Rússia é banida como nação de Jogos Olímpicos e mundiais por 2 anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A CAS (Corte Arbitral do Esporte) reduziu nesta quarta-feira (16) a pena imposta à Rússia pela Wada (Agência Mundial Antidoping) em 2019, de quatro para dois anos, mas manteve a proibição de o país usar seu nome, bandeira e hino em edições dos Jogos Olímpicos e campeonatos mundiais. Atletas e times russos ainda poderão competir na Olimpíada de Tóquio, adiada para 2021, e nos Jogos de Inverno de 2022 em Pequim, bem como em Mundiais, incluindo a Copa do Mundo de futebol de 2022 no Qatar, sob bandeira neutra. Para isso, os envolvidos não poderão estar sujeitos a uma suspensão imposta por autoridade antidoping; seus uniformes não terão a bandeira da Rússia, e o hino nacional russo não será tocado ou cantado em nenhum local oficial do evento. O nome do país poderá figurar nas vestimentas, desde que com o mesmo tamanho e destaque da indicação de "atleta neutro", em inglês. As punições valem de 17 de dezembro de 2020 a 16 de dezembro de 2022. O período é menor do que os quatro anos aplicados pela Wada há mais de um ano, em 9 de dezembro de 2019. A CAS, entidade jurídica máxima do esporte mundial localizada na Suíça, confirmou o veredito da Wada de que a agência de controle de doping da Rússia (Rusada) não está em conformidade. Também impôs multa de US$ 1,3 milhão (R$ 6,4 milhões). A punição inicial da Wada se baseou na acusação de que a Rusada agiu para fraudar resultados de exames de atletas e manipular dados submetidos a órgãos internacionais. "Por muito tempo, o doping russo prejudicou o esporte limpo", afirmou a Wada em comunicado na ocasião. "A Rússia teve a oportunidade de colocar sua casa em ordem e reunir-se à comunidade antidoping global para o bem de seus atletas e pela integridade do esporte, mas optou por continuar em sua posição de decepção e negação." Entenda as acusações A Rússia é acusada de manipular laboratórios, incluir amostras falsas em exames e deletar arquivos relacionados a testes positivos de doping. O escândalo eclodiu após serem descobertas irregularidades no controle de doping nos Jogos de Inverno de 2014, sediados na cidade russa de Sochi. O programa de trapaça era comandado por Grigory Rodchenkov, o antigo presidente da agência antidoping russa. Sua principal ação consistia em trocar amostras de urina de atletas, contaminadas com substâncias proibidas, por outras limpas. Rodchenkov agora vive nos Estados Unidos, sob proteção e em local não divulgado, depois de revelar o esquema que coordenou, de acordo com ele apoiado pelos serviços de inteligência da Rússia, e ter fugido do país. Neste ano, ele lançou o livro "The Rodchenkov Affair - How I Brought Down Putin's Secret Doping Empire" (O caso Rodchenkov - Como derrubei o império secreto de doping de Putin) e deu uma entrevista à agência AP dizendo que sofre ameaças de morte por ser visto como um traidor na Rússia. A história também é contada no documentário Ícaro, ganhador do Oscar em 2017. Como parte da resolução do caso de 2014, nos anos seguintes a Rússia concordou em oferecer um conjunto de resultados de testes de seu laboratório em Moscou às autoridades antidoping. Foram esses dados, manipulados por representantes do país, que ocuparam posição central na crise que levou à atual punição. De acordo com as investigações, a negação e a manipulação de dados pelos russos continuaram depois de a Wada confirmar publicamente, em setembro de 2019, que milhares de arquivos do país haviam sido apagados ou manipulados, e que os dados fornecidos não batiam com os de um banco sobre atletas russos recebido pela organização em 2017. Em uma reunião complementar em outubro para ajudar a explicar as discrepâncias, o ministro do Esporte russo forneceu novos dados à Wada, que quando estudados revelaram evidências de mais manipulações, segundo a agência. Na ocasião, investigadores reportaram que 145 casos suspeitos poderiam não ser resolvidos, o que levantou a possibilidade de que atletas que trapacearam continuassem disputando competições impunemente.