Queda na semifinal dói e merece reflexão, mas torcedor do Corinthians não deve iniciar 'caça às bruxas'

Nathalia Almeida
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Até adentrar o gramado do Estádio Nuevo Francisco Urbano, em Buenos Aires, na noite desta quarta-feira (17), o Corinthians Feminino ainda não tinha experimentado o amargo gosto de buscar a bola dentro de sua própria rede: eram quatro vitórias em quatro jogos, com incríveis 34 gols feitos e nenhum sofrido. Em termos de campanha, investimento, qualidade do elenco e retrospecto geral do confronto, tudo apontava amplo favoritismo para o Timão diante do América de Cali, seu adversário nas semifinais da Libertadores Feminina... Mas o futebol, por vezes, apronta dessas de jogar os números/estatísticas frias para o alto, abraçando o imprevisível, o improvável.

Não podemos dizer que o Corinthians jogou mal diante das colombianas, mas não esteve em sua versão 'avassaladora' como nas partidas anteriores. Abriu 1 a 0 com certa naturalidade, mas cometeu um pecado mortal, raro para o próprio padrão da equipe: ficou confortável demais no jogo e começou a pecar demais nas conclusões, desperdiçando chances de 'matar' a partida. Acabou castigado com um gol no final e, nas penalidades, viu o rival fazer história com a classificação à decisão.

Cali é o primeiro classificado à decisão da Libertadores Feminina | Pool/Getty Images
Cali é o primeiro classificado à decisão da Libertadores Feminina | Pool/Getty Images

A inesperada eliminação na semifinal dói no torcedor e obviamente merece reflexão de todos que fazem parte do projeto, de jogadoras à comissão técnica. Quando se está no topo, é preciso tomar muito cuidado para não ser acometido por uma 'sensação de invencibilidade', sempre perigosa quando falamos de esportes. Isso não quer dizer que a equipe do Corinthians foi soberba diante do Cali, pois este é um adjetivo que definitivamente não cai bem a este grupo de jogadoras. Contudo, confiança em excesso pode ser uma 'faca de dois gumes', e obviamente a confiança do time estava lá no alto após tantas vitórias naturais, quase automáticas na competição.

Remoer a derrota, neste caso específico, pode ser importante para todos os personagens envolvidos: é hora de rever o que aconteceu, entender os erros e trabalhar para evitá-los na temporada 2021, que ainda vai começar. Não é hora, no entanto, de individualizar responsabilidades ou iniciar uma 'caça às bruxas' ao futebol feminino alvinegro, reações viscerais que o torcedor tende a ter, mas que não são justas com ninguém.