Promotor do GP do Brasil rejeita ideia de 25 etapas e diz: "F1 deveria falar menos"

EVELYN GUIMARÃES

Desde 2017, a Fórmula 1 está sob o comando total do Liberty Media, grupo norte-americano que comprou o campeonato que antes era chefiado por Bernie Ecclestone. No papel de líder, agora está Chase Carey, que foi capaz, neste ano, de costurar em conjunto com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e as equipes o novo regulamento para 2021, que impôs, entre outros pontos, um teto orçamento para os times, padronização de peças, uma série de mudanças técnicas nos carros, além de estabelecer 25 corridas como limite por temporada. De maneira geral, as novidades foram vistas com bons olhos pelos fãs e a comunidade do esporte a motor. Foi um ponto positivo dos dirigentes, portanto. Mas ainda há muito que fazer. E a opinião é de Tamas Rohonyi, promotor do GP do Brasil de F1, que atualmente negocia a renovação do contrato com Interlagos.

Rohonyi entende que o trabalho do Liberty Media segue uma linha muito diferente da que era seguida quando Ecclestone mandava na F1. "Eles são uma empresa pública, com ações na bolsa de Nova York. Eles não são esportistas, eles querem valorizar suas ações. O ponto de vista deles é outro, muito diferente do Bernie Ecclestone, que era um cara do esporte a motor. Ele tinha uma outra visão. Não é uma crítica. É uma questão de que o ponto de vista deles é distinto", afirmou o dirigente ao GRANDE PRÊMIO.

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Tamas Rohonyi, à direita, tem o apoio do governador João Dória para manter a F1 em São Paulo (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)




Até por isso, o promotor da corrida brasileira acha que "ainda é cedo para julgar" a qualidade das decisões que são tomadas na Fórmula 1 atualmente. "Eu sei da Liberty o que vocês sabem", disse. Mas tem um ponto que merece reflexão. "Tenho realmente uma única crítica: falem menos! Se eles me perguntassem o que fazer, eu diria isso: falem menos."

O húngaro explica que é danoso para a imagem da F1 anunciar uma nova etapa, sem antes ter a garantia de que tudo está certo. "É ruim quando você diz: vamos fazer em Miami e, aí, não consegue fazer em Miami. Mas isso, no fim, é uma bobagem, mas eu entendo essa postura, também tem a ver com as ações da bolsa. Ajuda. É notícia, anima os investidores, mas um pouco menos, né? Menos espuma."

Ainda sobre as novidades trazidas pelo novo conjunto de regras, Rohonyi destaca a questão das 25 provas. Ao ser questionado pelo sobre a viabilidade de um calendário tão extenso, o promotor respondeu: "Agora, 25 corridas? Não tem como... Eu lembro quando eram 16 provas, depois 18, já era uma confusão. E quando isso aconteceu, as equipes receberam mais dinheiro, porque os custos haviam aumentado. Mas agora acho que já estamos no limite do limite. 25 não dá para fazer, ou faz como a Nascar, monta duas equipes. Mas alguém consegue enxergar a Ferrari com duas equipes?"

No entanto, se ainda é difícil de avaliar o comando de Carey pelo pouco tempo no cargo, Tamas revela que a F1 deve passar por uma nova mudança em breve, uma vez que o americano "vai se aposentar no ano que vem". E quem estaria opto para o cargo, pergunta o GP.

Chase Carey é o atual chefe da F1 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)


"Certamente, eles devem ter um plano, impossível que não tenham, mas, da F1, eu diria que ninguém", falou o promotor. São recorrentes os rumores que apontam que o chefão da Mercedes, Toto Wolff, pode trocar a chefia da vitoriosa equipe por um cargo de comando da própria F1. Rohonyi, entretanto, acha que o austríaco não aceitaria a oferta. “Por que o Toto, que ganha US$ 15 milhões por ano (aproximadamente R$ 63 milhões) como acionista da Mercedes, aceitaria um cargo que paga 4...”

Mas o promotor do GP do Brasil tem uma sugestão. “Quem eu acho que seria um bom nome, mas não sei se teria saco, chama-se Alejandro Agag. Sabe de tudo, é habilidoso... Mas por que ele aceitaria também? Está ganhando bem com o campeonato dos carros elétricos que ele criou... Isso aqui é um pepino, na verdade.”


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