Do Qatar, Palmeiras tenta evoluir e superar cansaço para Copa do Brasil

BRUNO RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fosse uma temporada normal, o Palmeiras entraria em campo pela disputa do terceiro lugar do Mundial de Clubes, na próxima quinta-feira (11), contra o Al Ahly, e logo na sequência o elenco entraria em férias. Alguns dias de recesso serviriam para que o clube assimilasse a derrota na semifinal, diante do Tigres, e pudesse iniciar 2021 com a cabeça e o corpo descansados em busca de novas conquistas, como o tricampeonato da América. Mas a pandemia da Covid-19 bagunçou totalmente o calendário, atropelou processos de trabalho e jogou o clube alviverde no meio de um turbilhão de datas. Se até aqui o discurso oficial foi o de disputar todos os títulos e enfrentar a maior parte dessa maratona com força total, talvez tenha chegado a hora de abrir concessões no Campeonato Brasileiro. Na volta do Qatar, a equipe já tem compromisso pelo Nacional no domingo (14), contra o Fortaleza, mas pensa, principalmente, na decisão da Copa do Brasil com o Grêmio. O jogo de ida da final acontece no próximo dia 28, em Porto Alegre. Uma semana depois, as equipes decidem o torneio no Allianz Parque. Até lá, o time do técnico Abel Ferreira terá cinco partidas pelo Brasileiro, espremidas em apenas 11 dias. A distância para o líder Internacional, que tem um jogo a mais, é de 13 pontos. Semanas que poderão ser mais úteis para trabalhar no centro de treinamento e afinar o time titular em vez de escalar, para essa sequência apertada de jogos, os seus 11 mais fortes para as rodadas restantes de um Brasileiro cujo título virou improvável. No jargão dos preparadores físicos, será preciso "controlar a carga de treinos". E treinar propriamente é algo que Abel pouco fez até aqui. O comandante alviverde assumiu o Palmeiras em novembro do ano passado e já disputou 28 jogos com a equipe. Desde a sua estreia no comando até o duelo pelo 3º lugar no Mundial, serão 98 dias, o que dá uma média de uma partida a cada 72 horas. Em três meses, o técnico levou o clube à conquista da Copa Libertadores e à decisão da Copa do Brasil, além da manutenção entre os primeiros colocados no Nacional. Um sucesso imediato que mantém lá no alto a exigência sobre os palmeirenses, mas com um treinador que, apesar do título continental e a perspectiva de ser campeão novamente daqui a algumas semanas, ainda procura desenvolver seu trabalho e pede tempo para melhorar o que tem funcionado nesse início à frente do clube. "Sei dizer que tenho um time com margem de crescer", disse o treinador após a derrota para o Tigres, no último domingo (7). "Temos rodado sempre os jogadores. É impossível estar sempre na máxima força. O que nos trouxe até aqui? É isso que vai continuar nos levando, nosso trabalho, nossa identidade, aprender com nossos erros, com as coisas boas que fizemos, seguir firmes e fortes. É preciso sentir a dor da derrota, mas é preciso seguir em frente e trabalhar mais e melhor. É assim que os campeões fazem." A preocupação com o desgaste chega em um momento no qual se discute a queda de rendimento do Palmeiras nos jogos recentes. A sequência de partidas decisivas na Libertadores e no Mundial mostrou um time nervoso e que não conseguiu manter o nível de atuação apresentado, por exemplo, no mata-mata da campanha continental. Muito provavelmente, por conta do cansaço. Além da possibilidade de encerrar essa desgastante jornada com mais uma taça, o Palmeiras já pensa também na próxima temporada, que será emendada no encerramento dos compromissos referentes a 2020. O Campeonato Paulista de 2021 já se inicia no fim deste mês. Os palmeirenses estreariam na competição contra o São Caetano, no dia 28, mesma data do primeiro jogo contra o Grêmio, pela Copa do Brasil. A partida de volta da decisão nacional, no dia 7, também deverá mexer com a segunda rodada do Estadual, já que a FPF (Federação Paulista de Futebol) havia agendado para essa data o dérbi entre Palmeiras e Corinthians, adversários na final da última edição do torneio. Campeão da Libertadores, o clube também confirmou a participação na próxima Recopa Sul-Americana, contra o Defensa y Justicia, da Argentina. A Conmebol anunciou o jogo de ida para o dia 7 de abril. Uma preocupação, porém, distante para o Palmeiras. O olhar, já cansado, aponta para a chance de erguer um novo troféu, que precisará das últimas forças de um grupo que se encontra no limite.