Quem é a narradora que vai comandar os jogos do Paulistão na Rede Vida

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Mais uma boa notícia para os fãs de futebol feminino. Dias depois da TV Bandeirantes anunciar uma parceria com a CBF para a transmissão do Brasileirão Feminino, a Rede Vida fechou acordo com a Federação Paulista de Futebol (FPF) para transmitir o Estadual da categoria. O primeiro jogo a ir ao ar será o duelo entre Palmeiras e Audax, no dia 18 de maio, às 11h (de Brasília. E as transmissões terãou uma mulher no comando: a escolhida foi a narradora Elaine Trevisan.

Nascida no Paraná, Elaine trabalha como repórter de campo na Rede Vida desde 2015, quando entrou para fazer a cobertura da Copa São Paulo. Dona de uma voz ressonante, ela ouviu os primeiros incentivos para narrar do colega de emissora, o lendário narrador Luiz Carlos Fabrini. Mas só se convenceu disso quando, em 2016, conheceu Deva Pascovicci e ouviu os mesmos comentários.

“Fabrini dizia que eu tinha uma voz bem diferente e deveria investir nisso. Aquilo ficou na minha cabeça, até que eu conheci o Deva. Fui apresentar um projeto de esportes olímpicos para ele na CBN de São José do Rio Preto. A voz dele era incomparável”, contou Elaine ao blog Deixa Ela Jogar. “Quando eu falei, ele disse ‘menina, que foz é essa?’. Ecoou meu pensamento, porque era justamente o que eu estava pensando sobre ele.”

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Elaine Trevisan foi finalista do concurso "A Narradora", do EI (Reprodução/Facebook)
Elaine Trevisan foi finalista do concurso "A Narradora", do EI (Reprodução/Facebook)

Deva então perguntou se Elaine já tinha pensado em narrar. “Já era algo que estava na minha cabeça. Falei que já tinha pensado, e ele disse ‘então você vai narrar’. Não era mais questão de pensar nisso (risos). Era o Deva Pascovicci falando, e se ele estava falando, eu tinha que tentar. Comecei a treinar, ele me ajudava muito, eu mandava áudios e ele me dava dicas de como melhorar o ritmo. Ele também gravava e me mandava como teria narrado aquele lance. A gente trocava muito."

Foram meses e meses de treino. Até que, em outubro de 2016, Elaine se sentiu pronta e comunicou à equipe da Rede Vida, comandada por Fabrini. A primeira transmissão foi um jogo entre Corinthians e Guarani do Paulista Sub-17. “Foi horrível, não gosto nem de ouvir. Mas continuei treinando de lá para cá e agora estou trabalhando com isso.”

O narrador Deva Pascovicci não viveu para ver o sucesso de sua pupila. Ele foi uma das 71 vítimas da tragédia aérea da Chapecoense no final daquele ano. Se estivesse vivo, teria visto Elaine narrar não só na Rede Vida, mas também para algumas rádios menores, e teria visto seu sucesso no programa “A Narradora”, do Esporte Interativo, em que 11 mulheres disputaram a chance de narrar a semifinal da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Bayern, diretamente do Santiago Bernabéu. Elaine foi finalista, mas perdeu a decisão para Vivi Falconi, sua colega na Rede Vida, que hoje trabalha como produtora..

Depois do programa, Elaine continuou o trabalho normalmente na emissora e inclusive chegou a excepcionalmente narrar alguns jogos a serviço da Federação Paulista de Futebol (FPF), que fazia transmissões por meio de seu perfil oficial no Facebook. Mas a morte de Fabrini, em setembro de 2018, obrigou a Rede Vida a fazer uma pausa nos trabalhos esportivos.

“A gente teve que reestruturar todo o setor de esportes da emissora, principalmente as questões logísticas, já que era ele que cuidava disso. Em 2019, quando voltamos, fizemos a reunião com a FPF. E na sexta me comunicaram da decisão de voltar com o Paulista feminino. Para dar visibilidade, segundo a direção, decidiram voltar com narração feminina”, disse.

A Rede Vida já tem histórico na modalidade. Além de transmitir categorias de base e as séries A2 e A3 do Paulista masculino, o “Canal da Família” costumava transmitir futebol feminino há alguns anos — o último em 2015, quando só as finais foram ao ar. Elaine também tem histórico na modalidade, já que a participação da mulher no esporte foi o tema de sua tese de Mestrado.

“Para mim, são duas realizações: narrar e falar de futebol feminino. Sou apaixonada pelo tema, sempre briguei muito para que tivesse visibilidade, assim como para que as mulheres da comunicação fossem valorizadas e tivessem funções de verdade, como repórter, comentarista e narradora, e que não fossem apenas a pessoa que fica no palco lendo as cartas dos espetadores. Também luto para que a gente possa ser julgada só pelo trabalho, e não pela aparência”, comentou a narradora.

Entre fase de grupos e mata-mata, serão aproximadamente 15 jogos exibidos pela TV. Elaine vai comandar as transmissões, com reportagem de André Barros, e não esconde a animação. “As expectativas são as melhores. Apesar de estar super ansiosa, acredito que vai dar tudo certo. Será uma grande empreitada e estou feliz de fazer parte dela. Infelizmente, Fabrini e Deva não estão mais aqui para ver isso, mas sei que ficariam muito felizes."

Veja mais de esporte feminino no Deixa Ela Jogar

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