Psicólogo, tira-teima e mudança de categoria! 'Bodão' topa tudo para mostrar valor no UFC

Bodão vem de derrota para Nikita Krylov - Felipe Castello Branco

“Desde a época em que eu lutava vale-tudo…”. É com termos assim, comuns em sua narrativa, que Francimar ‘Bodão’ deixa claro que tem história para contar. Nascido no Acre e representante da academia carioca Nova União, o atleta de 37 anos atravessa momento delicado em sua carreira, mas garante que fará de tudo para mostrar seu valor ao UFC e não desperdiçar a chance de se apresentar no maior show de MMA do mundo.

Neste sábado (18), Bodão encara o inglês Darren Stewart no UFC Londres, quando colocará o retrospecto de duas lutas sem vitória em jogo em um tira-teima que parece se transformar em rotina na organização. Afinal, o duelo aconteceu em novembro passado, em São Paulo, e foi abreviado em menos de dois minutos, quando uma cabeçada ilegal do inglês garantiu ao rival o direito de apelar e anular o resultado oficial.

“É bom lutar com ele de novo porque não tive muito trabalho para estudar. Já tinha feito isso da outra vez, como foi uma luta rápida, não deu tempo de mudar. Mas como senti ele, já sei a potência e já sei o que esperar, o que pode vir dele. [..] Vou poder mostrar meu trabalho de verdade. Vou mostrar meu jogo. Vou lutar com uma vontade a mais”, garantiu, em conversa por telefone com a reportagem da Ag. Fight.

Já em Londres, palco do card deste sábado, o meio-pesado (93 kg) aproveita e aprova a postura do evento. Para evitar desconforto nos atletas e possíveis questionamentos, o casamento do tira-teima de forma imediata, o que também aconteceu com Alex ‘Caubói’ e Tim Means, alivia o ímpeto do lutador ao colocar um ponto final na rivalidade.

“Eu sou a favor. Pelo fato de você fazer um camp de 3 ou 4 meses, investir tudo ali, e as vezes acontece um acidente. as vezes sem ninguém ter culpa. Mas aí você perde o camp todo e não mostra seu trabalho para o público e para a organização. É tudo perdido. Se der uma segunda oportunidade, é válido. Fazemos um trabalho muito sério, desde a alimentação até ao sono…”, justificou, acelerando sua narrativa.

A clara empolgação é justificável. Afinal, o atleta precisa vencer, e, se possível, convencer. Contratado pelo UFC em 2013, Bodão chegou ao octógono como promessa de sucesso e agressividade. No entanto, suas apresentações no evento foram travadas, monótonas e, exceções feitas à derrota para Nikita Krylov e ao ‘No Contest’ (sem vencedor) com Darren Stewart, sempre decididas pelos jurados ao final do tempo regulamentar.

E é com isso em mente que o atleta se adiantou à planilha para o combate e antecipou sua viagem a Londres. Ao chegar na cidade com dez dias de  antecedência – “normalmente são seis” -, Bodão terá mais tempo para se adaptar ao clima local, o que pode lhe garantir mais potencial no octógono.

“Você pode ter certeza que se ele cai pra dentro, como faz direto, vai tomar muita porrada dura. Se tentar botar para baixo, estou com a defesa boa, treinei muito wrestling. Quero que ele venha para cima mesmo, do jeito que ele gosta. […] Quero e vou mostrar um bom trabalho. Estou pronto e bem treinado. Vou mostrar e me superar, vou deixar tudo ali. Não mostrei metade do que posso ainda”, prometeu, revelando o motivo de estar com a confiança em dia.

“Temos um psicólogo na Nova União, um cara muito bom. Melhorei muito, me sinto mais seguro desde que comecei com ele. Tem vários atletas que trabalham com ele, o que faz a diferença. Ele tem a sala dele [na academia] e fazemos um trabalho a longo prazo”.

Por fim, um fato curioso. Com 1,87 de altura e cerca de 100 kg, Bodão se coloca como ‘pau para toda obra’ na organização. Seja como peso-médio (84 kg) ou peso-pesado, o veterano, que garante não sentir o peso de seus 37 anos, pede para lutar contra quem for.

“Pela altura daria para ser pesado, sem problemas. Se fosse para descer, daria também. Eu ficaria forte nas duas. Sou disciplinado, não tenho problemas. Se fosse para subir, eu não subiria muito. Já conversamos muito sobre isso, falei com o dede. Quando comecei a lutar, cheguei a pegar cara de 135 kg. Não tem problema”.