Quem pode continuar na Seleção Brasileira para a Copa América

Yahoo Esportes
(imagem: Etsuo Hara/Getty Images)
(imagem: Etsuo Hara/Getty Images)

Por Rodrigo Herrero (@rodrigoherrero)

Nem bem a Copa do Mundo da Rússia acabou e a Seleção Brasileira já se volta para a próxima competição entre seleções: a Copa América, que será realizada no Brasil entre os dias 14 de junho e 7 de julho de 2019. E em meio ao rescaldo da eliminação nas quartas de final diante da Bélgica, a comissão técnica canarinho, que deverá seguir sob o comando de Tite, já precisa começar o trabalho para formar um grupo com vistas a esse torneio.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Você já viu o novo app do Yahoo Esportes? Baixe agora!

Até lá o Brasil poderá fazer oito amistosos, pois há disponíveis quatro datas-Fifa com nove dias destinados a partidas, sendo três datas ainda em 2018 (setembro, outubro e novembro) e uma no ano que vem, em março. Um jogo já está confirmado: contra os Estados Unidos, em Nova Jersey, no dia 7 de setembro.

Mas apesar do trabalho elogiado, em que pese o hexa não tenha vindo, pode-se dizer que o novo ciclo visando a Copa do Catar, em 2022, começa com uma certa pressão. E justamente devido à Copa América ser no Brasil, o que impõe à Seleção Brasileira um natural favoritismo e até mesmo obrigação de conquistar o caneco.

É nesse cenário que Tite deverá começar a montar a Seleção do próximo ciclo e confirmar-se como o segundo treinador a comandar o Brasil em dois Mundiais seguidos, de forma ininterrupta. Somente Zagallo, entre 1970 e 1974 detém esse feito em um país em que é difícil qualquer treinador manter um trabalho de longo prazo, inclusive nos clubes.

Isso tudo indica um dilema para Tite, ou para o próximo treinador, caso ele recuse a oferta da CBF: apostar de cara em uma renovação total visando o próximo Mundial, mesclar com alguns atletas experientes que foram bem na Rússia ou manter a espinha dorsal do atual time devido à necessidade de resultado na Copa América? Resolver essa equação vai impactar fortemente nas peças a serem convocadas daqui até a disputa do torneio de seleções.

Desempenho na Rússia x Chances de prosseguir
Para saber quem pode continuar na Seleção para a disputa da Copa América, vamos analisar o desempenho de cada jogador na Rússia. Há nomes que estarão com idade avançada em 2022, mas poderão fazer parte das convocações num primeiro momento, ajudando na passagem do bastão para as novas revelações. Porém, há outros que decepcionaram e não deverão ser chamados, enquanto alguns ainda terão idade para seguir na Seleção, mas precisarão mostrar mais futebol.

No gol, Alisson fez uma Copa sem falhas, mas também não realizou nenhuma defesa que ficasse na memória. Com 25 anos, deverá continuar nas próximas convocações, mas talvez seja a hora de abrir a disputa pela titularidade com Ederson, 24, que demonstra potencial para ir longe. A única certeza é que Cássio, com 31 anos, deverá dar adeus à Seleção. Se precisar de um terceiro goleiro, é o momento de dar chance a nomes mais jovens que despontem no período.

As laterais passam por um problema. Na direita, Danilo ganhou espaço após o corte de Daniel Alves, mas lesões atrapalharam o atleta na Rússia. Sua inconstância no Manchester City pode fazer com que perca espaço ao longo do novo ciclo, ainda que, de início, deva ser o lateral titular da posição. Com 27 anos, tem idade para continuar fazendo parte do elenco. Chamado às pressas, Fagner fez uma Copa correta. Mas, com 29 anos, deverá perder espaço, agora que
Tite terá mais tempo para observar outros jogadores.

Na esquerda o problema passa pela idade, mas não só por isso. Marcelo é o melhor lateral-esquerdo do mundo, mas na Seleção não entrega tudo aquilo que ele consegue no Real Madrid e isso ficou provado mais uma vez no Mundial russo. Com 30 anos, deverá seguir como titular por um bom tempo, mas é fundamental que seja preparado outro jogador, sob o risco do Brasil ficar dependente de um veterano que pode não estar mais no auge no futuro próximo. Situação semelhante à de Filipe Luís, que, com 33 anos, talvez nem seja mais chamado, ainda que não comprometa quando atue.

Leia mais:
– Taison desabafa após sequesto da mãe: ‘Susto grande’
– Neymar sofre desvalorização de 11% após Copa do Mundo traumática
– Alisson pode superar Buffon e se tornar o goleiro mais caro da história

O setor de marcação do meio-campo talvez seja o maior entrave da Seleção atual. Isso ficou evidente na Copa da Rússia, quando não havia no elenco um jogador com características semelhantes ao Casemiro para substitui-lo. Fred estava machucado e Fernandinho foi mal demais em lances decisivos na eliminação diante da Bélgica. Ao menos uma certeza: Casemiro foi um dos destaques brasileiros no Mundial e, com 26 anos, certamente continuará como titular na Copa América. Já Paulinho, que fez mais um Mundial apagado, optou por voltar à China, talvez indicando que esteja contente com o que já conquistou em 30 anos de idade, podendo afastá-lo da Seleção.

