Quem é quem na reedição da final da Copa-1994 entre Brasil e Itália

MARCOS GUEDES
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A noite de quinta-feira (9) terá o reencontro daqueles que decidiram a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Em um amistoso de veteranos marcado para as 21h30 (transmissão Fox Sports e SporTV), em Fortaleza, Brasil e Itália vão reeditar o duelo realizado há mais de 25 anos.

Vários dos atletas que participaram daquela decisão, em 17 de julho, no Rose Bowl, estarão no estádio Presidente Vargas. Dos 13 brasileiros que entraram em campo na final, só não consta na lista de participantes do amistoso divulgada pela CBF o ex-volante Dunga.

Até Romário, que tem histórico de conflitos com a confederação brasileira, tem sua presença confirmada. O ex-atacante, que havia se recusado a participar das festividades pelos 25 anos do tetra, no ano passado, aproximou-se do atual presidente da entidade, Rogério Caboclo.

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No jogo de veteranos, com ingressos vendidos a R$ 20, o time do Brasil será dirigido por Carlos Alberto Parreira, que foi o comandante daquele título. Os campeões de 1994 ainda serão reforçados por Mauro Galvão, Palhinha e Careca, que não jogaram a Copa dos Estados Unidos.

No outro banco de reservas estará Arrigo Sacchi, técnico da Itália no Mundial disputado em território norte-americano. Ele terá à disposição boa parte de seus velhos comandados, como Baresi, Albertini e Massaro. Schilacci, artilheiro da Copa de 1990, também estará no time.

Já Roberto Baggio, que era o grande nome italiano em 1994, não vai participar do jogo. O ex-atacante, que chutou para fora o pênalti que decidiu o Mundial, após empate por 0 a 0, recusou o convite por "compromissos profissionais".

CONFIRA OS NOMES CONFIRMADOS NO AMISTOSO:

EQUIPE BRASILEIRA

Taffarel, 53

Goleiro do Brasil nas Copas de 1990, 1994 e 1998, viveu seu grande momento no Mundial dos Estados Unidos, após uma temporada na qual chamou a atenção no pequeno Reggiana, da Itália. Teve participação fundamental na conquista, com defesas importantes na final —uma delas na disputa por pênaltis. Hoje, é preparador dos goleiros da seleção.

Gilmar, 60

Reserva de Taffarel em 1994, acabou não entrando em campo nos Estados Unidos. Teve uma carreira robusta defendendo Internacional, São Paulo, Flamengo e Cerezo Osaka antes de se tornar empresário de jogadores. Chegou também a trabalhar como coordenador da seleção brasileira, entre 2014 e 2016.

Cafu, 49

Lembrado especialmente como capitão do penta, também atuou no tetra, como reserva de Jorginho, entrando em três partidas. Uma delas foi a final, na qual o titular teve um problema físico e saiu logo aos 21 minutos do primeiro tempo. O lateral direito quase participou do gol do título, dando passe desperdiçado por Bebeto, sem goleiro. Depois, jogou mais três edições da Copa.

Jorginho, 55

Titular do Brasil em 1990 e 1994, teve participação importante na conquista nos Estados Unidos. A dura vitória por 1 a 0 sobre a Suécia, na semifinal, foi definida em um cruzamento preciso do lateral direito para Romário. Voltou à seleção como auxiliar técnico de Dunga e hoje trabalha como treinador. Em 2019, dirigiu o Coritiba.

Márcio Santos, 50

Não saiu de campo um minuto durante a campanha vitoriosa do Brasil em território norte-americano. Errou sua cobrança na disputa por pênaltis com a Itália, na decisão, parando em Pagliuca, mas a falha não lhe custou o título. À época, era zagueiro do Bordeaux. Ainda defendeu a Fiorentina e o Ajax antes de retornar a seu país e atuar em times como Atlético-MG e São Paulo.

Aldair, 54

Começou a Copa de 1994 na reserva, mas substituiu o lesionado Ricardo Rocha ainda na estreia e não saiu mais —até a final de 1998. Zagueiro de boa qualidade técnica, conquistou espaço na Itália, onde era altíssima a exigência com os defensores. Depois de surgir no Flamengo e passar pelo Benfica, defendeu a Roma de 1990 a 2003.

