esteja disposto a tirar ninguém menos que Mbappé do Paris Saint-Germain.

Juntar gerações vitoriosas uma atrás da outra custa dinheiro. Se os espanhóis forem realmente atrás do francês, provavelmente serão obrigados a fazer a contratação mais cara de todos os tempos, superando os 222 milhões de euros que o PSG gastou para tirar Neymar do Barcelona, em 2017.

O clube catalão, assim como o Real Madrid, vive futuro incerto, o que, de certa forma, é responsabilidade do brasileiro. Quando contratou Neymar em 2013 para ser o coadjuvante de luxo de Messi, o Barcelona não apenas trouxe um reforço para o presente como também criou condições para ter o melhor dos mundos no futuro — início de uma nova era como um desdobramento da antiga.

O argentino eventualmente entraria em decadência ou se aposentaria e Neymar estaria lá para renovar seu legado no Camp Nou. Algo semelhante ao que aconteceu no próprio Barcelona, quando Ronaldinho Gaúcho desceu a ladeira e Lionel aparecia pronto para substituí-lo. Ou quando Raul fez a passagem de bastão para Cristiano Ronaldo no Real.

Entretanto, Neymar deixou o Barcelona antes do que os espanhóis esperavam e agora Messi ameaça ir embora ao fim da temporada sem que o Barça esteja pronto para lidar com sua saída. Tanto que o novo presidente eleito, Joan Laporta, afirmou na sua posse que fará de tudo para que o camisa 10 fique no Barcelona.

A promessa de esforço não é apenas um reconhecimento da importância do argentino, maior ídolo da história do clube, ou da qualidade técnica que ele ainda tem perto de completar 34 anos. O Barcelona atravessa momento financeiro ruim, com 1 bilhão de euros em dívidas, o que torna ainda mais difícil a missão de ir ao mercado atrás de alguém que possa ser o novo farol da equipe da Catalunha.

Especula-se que, ainda assim, o clube esteja atrás de Haaland, atacante norueguês do Borussia Dortmund — no último dia 1º, o Barcelona teria tido uma reunião com representantes do jogador, que completa 21 anos em julho. Não seria uma contratação barata, sem dúvida. Ao mesmo tempo, os dois gigantes espanhóis estariam dispostos a reeditar a polarização que marcou o futebol nos anos dourados de Messi e Cristiano Ronaldo. Isso porque atualmente Mbappé e Haaland são cotados para dividir a hegemonia no futebol mundial nos próximos anos da mesma maneira que o argentino e o português fizeram na última década.