O mesmo deve ocorrer com Fernandinho. Estigmatizado pelo 7 a 1 e pela eliminação diante da Bélgica, além da idade avançada, o atleta de 33 anos não deve mais ser chamado no médio prazo. Fred, por sua vez, não conseguiu mostrar sua qualidade na Rússia por conta das lesões. Mas, com 25 anos, deverá assumir a vaga de Paulinho na equipe titular. Contratado pelo Manchester United, seu futebol ficará mais evidente a partir de agora, para o bem e para o mal.

O Brasil sofreu na Rússia com a criação de jogadas. Tanto que Tite mexeu no esquema e trouxe Philippe Coutinho para o meio, liberando a entrada de Willian na ponta direita. O desempenho do atleta do Barcelona teve altos e baixos, mas no geral foi visto de forma positiva. É uma liderança técnica importante e, com 26 anos, deverá ser um dos expoentes do novo ciclo. Já Renato Augusto, que perdeu espaço devido a uma contusão que teve durante os treinamentos, deve ficar cada vez mais ausente da Seleção. Com 30 anos, é possível que prossiga apenas para auxiliar Tite na transição para uma renovação do time.

Willian teve atuação decepcionante na Copa, ficando muito longe do seu desempenho nos últimos jogos do Brasil antes do Mundial e também de sua performance no Chelsea. Perto de completar 30 anos, pode até continuar a ser chamado, mas não deverá ir além da Copa América. Caso Tite opte por uma renovação mais ampla desde já, pode ter dado adeus à Seleção. Há muitos nomes jovens que poderão assumir sua vaga.

Principal estrela da Seleção Brasileira, Neymar, 26 anos, certamente será um dos protagonistas do próximo ciclo. Mas vai precisar mostrar mais futebol, pois na Rússia esteve muito longe daquilo que se espera de alguém que quer ser o melhor do mundo. Pelo contrário, virou piada por supostamente simular faltas, com pessoas do mundo todo participando do #NeymarChallenge, gravando vídeos rolando no chão. O surgimento de novos craques pode ofuscar um pouco a estrela do PSG, resta saber como ele vai lidar com tudo isso.

Douglas Costa só não tomou a titularidade do Willian porque se machucou duas vezes. Apesar disso, sua performance agradou e deve ganhar mais espaço daqui para a frente. Com 27 anos, pode até mesmo ser titular na Copa América do Brasil, tudo vai depender de suas condições físicas. Último nome a entrar na lista de Tite para o Mundial, Taison não teve chances na Rússia. Com 30 anos, não deverá figurar nas próximas convocações, dando espaço para novos valores que já estão despontando no futebol brasileiro.

A camisa 9 do Brasil pode sofrer algumas mudanças no futuro próximo. Gabriel Jesus ascendeu rapidamente no futebol, mas acabou tendo um desempenho bastante discreto na Rússia, não fez um golzinho sequer. Com 21 anos, certamente fará parte do novo ciclo, mas é provável que, assim como Alisson, não precise ser uma unanimidade de sua posição. Nesse contexto, Firmino, 26 anos, pode assumir a titularidade nos primeiros amistosos pós-Copa, até para tirar a pressão sobre o ex-palmeirense. Com 26 anos, o atacante do Liverpool teve boas participações na Rússia e merece mais chances. Ele pode até ser um mentor para a entrada de novos jogadores, contribuindo com sua experiência no ciclo até o Catar, quando terá 31 anos.

Garotos que já podem ser chamados para a Seleção
Outro desafio para os atletas que estiveram na Rússia é a grande quantidade de jovens jogadores brasileiros que estão pedindo passagem neste novo ciclo e poderão ser convocados desde já, visando uma equipe mais nova na Copa América.
Existem os nomes mais óbvios, como o de Vinicius Júnior, 17 anos, de partida para o Real Madrid, após pouco tempo no profissional do Flamengo. Lucas Paquetá, outro flamenguista de grande destaque, esteve presente na lista de suplentes de Tite e, mesmo aos 20 anos, deverá ser testado nos próximos amistosos, com vistas à Copa América. Pode ser o meio-campista que a Seleção precisa para melhorar a criação de jogadas.

O atacante Rodrygo, também recém-contratado pelo Real, tem potencial, embora, com 17 anos ainda seja bastante novo e tenha tido menos tempo ainda no profissional que Vinicius Júnior. É o mesmo caso de Paulinho, também com 17 anos e que foi negociado pelo Vasco ao Bayer Leverkusen-ALE. Outro que acabou de ser vendido, o volante Arthur, 21 anos, já poderia até ter figurado na Rússia, mas tem todas as condições de estar na Copa América. Se romper as barreiras da titularidade no Barcelona, pode deslanchar de vez na Seleção.

Há também diversos jogadores jovens que já possuem alguma rodagem na Europa, o que costuma aumentar mais pontos junto aos treinadores. É o caso do lateral-esquerdo Jorge, 22 anos, que defende o Monaco-FRA e tem passagem pelas seleções de base do Brasil. Na zaga tem dois exemplos que vêm do futebol italiano: Wallace, 23 anos, que atualmente defende a Lazio e Lyanco, 21 anos, jogador do Torino e sondado pela seleção italiana para defender a Azzurra.

No meio há os volantes Thiago Maia (21 anos) e Walace (23), que jogam no Lille-FRA e Hannover-ALE respectivamente. O primeiro foi campeão olímpico em 2016. À frente o destaque vai para David Neres, que fez grande temporada no Ajax-HOL e desperta o interesse de outros gigantes da Europa. Neres já pode começar a ser chamado, assim como o ex-corintiano Malcom, 21 anos, que atua pelos lados do campo e também é destaque, mas do Bordeaux-FRA.

Leia também