Promessa do automobilismo brasileiro, pilota de 15 anos não desistiu nem depois de acidente

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Antonella_Bassani já ganhou muita coisa em uma carreira ainda curta. Foto: Cris_Reis_-_Planet_Kart_Imagens
Antonella_Bassani já ganhou muita coisa em uma carreira ainda curta. Foto: Cris_Reis_-_Planet_Kart_Imagens

A pilota Antonella Bassani, 15, é uma das apostas do automobilismo brasileiro, atualmente nas corridas de kart já vem chamando atenção por seu desenvolvimento e títulos. A adolescente tem obtido reconhecimento nas categorias Mirim, Cadete, Rotax Micro Max, Rotax Mini Max, Junior Max e OK Junior, e neste ano participou pela segunda vez do programa FIA Girls on Track.

O programa Fia Girls on Track – Rising Stars é uma seletiva promovida pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) em conjunto com a Academia de Pilotos da Ferrari com o intuito de obter maior presença feminina nas pistas e aceita pilotas de distintas partes do globo.

O início de Bassani se deu em 2011, com 4 anos e meio de idade quando começou a treinar nos karts, dois anos depois foi vítima de um grave acidente enquanto pilotava, e acabou ficando presa embaixo do kart. Necessitou de uma delicada cirurgia no pulmão, porém se recuperou plenamente e voltou às pistas.

Sua ascensão foi confirmada no dia 15 de novembro ao sagrar-se campeão no Kart Pro Endurance Championship e cindo dias depois com o vice-campeonato no Open do Brasileiro de Kart, categoria F4 Graduados. Em entrevista ao Yahoo! Esportes, Bassani fala de sua trajetória de evolução, expectativas, ídolos e a crescente presença de mulheres nas pistas de corridas.

Yahoo! Esportes: Como foi sua introdução ao automobilismo?

Antonella Bassani: O primeiro esporte que me interessei foi o skate, mas não deu certo. Pouco depois, minha irmã foi fazer um teste no kart e ela não gostou, mas eu adorei aquilo e pedi para meus pais para testar no kart.

Então comecei muito cedo, em 2011, quando eu tinha só 4 anos e meio. Em 2012 já fiz minha primeira corrida oficial na Copa Sul em Caçador, Santa Catarina, e desde então, venho participando de diversas categorias do kart, pelo Brasil e no exterior.

Participei das Olimpíadas do Kart, o Rotax Max Challenge Kart, em Portugal. Fui a duas edições do FIA Girls On Track. Também tive a chance de testar os carros de Fórmula 4, e recentemente tive uma primeira experiência nos carros de turismo.

Este ano marcou sua segunda participação no programa FIA Girls on Track. Como avalia esta temporada em relação à anterior?

Neste ano, apesar de não ter me classificado para as finais, considero que ter participado pela segunda vez do programa foi algo muito significativo. É um programa muito importante, e com fases difíceis, desde a seleção inicial, em que mais de 70 garotas do mundo todo fazem inscrições. Fico muito feliz de ter sido selecionada por dois anos, entre tantas meninas. Ter tido a chance de seguir para a fase presencial, ter feito todos os testes foi muito incrível.

Ano passado fui para a fase final, sendo uma das mais novas do grupo, e também foi quando tive minha primeira experiência em carros de fórmula. Foi uma grande oportunidade de aprendizado e de desenvolvimento pessoal.

Neste ano, em especial, recebi ótimos feedbacks do júri e de várias pessoas envolvidas na seletiva. E também foi uma superação para mim, por conta das questões de saúde que passei. Toda essa bagagem vou levar para sempre comigo.

Antonella Bassani em ação no kart. Fotos: Cris Reis - Planet Kart Images
Antonella Bassani em ação no kart. Fotos: Cris Reis - Planet Kart Images

No próximo ano você ainda estará com idade para participar novamente. Considera esta opção?

Sim, com certeza. Claro que isso ainda não está definido, e vai depender do que vou fazer na temporada 2022, mas é algo que considero sim. E já estou estudando essa possibilidade.

O que o FIA Girls on Track adiciona ao automobilismo?

É um programa muito importante por dar a oportunidade de incluir mais garotas e mulheres no automobilismo. E todas as iniciativas que promovam essa inclusão e a igualdade no meio esportivo, entre homens e mulheres, são interessantes e extremamente importantes.

Durante suas avaliações você teve problemas de saúde. Quão importante são a saúde mental e a física para automobilistas?

Eu realmente não estava no meu melhor. Tive alguns sintomas gripais, e só depois descobri que era uma pneumonia. Agora já estou bem. Fiz um tratamento e me recuperei totalmente. Mas com certeza as questões de saúde física e mental são fundamentais para todos os atletas. As pausas e os descansos devem ter equilíbrio com os treinamentos e competições.

Outro quesito avaliado pela FIA é o nível de inglês. Como é sua relação com a língua e qual a importância da mesma para aqueles que querem uma carreira no automobilismo?

Atualmente posso dizer que tenho uma boa relação com o inglês. Falo e compreendo muito bem. Mas na edição de 2020 senti dificuldades nesse quesito. Felizmente, neste ano tive a oportunidade de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos, por três meses, e me dediquei a aprender mesmo e a dominar o idioma. Queria que não fosse mais uma dificuldade para mim.

O intercâmbio foi pouco antes do FIA Girls On Track. Com certeza foi muito importante para aprimorar meu inglês e me ajudou bastante na edição de 2021 do programa. Cheguei mais preparada, mais confiante. Acho que foi um diferencial para mim. Sem dúvidas, o inglês é essencial para qualquer carreira e também fundamental para pilotos e todos que trabalham ou querem trabalhar com o automobilismo.

Recentemente o Brasil tem visto um aumento de categorias de base com o intuito de formar pilotos no próprio país. O que observa sobre esse cenário?

Acho muito importante esse movimento. Acredito que todas as iniciativas que ajudem a base do automobilismo brasileiro, que pensem na formação de novos pilotos, são muito importantes. Inclusive teremos o campeonato de Fórmula 4 no Brasil, e acho que o fato de ter essas competições da base no país, vai incentivar e ajudar a muitos jovens pilotos.

O Brasil possui considerável tradição no automobilismo. Você possui algum ídolo ou pessoa que admira?

É verdade, temos em nossa história muitos nomes relevantes e com grandes conquistas. Claro que não posso deixar de falar em Ayrton Senna, ídolo de muita gente. Além dele, eu gosto muito e admiro a Bia Figueiredo, por tudo que ela fez, sendo mulher nesse meio. Ela abriu portas para as meninas da minha geração no automobilismo. E tem ajudado muito a minha carreira. E claro, o Rubens Barrichello. Em nível internacional, o Lewis Hamilton.

Quais são seus planos e metas para o futuro?

Ainda para este ano, estou retomando os treinos com o objetivo de chegar bem preparada, competitiva e com boas condições de brigar pela vitória no Campeonato Brasileiro de Kart, que acontece entre os dias 6 e 18 de dezembro, no kartódromo Beto Carrero, em Penha, Santa Catarina.

Já para 2022, pretendo seguir com minha transição do kart para os carros de Fórmula 4. Ainda não sei se será aqui no Brasil mesmo, ou se seguirei para o caminho internacional, como Estados Unidos e/ou Europa. Estamos estudando todas as possibilidades.

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