Ricardo Rocha, 57

Ganhou a posição durante a Copa de 1990 e chegou como titular à de 1994. Logo na estreia, porém, na vitória por 2 a 0 sobre a Rússia, sofreu uma lesão que o tirou do resto da competição. Defendeu vários grandes clubes em sua produtiva carreira e, depois de aposentado, atuou como comentarista e dirigente.

Ronaldão, 54

Zagueiro de força física, foi convocado por Carlos Alberto Parreira e acompanhou o Mundial de 1994 do banco de reservas. Àquela altura, já havia tido bom desempenho no São Paulo e se transferido para o futebol japonês. De volta ao Brasil, jogou por Flamengo, Santos, Coritiba e Ponte Preta antes de pendurar as chuteiras.

Branco, 55

Já havia atuado nas Copas de 1986 e de 1990, mas viveu seu grande momento em 1994. Assumiu a lateral esquerda após a suspensão de Leonardo e foi decisivo sobretudo na suada vitória por 3 a 2 sobre a Holanda, nas quartas de final: cavou a falta e marcou o gol que definiu o placar. Rodou bastante em sua movimentada carreira e se tornou dirigente. Hoje, é coordenador das seleções brasileiras de base.

Mauro Silva, 51

Formava com Dunga uma dupla de volantes que dava sustentação ao meio-campo do time brasileiro em 1994. Naquele momento, já havia trocado o Bragantino, clube em que apareceu bem, pelo Deportivo La Coruña, da Espanha, equipe na qual ficou por mais de uma década, até o fim da carreira.

Mazinho, 53

Reserva na primeira fase da Copa do Mundo, ganhou a posição de Raí e foi titular nos quatro jogos de mata-mata nos Estados Unidos. Meia pela direita, exercia função importante no pragmático time de Carlos Alberto Parreira. Após o Mundial, deixou o Palmeiras e viveu anos produtivos na Espanha, defendendo Valencia e Celta.

Zinho, 52

Com seus giros e jogo de poucos erros, valorizava a posse de bola exatamente como pedia o comandante de 1994. Titular em toda a campanha, exerceu papel importante. Formado no Flamengo, teve passagens importantes também por Palmeiras e Grêmio. Aposentado dos gramados, atuou como dirigente e como auxiliar técnico.

Bebeto, 55

Parceiro de Romário no efetivo ataque do Brasil de 1994, marcou três gols na conquista do tetra, um deles definindo o duro triunfo por 1 a 0 sobre os anfitriões Estados Unidos, nas oitavas de final. Nas quartas, ao balançar a rede da Holanda, celebrou simulando embalar um bebê, homenagem histórica ao filho recém-nascido filho Matheus. Rodou bastante na carreira.

Romário, 53

Grande nome do tetra, fez cinco gols no caminho até a taça. O centroavante, que já tinha sido decisivo na complicada classificação do Brasil ao Mundial, teve papel fundamental na conquista e marcou seu nome na história da seleção. No ano seguinte, trocou o Barcelona pelo Flamengo. Rodou muito, sobretudo em times do Rio, e, nas suas contas, chegou a mil gols na carreira.

Paulo Sérgio, 50

Reserva do ótimo ataque brasileiro em 1994, entrou nas partidas contra Camarões e Suécia, ainda na primeira fase, sem marcar. Depois de aparecer bem no Corinthians, construiu uma carreira sólida na Europa, com boas passagens por Bayer Leverkusen, Roma e Bayern de Munique.

Viola, 51

Já um ídolo bem estabelecido do Corinthians, foi convocado por Parreira e estreou no Mundial no segundo tempo da prorrogação da decisão. Entrou bem, levando o Brasil à frente, em seus únicos 15 minutos em campo em uma Copa. Após breve passagem pelo Valencia, voltou ao Brasil e jogou em diversos clubes, marcando muitos gols por Palmeiras, Santos e Vasco.

