Quem é Rafael Ramos, lateral do Corinthians acusado de injúria racial por Edenilson

Rafael Ramos durante jogo pelo Corinthians (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)
Rafael Ramos durante jogo pelo Corinthians (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Acusado de injúria racial pelo volante Edenilson, do Inter, durante jogo no último sábado, o lateral direito Rafael Ramos, do Corinthians, chegou a ser detido em Porto Alegre e foi solto somente após pagamento de fiança de R$ 10 mil. No aguardo do resultado da perícia de leitura labial encomendada pelas autoridades, o português de 27 anos insiste que se trata de um mal-entendido e que, em nenhum momento, chamou o brasileiro de “macaco”.

O seu futuro em gramados locais se encontra assim em aberto depois do desgaste gerado pelo episódio.

Dono de uma carreira inusitada e que o levou ainda novo para o exterior, Ramos teve como principal suporte em sua primeira experiência no exterior um outro brasileiro.

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Foi em 2014, quando se encontrava sem espaço no time B do Benfica e acabou sendo repassado aos 19 anos ao Orlando City, nos Estados Unidos.

Ao desembarcar no novo país, quando se preparava para a bateria de testes, esbarrou no pentacampeão mundial Kaká. Não teve reação.

“Fiquei olhando para ele admirado, sem saber o que dizer. Fui fazer os exames e ele estava logo depois de mim. Falou comigo e me perguntou se eu era um dos jogadores que vinha do Benfica. Já sabia muito sobre mim, mas ainda não me conhecia pessoalmente. Claro que isso me surpreendeu e me deixou feliz”, contou, em entrevista ao site Mais Futebol.

Na altura, Ramos havia terminado de se sagrar vice-campeão da então recém-criada Uefa Youth League, versão da Champions League para a garotada.

Mesmo perdendo a final por 3 a 0 para o Barcelona, Ramos entrou para a seleção do campeonato e ganhou o seu primeiro contrato profissional.

Preterido por Nelson Semedo, hoje no Wolverhampton, na equipe de reservas, foi repassado para a MLS (Major League Soccer) para que pudesse ter a sua primeira experiência profissional. A falta de maturidade, no entanto, ficou evidente quando viu o seu primeiro cartão vermelho.

“Tinha acabado de ser expulso pela primeira vez, estava revoltado e ele (Kaká) foi o primeiro a vir falar comigo para me acalmar. Como era jovem, não conseguia controlar muito bem as minhas reações e não reagi bem. Ele chegou ao meu pé, conversou comigo e me tranquilizou. Depois me disse como devo reagir nessas situações”, recordou.

Ainda hoje em contato com o melhor do mundo em 2007, Ramos o descreve como uma pessoa “incrível”.

No futebol norte-americano, o lateral ainda teve a chance de dividir o campo com o alemão Bastian Schweinsteiger no Chicago Fire antes de voltar para a Europa, passar pela Holanda e, enfim, assinar pelo Santa Clara em Portugal.

Fez parte de um grupo que colocou a equipe do arquipélago dos Açores no mapa e assegurou a classificação para as competições europeias.

Um percurso inusitado para o jogador que teve a sua carreira ameaçada após dispensa prematura na base do Sporting e acabou indo parar no rival Benfica, onde o seu pai trabalhava no estádio.

O destino fez dele o responsável por abrir as portas para atletas portugueses no Brasil depois da invasão de técnicos compatriotas. O resultado da investigação policial determinará agora o que acontecerá com Ramos daqui em diante.