Quero falar sobre futebol, diz lateral da seleção

ALBERTO NOGUEIRA
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tamires, 32, começou 2020 com a expectativa de atuar bem em sua segunda temporada com a camisa do Corinthians e ser convocada para representar o país na Olimpíada de Tóquio. Até que a pandemia de Covid-19 interrompeu seus planos.

O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino foi paralisado ainda em sua quinta rodada, e os Jogos Olímpicos, adiados para 2021.

Tamires, natural de Caeté-MG, seguiu as recomendações de seu clube e das autoridades do estado de São Paulo. Isolou-se em sua casa, em Santo André, no ABC paulista, com o marido César, 34, e o filho, Bernardo, 10.

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Se por um lado houve abatimento pela mudança abrupta de rotina, por outro, estar com a família nesse momento tem sido não só um alento, mas também uma oportunidade muitas vezes rara na vida de jogadores de futebol.

A lateral, peça constante nas convocações da seleção brasileira, é a única mãe entre as atletas costumeiramente chamadas para a equipe nacional.

O tema maternidade tornou-se recorrente em entrevistas, o que chega a incomodar Tamires. "De janeiro a janeiro, eu não sou só mãe. Sou mulher, sou atleta e quero falar também de futebol, de tática, da minha profissão."

Há, porém, um momento de exceção. "É especialmente no Dia das Mães que eu quero falar de maternidade, representatividade." Para ela, é importante poder representar outras esportistas que querem ter ou já tiverem filho e continuam na ativa. Mas o principal desejo é discutir sua profissão.

Há muita bagagem para isso. São duas Copas do Mundo (Canadá-2015 e França 2019) e uma Olimpíada (Rio-2016) com a seleção brasileira. No ano passado, conquistou a Libertadores pelo Corinthians.

Em uma live na última semana promovida pelo ex-lateral esquerdo Sorín, Tamires falou sobre posicionamento em campo e forma de atuar, elementos que têm em comum com o ex-jogador de Cruzeiro e da seleção argentina. A brasileira também se caracteriza pela ofensividade e gols.

A rotina de treinamentos segue seis dias por semana, mesmo com adaptações. É na garagem de sua casa que ela busca manter a forma.

Os treinos fazem parte de um cronograma passado pelo Corinthians. Em algumas sessões, Bernardo tem ajudado a mãe. Nas redes sociais da atleta é possível ver o filho sendo utilizado como peso durante exercícios ou lançando a bola.

"A gente brinca pós-treino também. Disputamos um contra um, jogamos futmesa. Também assistimos a filmes, brincamos com jogos de tabuleiro", conta a jogadora.

Tamires lamenta a paralisação dos esportes em um momento em que o futebol feminino começava a ganhar mais visibilidade, na esteira da Copa do Mundo de 2019 e com grandes clubes disputando as duas divisões do torneio nacional organizado pela CBF.

A jogadora entende que a prioridade é a saúde das pessoas. "A parada aconteceu forma triste, quebrou uma sequência, mas o futebol feminino sempre lutou muito pelo seu espaço, não vai ser diferente na retomada", diz.

Enquanto espera, Tamires aproveita. "Estar mais pertinho da família é o lado positivo de tudo isso."

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