Mauro Galvão, 58

Zagueiro titular do Brasil em 1990, vai reforçar o time formado por veteranos de 1994. Campeão da Copa América de 1989 pela seleção, teve uma carreira de boas apresentações por Internacional, Bangu, Botafogo, Lugano (SUI), Grêmio e Vasco.

Palhinha, 52

Defendeu a seleção em amistosos, na Copa América de 1993 e nas eliminatórias para a Copa de 1994. Acabou não sendo convocado para o Mundial dos Estados Unidos. Outro que rodou bastante, o meia teve maior destaque com as camisas de São Paulo e Cruzeiro.

Careca, 59

Admirado pela qualidade técnica, o atacante defendeu o Brasil nas Copas de 1986 e 1990. Depois de se destacar pelo Guarani e pelo São Paulo, marcou época também na Itália, pelo Napoli.

Carlos Alberto Parreira, 76

Jovem preparador físico na conquista do tri, em 1970, no México, Parreira foi o comandante do tetra, em 1994, nos Estados Unidos. Seu time era criticado pelo pragmatismo, mas tirou o Brasil da fila de títulos em Copas do Mundo. Em sua vasta trajetória, ele ainda dirigiu a seleção na Copa de 2006 e foi auxiliar em 2014.

EQUIPE ITALIANA

Mauro Tassotti, 59

Lateral direito da Itália na Copa de 1994, não esteve na decisão contra o Brasil por causa de uma cotovelada no espanhol Luis Henrique, nas quartas de final. O lance não foi visto pela arbitragem, apesar do nariz quebrado e da camisa ensanguentada do adversário, mas a Fifa o puniu por oito jogos. Ele construiu longa carreira no Milan, onde também atuou como auxiliar técnico.

Roberto Mussi, 56

Foi o lateral direito da Itália na decisão. Com carreira estabelecida com passagens significativas por Milan, Torino e Parma, vestiu também a camisa azul na Eurocopa de 1996, com eliminação ainda na primeira fase.

Antonio Benarrivo, 51

Capaz de atuar nas duas laterais, jogou do lado esquerdo no confronto com o Brasil nos Estados Unidos. Passou por equipes menores e se estabeleceu como ídolo do Parma, onde atuou de 1991 a 2004.

Franco Baresi, 59

Tido como um dos maiores zagueiros de todos os tempos, sofreu no segundo jogo da Copa de 1994 uma lesão no joelho e foi dado como fora do torneio. Já um veterano de 34 anos, ele passou por uma cirurgia de menisco e voltou a tempo de atuar os 120 minutos da final, abrindo a disputa por pênaltis com um chute por cima. Jogou toda a vitoriosa carreira no Milan.

Alessandro Costacurta, 53

O defensor atuou em seis dos sete jogos da Itália no Mundial dos Estados Unidos. Ficou fora justamente da final, suspenso por acúmulo de cartões amarelos. Ainda jogou a Copa de 1998 e ficou marcado pela camisa do Milan, que vestiu em quase toda a carreira, de 1985 a 2007, com breve passagem pelo Monza, em 1986/87.

Luigi Apolloni, 52

Foi à Copa de 1994 como jogador do Parma, clube que defendeu na maior parte de sua trajetória como profissional. Mais um membro da boa escola italiana de defensores, atuou em três partidas nos Estados Unidos. Na decisão, substituiu Mussi ainda no primeiro tempo. Atualmente é treinador e chegou a dirigir o Parma, entre 2015 e 2017.

Demetrio Albertini, 48

Era um jovem de 23 anos e peça importante do meio-campo italiano de 1994. Esteve em todas as partidas de sua seleção no Mundial dos Estados Unidos. Foi um dos dois atletas de azul que converteram suas batidas de pênalti. Jogou também o Mundial de 1998 e se machucou pouco antes da edição de 2002, o que encerrou sua carreira internacional.

Nicola Berti, 52

Presente em todos os sete jogos da Itália na Copa de 1994, cinco deles como titular. Atuou nos 120 minutos da decisão, sem conseguir contribuir para o que seria o tetra de seu país. O meia, que ficou marcado por quase uma década na Inter de Milão, já havia atuado no Mundial de 1990.

