Que sequelas a Covid-19 pode deixar em um atleta?

Matheus Ribeiro
·3 minuto de leitura
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Foto: Getty Images

Depois de um pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, o termo "histórico da atleta" virou piada, já que ele afirmou que não sofreria danos caso fosse infectado pelo novo coronavírus. Mas pensando em atletas profissionais, quais seriam os possíveis problemas causados pela Covid-19.

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Especialista do Centro de Medicina do Esporte do Hospital Nove de Julho, em São Paulo (SP), o médico Pablius Braga afirmou que, apesar de não parecer trazer sequelas irreversíveis na maioria dos casos, a Covid-19 poderia deixar atletas sem treinar por um bom tempo, com a possibilidade até de deixá-los de fora das Olimpíadas do próximo ano.

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"Ainda temos perguntas a serem respondidas, mas já começa a se descobrir que podem acontecer manifestações cardíacas do vírus", afirmou o médico. "Em casos como este, o que ficaria da sequela é um postergamento da volta para a vida atlética, já que a infecção teria que ser resolvida antes do atleta poder voltar a treinar de forma lenta em um trabalho de reabilitação até que ele possa trabalhar em alto rendimento."

A mesma dificuldade na volta aos treinos pode acontecer em casos em que a condição respiratória do atleta é comprometida. "Apesar do encerramento do tratamento e da pessoa sair do quadro, para poder voltar para a performance ela vai precisar passar por várias avaliações e um retorno muito devagar para os treinos", disse Pablius.

Em casos como este, o atleta teria que retomar todo o trabalho de base, como no início do ciclo olímpico há quatro anos, demorando bastante ao nível competitivo necessário para disputar uma competição tão importante quanto os Jogos Olímpicos.

No caso de atletas que testaram positivo, mas não sentiram sintomas, a perspectiva é de que eles não tenham nenhum comprometimento da funções, como Pablius observou em testes que realizou em atletas de clubes de futebol de São Paulo que contraíram o vírus.

"Como protocolo, os clubes estão fazendo testes de esforço e uma avaliação como se fosse pré-temporada para entender como eles estão, com medo de um problema cardíaco", afirmou. "Eles não apresentavam fadiga maior e nem dificuldade para retornar aos batimentos normais ao fim do teste. Respeitando as datas de quarentena, eles estavam aptos para voltar aos treinos técnicos."

Pensando no futebol, o médico do esporte acha prematura a volta dos campeonatos no Brasil. Não pela falta de saúde dos atletas ou por medidas de segurança, mas sim pelas incertezas sobre o vírus.

"Apesar de não ter nenhuma situação com os atletas que eu testei, por exemplo, os testes de Covid-19 que são feitos terão que ser muito mais precisos, então você não pode erro nesses exames", afirmou. "Ainda não estamos com tudo seguro em relação aos exames. Não é por negligência de laboratório ou de técnicos nem nada. E a vírus ainda tem manifestações que não estão tão claras. Até o tipo de defesa que você vai desenvolver, se ela é contínua ou não, se é pra vida inteira ou não."

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