Raio-X da Croácia: adversária do Brasil nas quartas manteve base de 2018, renovou a zaga e ganhou opções

Quatro anos depois de ser vice-campeã na Rússia, a seleção da Croácia chegou à Copa do Catar com as coisas bem definidas: nove jogadores têm a condição de titulares inquestionáveis na equipe do técnico Zlatko Dalic. Os outros dois que completam o time, nas posições de ala direito e centroavante, são escolhidos a depender do adversário e do desempenho dos próprios atletas nos treinamentos.

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O conforto de ter três ou quatro jogadores em condições de disputar uma posição entre os titulares é novidade para Dalic, que no passado foi criticado por fazer experimentos desnecessários em busca de opções, mas que agora enxerga com clareza o que pode fazer com aquilo que tem à disposição na equipe.

“Não mudarei o modo como jogamos”, disse o treinador antes de disputar as fases finais da Liga das Nações após a Croácia liderar um grupo que tinha ainda França, Dinamarca e Áustria. “Quando se tem um meio de campo como o nosso, você precisa movimentar a bola para progredir e ter a oportunidade de criar chances no ataque. É necessário ter a posse de bola. Somos mais perigosos quando nossos meio-campistas não precisam voltar tanto para pegar a bola. Vamos pressionar quando possível. Quando não, vamos nos defender em bloco”, explicou Dalic.

A formação favorita do técnico é o 4-3-3, com Modric, Kovacic e Brozovic no meio e Perisic e Kramaric na frente. No Catar, a terceira peça no ataque foi Vlasic na estreia contra o Marrocos, e Livaja nos dois jogos seguintes. Contra o Japão, nas oitavas de final, o escolhido foi Petkovic, centroavante do Dínamo de Zagreb que joga como um pivô de futsal, com movimentos rápidos para servir alguém que venha de trás ou pelos lados.

A outra opção de Dalic é montar um 4-2-3-1, recuando Kovacic e Brozovic e deixando Modric menos atarefado com as funções defensivas para se aproximar mais dos atacantes. Nessa formação, Kramaric joga aberto por um dos lados do ataque, com Livaja ou Petkovic mais centralizado.

Do elenco que chegou à final da Copa de 2018, o melhor desempenho da história da seleção em Mundiais, oito atletas remanesceram para a disputa no Catar. Houve mudanças em praticamente todas as posições do time nos últimos quatro anos, com exceção do incontestável meio de campo. A principal mudança se deu na defesa, onde jovens como Gvardiol (20 anos) e Sosa (24 anos) assumiram a titularidade e conferiram à equipe maior segurança e capacidade de sair com a bola nos pés a partir da defesa.

O maior trunfo da Croácia não é segredo. Luka Modric, melhor jogador do mundo em 2018, camisa 10 do multicampeão Real Madrid e que, aos 37 anos, continua sendo o motor e o cérebro do time. Ao seu lado no meio de campo, o capitão croata tem a companhia do seguro Mateo Kovacic, jogador do Chelsea, e de Brozovic, que se desdobra para fazer com que a equipe consiga recuperar a bola o mais longe possível do gol defendido por Livakovic — goleiro que defendeu três pênaltis contra o Japão. Brozovic, nessa partida, foi o jogador que percorreu a maior distância entre todos em campo: 16,7 quilômetros, quase uma meia maratona, mal arredondando.

No ataque, a despeito de não ser o centroavante, o experiente Perisic é quem tem maior potencial de decidir os jogos para a Croácia. Não à toa, tornou-se o maior artilheiro da história da seleção em Copas do Mundo, com seis gols, empatado com o lendário Davor Suker.

A Croácia não encantou em nenhum momento neste Mundial: tem três empates e uma derrota até aqui. No 0 a 0 contra o Marrocos, na estreia, a seleção criou pouco e não conseguiu envolver a forte defesa africana. Contra o Canadá, fez o suficiente para virar o placar adverso em 1 a 0 e construir uma vitória tranquila por 4 a 1. O "suficiente" voltou a ser a tônica da partida croata contra a Bélgica, em novo 0 a 0 que classificou o time de Modric em segundo lugar do grupo. Contra o Japão, os croatas foram inferiores no primeiro tempo e não forçaram para buscar a virada depois de empatarem o jogo no segundo tempo com gol de Perisic. Confiaram no goleiro Livakovic para a disputa dos pênaltis. Deu certo.

A seleção da Croácia já enfrentou o Brasil em cinco ocasiões, com dois empates e três vitórias brasileiras. As duas equipes já se encontraram duas vezes em Copas do Mundo, ambas na estreia: em 2006, o Brasil venceu por 1 a 0, com gol de Kaká. Já em 2014, na Arena Corinthians, o Brasil fez 3 a 1 com dois gols de Neymar e um de Oscar.

O novo confronto entre Brasil e Croácia está marcado para 12h de sexta-feira, no Estádio Cidade da Educação, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

*com tradução de trechos de texto de Aleksandar Holiga para o "Guardian"