Pierluigi Casiraghi, 50

Centroavante daqueles com força no jogo aéreo e dificuldade com a bola nos pés, atuou em três partidas da Itália na Copa dos Estados Unidos, sem marcar gols. Foi titular na vitória por 2 a 1 sobre a Bulgária na semifinal, mas não entrou em campo na decisão. Defendeu Juventus, Lazio e Chelsea antes de começar a trabalhar como treinador. Dirigiu a Itália na Olimpíada de 2008.

Gianfranco Zola, 53

Entrou em campo uma vez no Mundial dos Estados Unidos. Acionado aos 20 minutos do segundo tempo contra a Nigéria, nas oitavas de final, foi expulso dez minutos depois. Com dois gols de Baggio, um no fim do tempo normal e outro na prorrogação, a Itália sobreviveu. Mas Zola, à época jogador do Parma, nunca mais jogou em uma Copa.

Alberigo Evani, 57

Começou a Copa de 1994 como titular e foi substituído na estreia, no intervalo da derrota por 1 a 0 da Itália para a Irlanda. O meia só voltou a entrar em campo na decisão, na prorrogação, substituindo Dino Baggio. Àquela altura, defendia a Sampdoria, após mais de dez anos no Milan.

Daniele Massaro, 58

Em 1994, já era um veterano de 33 anos, que havia sido convocado à Copa de 1982, embora não tivesse entrado em campo. Nos Estados Unidos, o atacante do Milan começou como reserva, marcou no empate por 1 a 1 com o México na primeira fase e ganhou espaço. Na final, perdeu uma chance na cara de Taffarel e também parou no goleiro nos pênaltis.

Piero Braglia, 64

O meio-campista não defendeu a Itália em 1994 ou em qualquer outra Copa. Viveu seus melhores momentos na Fiorentina, nos anos 70, e passou a trabalhar como treinador após a aposentadoria, sempre em equipes menores. Hoje dirige o Cosenza, da segunda divisão italiana.

Sebastiano Rossi, 55

Goleiro de 1,98 m, foi jogador do Milan entre 1990 e 2002, mas nem Arrigo Sacchi, que o levou ao clube rubro-negro, quis convocá-lo à seleção italiana. Passou a carreira, cheia de títulos, no próprio Milian, longe da equipe nacional.

Pietro Vierchowod, 60

Convocado para três edições da Copa do Mundo (1982, 1986 e 1990), esteve em campo nas duas últimas. Filho de um ex-combatente ucraniano, ganhou o apelido de Czar e ficou marcado como peça importante da Sampdoria, que surpreendeu e conquistou o Campeonato Italiano em 1991.

Christian Panucci, 46

Jogou pela Itália a Copa do Mundo de 2002. À época, o defensor atuava pela Roma, seu clube de 2001 a 2009. Em uma movimentada carreira, com títulos conquistados em seu país e na Espanha, vestiu também as camisas de Genoa, Milan, Real Madrid, Inter de Milão, Chelsea, Monaco e Parma.

Toto Schillaci, 55

Viveu o grande momento de sua trajetória na Copa de 1990, disputada na Itália. Saiu do banco, marcou seis gols, foi o artilheiro da competição e eleito seu melhor jogador. O resto de sua carreira, em times como Juventus, Inter de Milão e Jubilo Iwata, não teve o mesmo brilho.

Stefano Eranio, 53

Meia que defendeu Genoa, Milan, Derby County e Pro Sesto, participou das eliminatórias de 1994 e de 1998, mas não atuou em nenhuma Copa. Tem 20 jogos e três gols com a camisa da Itália.

Arrigo Sacchi, 73

Nome histórico do futebol italiano, introduziu novidades táticas e montou o histórico Milan que marcou época na virada dos anos 80 para os anos 90. Assumiu a seleção em 1991 e permaneceu no cargo até 1996, chegando bem perto do maior objetivo, mas sendo frustrado pelo Brasil.

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