Pulou 7 ondas e usou branco? Saiba mais sobre as tradições afro

Oferecer presentes à Iemanjá é algo muito comum no Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Oferecer presentes à Iemanjá é algo muito comum no Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Toda virada de ano brasileiros seguem tradições específicas para comemorar o ano novo que chega. Se você pulou sete ondas ou usou branco na virada de 2019 para 2020 ontem, saiba que essas tradições foram possíveis graças à contribuição das religiões afro para a cultura brasileira.

A tradição de pular sete ondas é muito comum. Pessoas que vão passar a virada de ano na praia costumam realizar o ritual de, a cada onda pulada, fazer um pedido para o ano que se inicia. A cerimônia veio da Umbanda, religião afro-brasileira, e tem como objetivo fazer uma homenagem à Iemanjá, que é a orixá do mar e das águas.

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A ideia do ritual é deixar os problemas do ano passarem como uma onda que se encerra na areia. Iemanjá é uma divindade africana da Nigéria que foi abraçada pelo Candomblé e pela Umbanda no Brasil. Ela é considerada a rainha do mar e seu nome significa “a mãe cujos filhos são peixes”.

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O número sete também faz muito sentido para a Umbanda, pois representa Exu, que é filho de Iemanjá. Além disso, os sete pulos seriam uma representação de pedidos feitos para orixás diferentes.

Apesar do racismo religioso presente no Brasil, a imagem de Iemanjá chega a ser bem aceita pela maioria da população por demonstrar a ideia da mulher maternal e vaidosa. Outra tradição bem conhecida vem exatamente dessa ideia criada a partir do imaginário sobre como é a rainha do mar.

Muitas pessoas costumam jogar ao mar algumas oferendas para Iemanjá. A ideia é dar alguns presentes para a rainha do mar para que o ano seja repleto de proteção e paz. Os objetos jogados para ela são, geralmente, itens que representam beleza como espelhos, colares e flores.

O uso de roupas brancas na virada do ano também foi difundido pelos membros do Candomblé. Todas as viradas de ano, eles levavam oferendas para o mar vestindo roupas brancas, o que fez algumas pessoas que não faziam parte da religião achar aquela cena bonita. A tradição, então, passou a ser reproduzida.

A cor branca simboliza paz e é usada em rituais em que existe transcendência e espiritualidade envolvidas. A ideia é a cor trazer paz, proteção e pureza para as pessoas que a vestem na virada do ano.

No Candomblé, por exemplo, a roupa branca é usada por seus seguidores toda sexta-feira para que a semana que irá começar seja de paz e tranquilidade e para agradecer a semana que passou. Também acredita-se que a cor espanta toda negatividade.

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