Pior derrota do século escancara elenco reduzido e críticas no PSG

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Mbappé durante a derrota do PSG para o Lille (AP Photo/Christophe Ena)
Mbappé durante a derrota do PSG para o Lille (AP Photo/Christophe Ena)

Por Tiago Leme, de Paris

A frustrante eliminação nas oitavas de final da Champions League, em casa diante do Manchester United no dia 6 de março, praticamente pôs fim à temporada 2018/2019 do Paris Saint-Germain. Mas foi a pior derrota sofrida pelo clube neste século, ao ser goleado pelo Lille por 5 a 1 no último domingo, que escancarou um dos principais problemas do time atual: um elenco reduzido e sem peças de reposição à altura dos titulares.

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As vitórias diante de adversários frágeis dentro do país, que deixaram o título do Campeonato Francês praticamente garantido, mascararam enquanto puderam uma série de problemas. No entanto, a goleada sofrida em Lille (a pior do clube desde os mesmos 5 a 1 para o Sedan, no dia 2 de dezembro de 2000) gerou críticas de torcedores, da imprensa francesa e fez o técnico alemão Thomas Tuchel deixar evidente o seu incômodo com determinadas situações. Lesões como as de Neymar e Cavani, a ausência de atletas como Rabiot e Diarra e a falta de contratações estão entre os obstáculos enfrentados pela equipe durante a temporada.

"Nós só tivemos 15 jogadores disponíveis pela décima vez nesta temporada. Isso não é possível. Todo mundo pensa que é normal para o Bernat (lateral-esquerdo espanhol) jogar como o número 10, do lado esquerdo ou no meio, porque vencemos. Todo mundo acha normal jogar por semanas sem Neymar e sem Edi (Cavani). Todos também acham normal jogar com Colin Dagba, Moussa Diaby e Stanley Nsoki. Durante semanas, treinamos com treze ou quatorze jogadores, isso não é possível. Esta é uma fase que começou antes do jogo contra o Manchester (em meados de fevereiro). E há dois meses, nada e ninguém conseguiu deter essa espiral”, afirmou Tuchel.

O resultado negativo também não agradou em nada os atletas. Após a partida em Lille, o atacante Kylian Mbappé disparou críticas contra a atuação da equipe.

“Ninguém diz que não podemos perder. Isso vai acontecer algumas vezes, mas não desta maneira. É um dos nossos grandes defeitos e precisamos corrigir isso. Jogamos como amadores e temos de nos recompor rápido, porque temos mais jogos pela frente”, disse Mbappé, em entrevista ao Canal Plus.

Lesões

Desde o fim de janeiro o PSG não conta com Neymar, que pelo segundo ano seguido machucou o quinto metatarso do pé direito e desfalcou o time nos momentos decisivos. Depois do craque brasileiro, foi a vez do atacante uruguaio Edinson Cavani também se lesionar em fevereiro, uma contusão muscular na coxa. Os dois até agora estão fora de ação, e Neymar tem retorno previsto para o fim de abril. Marquinhos e Di María, outros dois titulares, também desfalcaram a equipe em Lille por lesão. Mas não parou por aí. O zagueiro Thiago Silva, que sentiu dores no joelho, e o lateral Meunier foram mais dois a saírem machucados, deixando o campo mais cedo no último domingo. Outros que já tiveram lesões recentes importantes foram Daniel Alves, Verratti e Kurzawa.

Jovens e improvisações

Sem substitutos do mesmo nível, estão sendo utilizados frequentemente jovens como Dagba, Diaby, Nsoki e Nkunku, além do centroavante camaronês Choupo-Moting, que perdeu um gol impressionante na semana anterior contra o Strasbourg e deixa a desejar na parte técnica dentro de campo. Em diversas situações, Tuchel também está sendo obrigado a recorrer a improvisações e mudanças de posições, como o lateral Daniel Alves atuando no meio-campo ou o zagueiro Marquinhos como volante.

Ausências de Rabiot e Diarra

Com poucas opções na escalação para o meio-campo, Thomas Tuchel ainda citou as ausências de dois jogadores que poderiam ser importantes em um elenco curto neste momento. Adrien Rabiot está afastado e treinando separado do grupo desde dezembro, por decisão da diretoria ao não aceitar renovar o contrato que vence no meio do ano. O jogador francês já esteve ligado a uma possível transferência para o Barcelona, negócio que depois esfriou. Já o experiente Lassana Diarra não vinha sendo aproveitado pelo treinador, rescindiu seu vínculo em fevereiro e anunciou a aposentadoria.

“Nós sentimos falta de jogadores, Rabiot e Diarra fazem falta também”, admitiu Tuchel.

Falta de contratações

Precisando se adequar ao Fair Play financeiro da Uefa depois de ter feito contratações milionárias nos anos anteriores, o Paris Saint-Germain teve que ser modesto nas compras na atual temporada. Com carência de peças no meio-campo, o clube trouxe em janeiro o volante argentino Leandro Paredes, que estava no Zenit, da Rússia, (por 47 milhões de euros) mas o jogador não se firmou entre os titulares. Mas o principais desejos de Tuchel não foram atendidos pelos dirigentes.

No início do campeonato, os grandes reforços foram o veterano goleiro italiano Gianluigi Buffon (fim de contrato com a Juventus) e o zagueiro alemão Thilo Kehrer (ex-Schalke 04, por 37 milhões de euros). E foram justamente os dois atletas que falharam em dois gols na derrota para o Manchester United, por 3 a 1, que decretou a queda nas oitavas de final da Champions League, em pleno Parque dos Príncipes.

Eliminação precoce na Champions

Fora da Champions League ainda nas oitavas pela terceira temporada consecutiva, o PSG fica com objetivos limitados nos últimos meses. A equipe da capital tem pela frente a final da Copa da França, contra o Rennes no dia 27 de abril. Na Copa da Liga Francesa, a eliminação também veio de forma precoce, e surpreendente, diante do Guingamp nas quartas de final.

Nesta quarta-feira, cheio de desfalques e com um elenco reduzido, o PSG pode garantir por antecipação o seu oitavo título do Campeonato Francês, depois de adiar a conquista com dois tropeços nas duas últimas rodadas. Para isso, precisa vencer o Nantes, fora de casa, às 16h (horário de Brasília). Na mesma noite, estarão sendo definidos os dois confrontos europeus das semifinais da Champions.

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