"Rampage depressão"! Lutador analisa saudades da família e falta de visibilidade no MMA

Quinton Rampage - Reprodução/ youtube

Aos 38 anos e dono de um cartel com 48 lutas profissionais de MMA, Quinton ‘Rampage’ Jackson deixa claro que sua motivação no esporte não é mais a mesma. Escalado para enfrentar ‘King Mo’ nesta sexta-feira (31), o ex-campeão meio-pesado (93 kg) do UFC participou da coletiva de imprensa do show nesta quarta e analisou com frieza seu momento no esporte. E o otimismo parece longe dele atualmente.

Diante dos jornalistas e sentado há cerca de um metro de seu próximo rival, Rampage fez pouco uso de seu trash talk. Conhecido pelo estilo polêmico e agressivo que carregou por anos, o americano pareceu mais tranquilo do que o normal e se limitou a dizer que ‘King Mo tem boca grande’, e que ‘todos têm estratégia até levarem socos na cara. Tudo isso,ao que parece, pela saudade da família.

“Deixei tudo de lado e me mudei para a Califórnia. Deixei família, carros, amigos, tudo. […] Minha irmã ia para a escola e agora ela vai para a faculdade. Eu não conheço mais a minha irmã. Gostaria de ficar em casa com minha família. […] Quando fui campeão, eu tinha muitos amigos falsos. Assim que perdi, cadê eles? A família está sempre lá por você”, narrou, sem a empolgação esperada às vésperas de um novo desafio.

Sua falta de energia ao falar do combate pode ser explicada pela desilusão em enfrentar pela segunda vez o wrestler, com quem travou cinco rounds em maio de 2014. Afinal, com problemas para baixar de peso, o veterano subiu para os pesados e pediu por rivais da categoria, e não para que meio-pesados subissem de divisão para desafiá-lo.

“Pedi por um cara peso-pesado. O Bellator tentou uma luta com o ‘Cro Cop’, mas ele se aposentou. Aí me ofereceram o ‘King Mo’ e eu disse não, que queria um cara mais pesado. E eles disseram: ‘Não, é o King Mo’. Ok, então”, garantiu sobre a ‘negociação’, antes de voltar a tocar em um assunto que lhe parece incomodar faz anos: a falta de visibilidade para os atletas de MMA.

“Não acho que somos respeitados. Várias vezes você vai em um evento e vê fãs com camisas com o nome do evento. É tudo sobre a marca. Acho que tinha que ser construído em cima dos lutadores. mas quem se importa, não sou um promotor”, finalizou.