Pussy Riot e casos de abusos e marcam Copa histórica na luta feminista

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(imagem: MLADEN ANTONOV/AFP/Getty Images)
(imagem: MLADEN ANTONOV/AFP/Getty Images)

Por Luisa Belchior Moskovics, de Moscou

A invasão de membros do grupo feminista de punk russo Pussy Riot ao campo em plena partida final da Copa do Mundo, no domingo, não foi um ato isolado desta competição. Pela primeira vez em uma Copa do Mundo, as pautas e políticas feministas estiveram presentes do início ao fim da competição, sobretudo por conta da repercussão a casos de comportamento de homens de vários países com jornalistas e torcedoras. 

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As ações das Pussy Riot já eram esperadas em algum momento ao longo da Copa. O grupo é uma das principais oposições aberta ao presidente russo, Vladimir Putin. Criado em 2011, o coletivo político faz ações em eventos e locais públicos, sempre com denúncias contra o governo, normalmente acusando não haver liberdade de expressão em seu país. 

No domingo, quatro membros do grupo invadiram o campo durante o primeiro tempo da final entre a França e a Croácia, interrompendo a partida por alguns segundos. Depois da ação, reivindicaram a autoria do ato em um texto e vídeo. 

Semanas antes, reivindicações feministas eclodiram na Copa do Mundo por conta de vídeos mostrando as abordagens de torcedores a mulheres. Em um deles, um grupo de brasileiros gravou um vídeo em que pedia a uma jornalista repetir palavrões e ofensas a ela mesma em português, sem que a repórter soubesse o significado do que dizia. 

Logo depois, outro vídeo mostrava colombianos fazendo algo similar com uma torcedora japonesa. 

Torcedores também tentaram beijar uma repórter da rede alemã Deustche Welle e outra do canal brasileiro SporTV enquanto elas faziam transmissões.

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Os casos em si não são novos. A novidade nesta Copa foi o fato de eles terem tido fortes repercussões e até consequências para os torcedores. No caso do grupo dos brasileiros, que foram identificados, um deles foi demitido da empresa para a qual trabalhava. 

O que é novo é o fato de que, pela primeira vez, atitudes antes consideradas normais durante a Copa do Mundo agora geram, no mínimo, grandes discussões. 

Não é coincidência que os casos venham à tona nesta Copa. Foi depois da última que o Movimento #MeToo (Eu Também), surgido a partir de denúncias de abusos sexuais na indústria cinematográfica dos Estados Unidos e que impulsou discussões sobre comportamentos machistas  e casos de abusos sexuais em ambientes de trabalho e fora deles no mundo inteiro. 

No Brasil, no ano passado, jornalistas esportivas criaram o movimento Deixa Ela Trabalhar, para denunciar casos de abusos e comportamentos impróprios durante coberturas esportivas. 

Foi nesta mesma Copa que centenas de mulheres iranianas, ainda são proibidas por lei a entrar em um estádio de futebol em seu país, lotaram as arquibancadas dos jogos do Irã, reivindicando, com ou sem véus islâmicos mas sempre vestidas de alegria e animação, sua presença em um ambiente maioritariamente feminino. Foi um ato político em essência, ainda que disfarçado de comemoração e torcida.

Também não é por acaso que as repercussões venham à tona em uma Copa que acontece na Rússia, cujo governo é pouco simpático a demandas feministas. Como a invasão das Pussy Riot, no entanto, as repercussões e respostas aos casos de abusos e machismos pegaram de surpresa quem ainda resiste a discuti-los e mostrou que a Copa pode ser também um dos eventos mais propícios para isso.

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