Prometeu, jogou para o time e foi herói em noite épica: contra o PSG, Neymar foi maior que Messi

Goal.com

Por Tauan Ambrosio 

Neymar ainda estava no Santos quando surgiam as primeiras comparações com Lionel Messi, e a derrota acachapante do Peixe para o Barça, no Mundial de Clubes de 2011, foi a resposta seca e desanimadora para os ‘pachecos’ ou fãs do espetacular jogador nascido em Mogi das Cruzes: ele ainda estava há anos luz do argentino.

O discurso que Ney vem repetindo desde que se transferiu para o Camp Nou, entretanto, tem um tom mais real. Ele chegou ao Barcelona para fazer uma parceria com Messi, e aprender ao máximo com aquele que é o maior jogador da história do clube. Ao lado de Lionel, o brasileiro vem colecionando gols, assistências e títulos. É isso que o credencia como sucessor do argentino com a camisa blaugrana.

É lógico que Neymar ainda precisa melhorar um pouquinho o seu temperamento, e sofre com a enorme pressão dos holofotes que sempre perseguem as pessoas mais midiáticas. Neymar é notícia, mas em primeiro lugar é muito mais do que isso. Neymar é gol, é drible. É coragem para não fugir da briga no momento mais decisivo. Por isso, já está na história barcelonista.

Foi dele o gol que sacramentou, no último minuto, o título da Champions League em 2015. Mas talvez a sua exibição mais marcante tenha sido nestes inesquecíveis 6 a 1 sobre o Paris Saint-Germain. No jogo de ida, na França, o camisa 11 foi tão ineficaz quanto o seu time, na derrota por 4 a 0 que parecia sacramentar o fim da caminhada na competição europeia. Naquele dia 14 de fevereiro, Neymar arriscou dois chutes a gol e saiu cabisbaixo de campo.

Neymar Messi Barcelona PSG Champions League 08 03 2017
Neymar Messi Barcelona PSG Champions League 08 03 2017
Neymar Barcelona PSG Champions League 08 03 2017
Neymar Barcelona PSG Champions League 08 03 2017

Neymar foi o jogador mais decisivo em um dos momentos mais épicos do Barcelona (Fotos: Getty Images)

No caminho até a partida de volta contra o PSG, clube que mais tentou a sua contratação ao longo dos anos, Neymar prometeu dois gols. Só que ele fez muito mais! Diante de um time que veio com a compreensível missão de não ser vazado, ele avançou pelas linhas adversárias. Chamou a responsabilidade para si: foi o jogador que mais vezes tocou a bola (109 vezes), sofreu o pênalti convertido por Messi (o terceiro gol do Barça) e depois mostrou que é um dos melhores batedores de falta da atualidade ao acertar o ângulo de Trapp para fazer o quarto.

Só que o Barcelona ainda precisava de mais dois gols para avançar e tinha menos de cinco minutos para tal. O grito de esperança veio, mais uma vez, dos pés de Neymar, que converteu o pênalti sofrido por Luis Suárez aos 88 minutos. Mas a cereja do bolo foi um desenho de sua história até aqui no Barça: com uma espécie de cavadinha alongada, deu a assistência para Sergi Roberto garantir a classificação aos 95’. Jogando para a equipe, despreocupado em ser o grande protagonista, Neymar se transformou em grande herói. Foi a maior virada de toda a história da Champions League, a primeira vez que um clube reverteu a desvantagem de sair perdendo por 4 a 0.

Foi a sua grande exibição com a camisa do Barcelona (com certeza, a mais épica), segundo o próprio reconheceu após o apito final. Mas, acima de tudo, foi mais uma mostra de que ele será um sucessor à altura de Messi no Barcelona caso se concentre apenas em seu futebol. Nesta quarta-feira (08), Neymar foi maior do que o seu mentor. Messi ainda é muito melhor do que o brasileiro, mas a distância que separava os dois quando o Santos sofreu em território japonês já diminuiu um bocado.

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